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Review: Planet of Lana II: Children of the Leaf
Uma Jornada de Amadurecimento e Descoberta

Em 2023, o mundo dos games foi agraciado com Planet of Lana, uma obra que rapidamente se destacou por sua estética de pintura em aquarela e uma narrativa silenciosa, mas profundamente emocionante. Inspirado em clássicos como Inside e as animações do Studio Ghibli, o título original nos apresentou a Lana e sua inseparável criatura, Mui, em uma luta desesperada contra uma invasão robótica no planeta Novo. Agora, em 2026, a Wishfully nos entrega Planet of Lana II: Children of the Leaf, uma sequência que não apenas honra o legado de seu antecessor, mas expande significativamente o universo e as mecânicas que tornaram a franquia especial.
O Legado e a Nova Jornada…
A transição entre os dois jogos é marcada por um salto temporal de dois anos. O mundo de Novo não é mais o mesmo; a sociedade aprendeu a conviver e até a integrar a tecnologia das máquinas que outrora os caçavam. No entanto, essa paz é frágil. A sequência abre com um resumo eficiente dos eventos passados, situando novos jogadores enquanto mostra uma Lana visivelmente mais madura e confiante. O que começa como uma exploração rotineira de ruínas antigas com sua irmã mais nova (ou amiga próxima, Anua) rapidamente se transforma em uma tragédia pessoal quando a pequena é infectada por uma fumaça misteriosa emanada de uma nave desconhecida.

Diferente do primeiro jogo, que focava em uma resistência global, Children of the Leaf assume um tom mais íntimo e urgente. A missão de Lana é clara: encontrar três ingredientes raros para criar uma cura. Essa premissa simples serve como motor para uma exploração muito mais profunda das origens de Mui e da própria invasão das máquinas, preenchendo lacunas narrativas que deixaram os fãs curiosos no título original. A narrativa é contada através de um idioma fictício, sem legendas, focando na interpretação visual e gestual dos personagens.
Sinergia e Complexidade…

A jogabilidade de plataforma cinematográfica em side-scrolling retorna refinada. O coração da experiência continua sendo a interação entre Lana e Mui, mas agora com camadas adicionais de complexidade. Mui não é mais apenas um ajudante para alcançar botões distantes; a criatura agora possui habilidades de telepatia que permitem controlar a fauna local e desativar robôs complexos. Lana, por sua vez, ganhou novas capacidades de movimentação, como o wall jump, deslizar e a habilidade de realizar mergulhos profundos, o que abre um novo horizonte de possibilidades para os quebra-cabeças.

Os puzzles estão mais inteligentes e integrados ao ambiente. Em vez de desafios isolados, eles agora exigem uma coordenação precisa entre a dupla, muitas vezes utilizando a flora e a fauna de maneiras criativas, como usar peixes para acessar áreas submersas ou criaturas que expelem tinta para cegar predadores. Embora o combate direto continue sendo evitado, o jogo introduz sequências de fuga intensas que lembram a precisão exigida em títulos como Ori and the Blind Forest.
Ambientação, Gráficos e Som…

Visualmente, Planet of Lana II é um espetáculo à parte. A direção de arte mantém o estilo hand-painted que remete a aquarelas vibrantes, mas com uma riqueza de detalhes superior. Os biomas são variados, passando por florestas densas, picos congelados e, o grande destaque desta sequência, os cenários subaquáticos . A iluminação e o contraste entre a natureza orgânica e o metal frio das máquinas criam uma atmosfera única e contemplativa. A trilha sonora, novamente composta por Takeshi Furukawa, é um elemento vital da narrativa. Com um uso magistral de metais e melodias melancólicas, a música evoca sentimentos de solidão e esperança, lembrando em certos momentos a sonoridade de Star Wars. Como o jogo utiliza um idioma fictício sem legendas, a música e as animações gestuais carregam todo o peso emocional da história, permitindo que cada jogador tenha sua própria interpretação dos diálogos.
Resumindo…

Planet of Lana II: Children of the Leaf é uma evolução natural e necessária. Ele consegue ser mais maduro que o original, oferecendo respostas para mistérios antigos enquanto cria novos laços emocionais com o jogador. Embora alguns trechos subaquáticos possam parecer arrastados e a câmera ocasionalmente dificulte a visão em puzzles mais amplos , a experiência geral é de uma beleza e sensibilidade raras na indústria atual. Planet of Lana II reafirma a Wishfully como um estúdio capaz de criar mundos que tocam a alma. É uma jornada obrigatória para quem busca mais do que apenas apertar botões, mas sim viver uma história de amizade e descoberta em um mundo que respira arte.
Review: Planet of Lana II: Children of the Leaf
Narrativa emocionante com expansão significativa da história - 9
Puzzles inteligentes que utilizam a fauna e flora de forma criativa - 8.5
Direção de arte e trilha sonora impecáveis - 8.5
Evolução clara nas habilidades e na utilidade de Mui - 8
Fases subaquáticas podem se tornar repetitivas - 7.5
Trechos de fuga exigem um timing quase punitivo - 7.5
8.2
Muito Bom!
Planet of Lana II reafirma a Wishfully como um estúdio capaz de criar mundos que tocam a alma. É uma jornada obrigatória para quem busca mais do que apenas apertar botões, mas sim viver uma história de amizade e descoberta em um mundo que respira arte.

