Review – ROG Xbox Ally X

O PC Portátil que Finalmente Abraçou o Xbox
Quando a Microsoft e a ASUS anunciaram que estavam trabalhando juntas num portátil que carregaria o nome Xbox, a internet inteira surtou. Não foi pra menos. Durante anos, a gente viu a ideia de um “Xbox portátil” sendo mais um sonho distante dos fãs do que uma realidade concreta. Agora, em 2026, com o ROG Xbox Ally X já aqui no Brasil, chegou a hora de saber se essa parceria rendeu o que prometeram ou se é mais um PC portátil bonito que tropeça nos próprios pés. Passei um mês com o aparelho na mão, jogando de tudo um pouco, e posso te dizer com sinceridade: esse bicho é um monstro, mas não é perfeito. Vamos entender mais a fundo nessa análise.
O Que é o ROG Xbox Ally X?
O ROG Xbox Ally X é um console portátil desenvolvido pela ASUS em parceria com a Microsoft. Lançado oficialmente em 16 de outubro de 2025, chegou ao Brasil no dia 1 de janeiro de 2026, custando R$ 9.998. Ele é a versão premium da linha ROG Ally, que a ASUS já vinha fazendo com sucesso relativo. Fizemos análise do ROG Ally X, que você pode conferir aqui. O grande diferencial é que, diferente do modelo base, ROG Ally, o Xbox Ally X é que ele traz uma parceria visual e funcional com o ecossistema Xbox. Mas antes de você sair pulando de alegria, é preciso deixar uma coisa clara: ele não é um Xbox. É um PC portátil que roda Windows 11 e que abraçou o ecossistema da Xbox. Você pode jogar jogos do Xbox Game Pass, da Steam, da Epic, da Battle.net, de qualquer lugar. Se você comprou um jogo com a tag “Xbox Play Anywhere”, ele funciona aqui. Mas jogos exclusivos do Xbox 360 ou do primeiro Xbox? Esquece. Não tem retrocompatibilidade nativa para esses.
Especificações Técnicas: Um Monstro Por Dentro…

Se você é do tipo que gosta de números, aqui vai a ficha técnica completa:
| Especificação | ROG Xbox Ally X |
| Processador | AMD Ryzen Z2 AI Extreme (8 núcleos / 16 threads, até 5,0 GHz) |
| GPU Integrada | AMD Radeon 890M (RDNA 3.5, 16 unidades de computação) |
| NPU | AMD XDNA 2 (até 50 TOPS) |
| Memória RAM | 24 GB LPDDR5X-8000 (soldada, 16GB para CPU + 8GB para GPU) |
| Armazenamento | 1 TB SSD PCIe 4.0 NVMe M.2 2280 (substituível) |
| Tela | 7 polegadas IPS LCD, 1920×1080, 120Hz, FreeSync Premium, 500 nits |
| Bateria | 80 Wh (4 células de íons de lítio) |
| Conectividade | Wi-Fi 6E, Bluetooth 5.4 com LE Audio |
| Portas | 1x USB4 (Thunderbolt 4), 1x USB-C 3.2, microSD UHS-II, jack 3,5mm |
| Peso | 715g |
| Dimensões | 290 x 121 x 27,5 a 50,9 mm |
| Sistema | Windows 11 Home |
Esse chip AMD Ryzen Z2 AI Extreme é um bicho. Ele tem uma arquitetura de 3 núcleos Zen 5 + 5 núcleos Zen 5c, com 24 MB de cache. A GPU integrada é a Radeon 890M, que roda na arquitetura RDNA 3.5. E tem ainda uma NPU (neural processing unit) com até 50 TOPS, que a ASUS e a Microsoft prometem usar para melhorar a experiência no futuro. Os 24 GB de RAM são generosos e, com 8 GB reservados para a GPU por padrão, o sistema consegue rodar jogos pesados sem sufocar.
Design, Pegada e Ergonomia: A Grande Evolução…

Aqui é onde a ASUS acertou em cheio. O ROG Xbox Ally X tem uma pegada inspirada no controle do Xbox Wireless, com apoios para as mãos muito mais pronunciados do que o modelo anterior. A diferença é gritante. O modelo antigo tinha um formato retangular que cansava os pulsos depois de uma hora de jogo. O novo modelo distribui o peso de forma que as mãos ficam apoiadas nas palmas, e não penduradas nos polegares. O aparelho pesa 715g, que é considerável. É mais pesado que o Steam Deck e que o modelo base do ROG Ally. Mas a distribuição de peso compensa. Consegui jogar sessões de duas horas sem sentir aquela dorzinha chata no pulso.
Os analógicos são do tipo Hall Effect, o que significa que eles não sofrem de drift com o tempo. E eles têm LEDs customizáveis, o que dá um toque visual legal. Os gatilhos são altos, largos e com um curso analógico suave que se nota em jogos de corrida como o Forza Horizon 6. Os botões frontais respondem com um clique agradável, mas são um pouco sonoros demais. Se você joga na cama ao lado de alguém, o clique dos botões vai incomodar. Os botões M1 e M2, atrás do aparelho, são úteis mas pequenos, especialmente para quem tem mãos menores. Eles ficam numa posição que exige um pouco de esforço para pressionar.
Na parte superior, temos duas entradas USB-C (uma delas com Thunderbolt 4), um leitor de cartão microSD UHS-II, botão de energia com leitor de impressão digital, entrada P2 para fone e botão de volume. A manutenção é surpreendentemente fácil: oito parafusos Phillips dão acesso ao SSD M.2, que você pode trocar em quinze minutos. A tela é protegida por Gorilla Glass Victus, resistente a riscos e quedas de até 2 metros. Durante os testes, o aparelho foi para dentro da mochila várias vezes com coisas em cima, e não teve nem um arranhão, mas não contem com a sorte, é sempre bom comprar uma capa ou enrolar ele em algum pano macio.
A Tela: Boa, Mas Não Perfeita…

A tela de 7 polegadas é IPS LCD Full HD (1920×1080) com taxa de atualização de 120Hz e suporte a FreeSync Premium. O brilho máximo é de 500 nits, o que funciona bem em ambientes internos e até na sombra, mas esqueça jogar sob o sol direto. A qualidade da tela é o ponto onde o aparelho mais decepciona pelo preço que custa. Apesar de oferecer boa qualidade de imagem, 120Hz e cobertura de 100% sRGB, a tela IPS LCD não alcança o contraste, os pretos profundos e o impacto visual dos painéis OLED encontrados em concorrentes como o Steam Deck OLED. Pelo preço elevado do aparelho, alguns usuários podem sentir falta de uma tela OLED
O FreeSync Premium ajuda muito em jogos que não conseguem manter uma taxa de quadros estável, porque a taxa de atualização variável elimina o screen tearing. É um recurso que faz diferença na prática, especialmente em jogos mais pesados que ficam oscilando entre 30 e 60 FPS. A proteção Gorilla Glass Victus e o tratamento antirreflexo Gorilla Glass DXC são boas adições, mas eu senti falta de um case protetor incluso na caixa, especialmente pelo preço.
LED nos Analógicos: Um Detalhe que Faz Diferença…

Os analógicos do ROG Xbox Ally X têm LEDs customizáveis, o que é um detalhe que faz diferença. No Xbox Full Screen Experience, os LEDs podem mudar de cor dependendo do jogo ou do perfil de energia que você está usando. É uma coisa sutil, mas que dá personalidade ao aparelho. Você pode configurar as cores através do Armoury Crate SE, o software de controle da ASUS.
Bateria: O Compromisso Necessário…

A bateria de 80 Wh é a maior já colocada num portátil da ASUS, e é uma melhoria significativa em relação ao modelo anterior. Mas aqui a gente precisa ser honesto: bateria e desempenho são inimigos, e o ROG Xbox Ally X prova isso. Os perfis de energia são quatro: 13W (Silencioso), 17W (Performance), 25W (Turbo sem cabo) e 35W (Turbo com cabo). No modo Silencioso, a bateria dura bastante, mas o desempenho cai para jogos leves. No modo Turbo com o cabo de 65W ligado, você tem o máximo de desempenho, mas a bateria está sendo recarregada, não drenada.
Na prática, os tempos de bateria sem o cabo são os seguintes: jogos 2D ou mais leves duram cerca de 4 horas no modo Performance. Jogos AAA no modo Performance duram cerca de 3h30min. No modo Turbo, isso cai para quase 2 horas. Se você optar por jogar via Xbox Cloud Gaming, a bateria pode durar até 11 horas, já que o processamento é feito nos servidores da Microsoft e não no aparelho. O carregamento é razoável: 56 minutos para atingir 50% e cerca de 2h10min para os 100% com o carregador de 65W.
O Software: Luzes e Sombras…

O software é, sem sombra de dúvida, o ponto mais polêmico do ROG Xbox Ally X. E isso merece uma seção à parte, porque é onde o aparelho briga consigo mesmo. A grande novidade dessa geração é a Xbox Full Screen Experience, uma interface de tela cheia que tenta replicar a sensação de estar num console Xbox. Ela é bonita, intuitiva e facilita muito a navegação com os botões do controle. O Xbox Game Pass aparece em destaque, e você pode navegar pela sua biblioteca de jogos de qualquer plataforma (Steam, Epic, Battle.net, EA) tudo num lugar só. A biblioteca agora funciona de verdade. Desde a atualização de abril de 2026, é possível adicionar, remover e lançar qualquer jogo ou aplicativo de qualquer loja de dentro da interface Xbox.

O Gamepad Cursor resolve o problema de navegar em aplicativos que nunca foram pensados para controle. Os Default Game Profiles definem configurações e limites de energia por jogo automaticamente, e o Advanced Shader Delivery baixa shaders pré-compilados para que os jogos abram mais rápido. A ASUS também merece crédito pelo Armoury Crate SE. O overlay do Command Center é rápido e dá controle sobre alocação de memória gráfica. É o melhor utilitário de fabricante nesse segmento.
Os Problemas…

Agora, os problemas. O Windows 11 ainda está lá por baixo de tudo. E ele se lembra de mostrar a cara nos piores momentos. No inicio, o dispositivo levava horas para configurar, com várias rodadas de atualizações do Windows, do Armoury Crate e do sistema Xbox. A experiência de tirar da caixa é frustrante e não tem nada a ver com a simplicidade de um console de verdade. A estabilidade do software é um ponto de preocupação. Menus que exigem múltiplos toques para responder, modos de energia que às vezes se recusam a mudar, e um modo de suspensão que é mais uma sugestão do que uma função.
O DirectX não vem instalado por padrão, o que significa que você pode precisar baixar e instalar um executável manualmente para conseguir rodar certos jogos. A instalação de jogos da Epic Games, por exemplo, só funciona com o touchscreen. O mesmo vale para a Steam em alguns casos. E tem um detalhe importante: a Xbox Full Screen Experience deixou de ser exclusiva do ROG Xbox Ally X. A Microsoft começou a distribuí-la para PCs com Windows 11 em geral. Ou seja, a funcionalidade que era o grande diferencial desse aparelho agora está disponível em qualquer PC. Isso muda um pouco a conta.
Desempenho em Jogos: Onde o Bicho Brilha…

Aqui é onde o ROG Xbox Ally X realmente se destaca. O AMD Ryzen Z2 AI Extreme com a GPU Radeon 890M entrega um desempenho que, na prática, é superior aos “PC’s portáteis” presentes no mercado. É uma diferença que você sente na hora de jogar.
Forza Horizon 6…
O Forza Horizon 6 roda muito bem no ROG Xbox Ally X. A recomendação oficial da Playground Games é de 1080p a 30 FPS no modo Turbo, com configurações no High. No entanto, na prática, você consegue customizar para algo melhor. A experiência é fluida, estável e visualmente impressionante. O jogo é otimizado para o portátil, o que se nota na ausência de stuttering e no carregamento rápido. O FreeSync Premium cuida de qualquer variação mínima na taxa de quadros. A sensação de velocidade em plena corrida, com o controle vibrando nos momentos certos, é fantasticamente imersiva.
Halo Campaign Evolved…
Esse é um osso duro de roer. O Halo Campaign Evolved é um remake do Halo original construído na Unreal Engine 5, e isso o torna um dos jogos mais pesados que existem para portáteis. No ROG Xbox Ally X, com a maioria das configurações no Low e resolução em 720p, você consegue atingir cerca de 40 FPS. A qualidade de imagem não é perfeita nessas configurações, mas na tela de 7 polegadas, a diferença é menos perceptível. Com FSR Quality ativado e resolução em 900p no modo Turbo (35W), é possível atingir 30+ FPS com uma qualidade visual bem melhor. O jogo é totalmente jogável, mas exige ajustes. Não espere rodar no Ultra ou no High nesse portátil. A IA do inimigo, a física e a jogabilidade estão fantásticas, e o feedback do controle faz as explosões parecerem muito mais reais.
Gears of War Reloaded…
Esse foi o jogo que mais me surpreendeu. O Gears of War Reloaded é uma remasterização do Gears of War original, otimizado pela The Coalition especificamente para o ROG Xbox Ally X. Na demonstração no Summer Game Fest, o jogo rodou com configurações no High, com taxas de quadros acima de 75 FPS e chegando a 90 FPS em seções mais calmas. Na prática, o jogo é um dos mais bem otimizados para o portátil. A The Coalition trabalhou muito para garantir que o Gears Reloaded rodasse com “folga confortável” no Xbox Ally X. O feedback dos Impulse Triggers é fantástico: cada tiro do Hammerburst faz o gatilho vibrar na sua mão, e cada recarga ativa é um momento de pura adrenalina. A tela de 7 polegadas mostra os detalhes das texturas atualizadas de forma surpreendente.
Assassin’s Creed Black Flag Resynced…
O Black Flag Resynced é um remake do clássico Assassin’s Creed IV: Black Flag, e ele roda impressionantemente bem no ROG Xbox Ally X. Com configurações no High, resolução em 1080p, FSR no Quality e modo Turbo (35W), você consegue uma média sólida de 60 FPS. Se quiser economizar bateria, pode baixar para 20W em 1080p e ainda manter uma taxa de quadros aceitável. O jogo abre rápido, não tem stuttering e o visual do Caribe está lindo. As árvores balançando com o vento, o reflexo do sol na água, tudo isso aparece na tela com uma qualidade que surpreende para um portátil. O controle responde perfeitamente para navegação por navio e para combate corpo a corpo.
Uso como PC Portátil para Tarefas Diárias…

Agora, e se você quiser usar o ROG Xbox Ally X como um PC para o dia a dia? Como laptop de verdade? A resposta é: dá, mas com ressalvas. A tela de 7 polegadas é pequena para trabalho produtivo. Você não vai querer digitar um documento longo ou planilha nessa tela. A falta de um trackpad nativo torna a navegação no Windows sem mouse ou teclado externo bem mais difícil. Você pode usar o touchscreen, mas não é a experiência mais confortável para trabalho.No entanto, o aparelho tem saídas USB-C com DisplayPort e Thunderbolt 4, o que significa que você pode conectá-lo a um monitor, mouse e teclado e transformá-lo num PC de mesa competente. Com um hub USB-C, ele vira uma estação de trabalho completa. Os 24 GB de RAM e o SSD de 1 TB dão espaço de sobra para multitarefa.
Para navegação web, e-mails e tarefas básicas, ele funciona perfeitamente. Para edição de vídeo ou renderização 3D, ele pode dar conta de projetos menores, mas não espere substituir um desktop dedicado. Durante sessões de jogo intenso, os apoios das mãos ficam entre 29°C e 32°C, o que é confortável. Nada que cause desconforto nas mãos. As ventoinhas são surpreendentemente silenciosas, mesmo no modo Turbo a ponto de quase não incomodarem durante sessões de jogo. O sistema de refrigeração é bem dimensionado para o chip, o que não se pode dizer de todos os portáteis de 2025. Um ponto negativo: quando a tela está no brilho máximo e o modo Turbo está ligado, o calor da saída superior pode esquentar a parte de cima do display, o que é desconfortável se você apoia as mãos nessa área.
Resumindo…

O ROG Xbox Ally X é, sem dúvida, o portátil mais poderoso que você pode comprar hoje. O hardware é de ponta, a ergonomia é excelente e o desempenho em jogos AAA é impressionante. A parceria com a Xbox trouxe uma camada de interface que aproxima a experiência de um console portátil tradicional. Mas o preço de R$ 9.998 é um obstáculo enorme. E o Windows 11, mesmo com as melhorias da Xbox Full Screen Experience, ainda é um sistema que não foi feito para portáteis. A experiência de tirar da caixa pode ser frustrante para quem não tem paciência e quer só jogar, e a estabilidade do software ainda deixa a desejar. Para quem já está investido no ecossistema Xbox, com uma biblioteca no Game Pass e jogos comprados na loja da Microsoft, o ROG Xbox Ally X faz muito sentido. Se o bolso permite e a paciência com o Windows também, sim. O bicho é um monstro que entrega o que promete no hardware. Mas o software ainda precisa amadurecer, e o preço precisa cair.
Review - ROG Xbox Ally X
Desempenho excelente, cerca de 85% superior aos consoles portateis do mercado. - 9.5
Ergonomia superior, com pegada inspirada no controle Xbox - 9.5
Bateria de 80 Wh, a maior da categoria - 9
Analógicos Hall Effect com LEDs customizáveis - 9
Integração nativa com Xbox Game Pass e Xbox Full Screen Experience - 9
Tela resistente com Gorilla Glass Victus - 9
Bateria dura pouco em jogos AAA no modo Turbo (cerca de 2h) - 8.5
Preço altíssimo: R$ 9.998 no Brasil - 8.5
9
Excelente!!!
O ROG Xbox Ally X é, sem dúvida, o portátil mais poderoso que você pode comprar hoje. O hardware é de ponta, a ergonomia é excelente e o desempenho em jogos AAA é impressionante. A parceria com a Xbox trouxe uma camada de interface que aproxima a experiência de um console portátil tradicional. Mas o preço de R$ 9.998 é um obstáculo enorme. E o Windows 11, mesmo com as melhorias da Xbox Full Screen Experience, ainda é um sistema que não foi feito para portáteis.

