Reviews e Previews

Review – Denshattack!

No vasto e muitas vezes repetitivo mercado de videogames, encontrar um título que ouse inovar e entregar uma experiência genuinamente fresca é sempre um agrado aos fãs. Denshattack!, desenvolvido pela Undercoders e publicado pela Fireshine Games, confesso que a premissa me intrigou: manobras de skate… em um trem? A ideia, que soa estranha à primeira vista, revela-se um “caos controlado” genial na prática, misturando a fluidez de Tony Hawk’s Pro Skater, a estética de Jet Set Radio e a atitude exagerada de animes como Tengen Toppa Gurren Lagann. O jogo me cativou desde as primeiras horas e, nesta análise, vou detalhar o que torna essa aventura sobre trilhos uma das experiências mais empolgantes e criativas de 2026.

Um Japão Distópico sobre Trilhos…

A história de Denshattack! nos transporta para um futuro alternativo do Japão, severamente castigado por mudanças climáticas. A população se divide entre aqueles que vivem protegidos em grandes domos controlados pela onipresente e autoritária corporação Miraido, e os que habitam as regiões externas, abandonadas e cortadas por uma vasta malha ferroviária. Assumimos o controle de Emi, uma jovem simpática e talentosa que utiliza um velho trem herdado do pai para entregar lámen. Sua vida muda quando conhece Fernando, um fotógrafo que faz um fanzine sobre os Denshattackers, pilotos rebeldes que transformam os trens em veículos de manobras radicais.

Impressionado, Fernando a introduz a esse mundo subterrâneo e perigoso. Juntos, eles percorrem o país desafiando líderes de facções e, eventualmente, confrontando a tirania da Miraido. A narrativa, apresentada em formato de mangá com ilustrações 2D e diálogos dublados, funciona perfeitamente como um pano de fundo. Embora a premissa beire os clichês típicos dos animes battle shounen (foco na amizade, superação de limites e rivais invencíveis), ela não tenta roubar o protagonismo da jogabilidade. O elenco é carismático, especialmente a protagonista Emi, e as interações entre os personagens agregam muito à experiência.

Adrenalina Pura e Mecânicas Evolutivas…

O verdadeiro coração de Denshattack! reside em sua jogabilidade. O jogador pilota um vagão em altíssima velocidade, desviando de obstáculos, trocando de trilhos e executando manobras radicais como ollies, grinds, kickflips e wallrides utilizando o analógico direito. A sensação de velocidade é insana, e a necessidade de manter combos para atingir as pontuações exigidas pelas fases cria um ciclo vicioso altamente viciante. O jogo conta com mais de 60 fases distribuídas em nove capítulos, oferecendo diferentes modos: Exploração (cumprir objetivos), Pista de Manobras (alcançar uma meta de pontos) e Circuito de Corrida (competir contra outros trens). O que me impressionou foi a introdução gradativa de novas mecânicas.

O jogo não hesita em tirar o jogador da zona de conforto: a partir do terceiro capítulo, somos apresentados a recursos como a Yaoyorozu (que libera atalhos aéreos e dobra a pontuação), troca de gravidade (andando de cabeça para baixo em trilhos magnéticos) e até mesmo o controle de outros veículos gigantes. Embora a curva de aprendizado inicial possa parecer intimidadora devido à quantidade de botões e combinações, em pouco tempo os controles se tornam fluidos e intuitivos. A progressão da dificuldade é, em sua maioria, muito bem equilibrada, mantendo o jogador engajado sem frustrá-lo excessivamente.

Uma Festa Sensorial…

A direção de arte de Denshattack! é, sem dúvida, um de seus maiores trunfos. Utilizando um estilo cel shading vibrante e colorido, o jogo mergulha o jogador em uma estética nostálgica dos anos 2000, com uma clara influência da cultura pop japonesa, do grafite urbano e dos jogos arcade da época. Os cenários são variados e detalhados, desde cidades futuristas e áreas industriais até ambientes aquáticos psicodélicos. A interface do jogo também reflete essa personalidade, com menus modernos e estilizados que remetem a obras como Persona 5.

A trilha sonora acompanha a excitação visual. Composta por artistas renomados da indústria, como Tee Lopes (Sonic Mania, TMNT) e com contribuições de Shoji Meguro (Persona), a trilha é um verdadeiro festival de punk japonês, eletrônico e rock. As 80 faixas presentes no jogo são dinâmicas, ditam o ritmo das corridas e elevam a adrenalina, especialmente durante as batalhas contra chefes. A dublagem, disponível em inglês e japonês, também merece elogios por dar vida e personalidade a cada personagem.

Caos Criativo…

A ambientação do jogo é um personagem à parte. A natureza das ruínas de um Japão pós-apocalíptico, misturada com a tecnologia de ponta dos domos da Miraido, cria um cenário belíssimo e repleto de personalidade. Cada região possui sua própria identidade visual e desafios específicos. E falando em desafios, as batalhas contra chefes são o ápice da criatividade do estúdio Undercoders. Longe de serem simples perseguições, os boss fights transformam-se em verdadeiros espetáculos. Em um momento você está competindo em uma corrida ao mesmo tempo que luta contra um robô gigante; no outro, você joga beisebol usando outro trem como Bastão. Cada chefe exige que o jogador utilize as mecânicas dominadas naquele capítulo, testando reflexos e precisão em disputas de tirar o fôlego.

Resumindo…

Denshattack! é um título arcade excêntrico que transforma uma ideia aparentemente maluca em uma experiência altamente envolvente. Ele captura a essência do que faz os videogames serem especiais: a capacidade de nos proporcionar momentos de pura euforia e desafios que exigem precisão e habilidade. O Game é uma rajada de ar fresco em um mercado saturado, um jogo que não tem medo de ser diferente e que entrega diversão em estado puro. Se você é fã de jogos como Tony Hawk’s Pro Skater, OlliOlli World ou Jet Set Radio, esta é uma compra obrigatória. Prepare-se para ser atropelado pela criatividade deste trem sem freios.

Review - Denshattack!

A mistura de corrida e manobras de skate em um trem é executada de forma brilhante. - 8.5
O visual cel shading e a estética retrô dos anos 2000 são impecáveis. - 8.5
Batalhas de Chefes Criativas - 8
A quantidade de comandos pode ser complexa nas primeiras horas. - 7.5
A história segue um arco bastante previsível e focado em clichês - 7.5
A introdução de novas mecânicas junto com os chefes pode frustrar alguns jogadores - 7

7.8

Muito Bom!

O Game é uma rajada de ar fresco em um mercado saturado, um jogo que não tem medo de ser diferente e que entrega diversão em estado puro. Se você é fã de jogos como Tony Hawk's Pro Skater, OlliOlli World ou Jet Set Radio, esta é uma compra obrigatória. Prepare-se para ser atropelado pela criatividade deste trem sem freios.

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Eduardo Lino

Olá, Eu sou o Edu! Sou o criador do portal de notícias Gamer Spoiler. Apaixonado por games desde pequeno e jornalista nas horas vagas!
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