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Review – The Mound: Omen of Cthulhu

The Mound: Omen of Cthulhu, desenvolvido pela chilena ACE Team e publicado pela Nacon. Após horas escavando os segredos da selva chilena no século XVII, o jogo nos coloca na pele de conquistadores espanhóis em busca de tesouros, mas o que encontra não é ouro, e sim o horror cósmico de H.P. Lovecraft.

A Narrativa e a História…

The Mound adapta a novela homônima escrita por Lovecraft em parceria com Zealia Bishop, mas com uma reinvenção fascinante. Em vez de se passar no interior dos Estados Unidos, a história foi transportada para as florestas valdivianas do sul do Chile no ano de 1652. Nós assumimos o papel de quatro conquistadores espanhóis, Alonso, Rodrigo, Leonor e Fray Gaspar, que foram afastados da sociedade e decidem arriscar a vida em busca de riquezas na misteriosa cidade subterrânea de K’n-yan.

A narrativa não é entregue em cutscenes tradicionais, mas sim através da descoberta de diários e anotações em fortes abandonados espalhados pelo mapa. Essa abordagem de storytelling ambiental enriquece a imersão e recompensa os jogadores curiosos que param para ler o que aconteceu com expedições anteriores. O roteiro, liderado por Jonas Kyratzes, consegue uma proeza notável: dialogar com a obra de Lovecraft sem cair nas armadilhas coloniais e racistas do autor original, tratando os povos indígenas da região com respeito e não como vilões ou decoração.

A Gameplay e o Ciclo de Contratos…

Tudo começa no navio Tempestad, que funciona como nosso hub central e único refúgio seguro. Ali, aceitos contratos que definem os objetivos (coletar tesouros, resgatar sobreviventes ou localizar itens específicos) e equipamos o grupo. O grande trunfo da jogabilidade é a carroça puxada pelo boi Carlito. Ela atua como um baú móvel, ponto de encontro e até estação de ressurreição, com o padre do grupo revivendo os companheiros caídos.

O inventário limitado força decisões estratégicas: quem carregará a tocha? Quem protegerá o grupo com a única arma de fogo disponível? A gestão de recursos é fundamental, e cada expedição é uma dança entre a ambição de levar mais tesouros e a necessidade de sobreviver. O jogo opera em um mapa vasto e interconectado, sem GPS ou mini-mapas na tela, exigindo que os jogadores se orientem por referências visuais. A selva reage ao barulho e ao tempo gasto no ambiente, aumentando a tensão com um temporizador invisível que avisa quando “a floresta despertará” e enviará horrores piores contra o grupo.

Gráficos e Ambientação…

A direção de arte de The Mound é uma de suas maiores vitórias. A ACE Team optou por uma estética pinturesca que foge do fotorrealismo, utilizando alto contraste, silhuetas legíveis mesmo na baixa visibilidade e uma atmosfera que transpira decomposição e umidade. A floresta valdiviana não é um genérico banco de assets; é repleta de araucárias com formas singulares que moldam a silhueta do cenário. A neblina constante e a iluminação dinâmica criam um ambiente opressivo onde lampiões a óleo tremulam e tochas parecem insuficientes contra a escuridão. A própria floresta parece viva e hostil, com a lua avermelhando-se quando a selva reage à presença dos jogadores. Essa ambientação não serve apenas de pano de fundo, mas atua como um inimigo constante, tornando o isolamento e a desorientação visuais parte integrante da experiência.

A Trilha Sonora e o Áudio Espacial…

O design de áudio é o coração palpitante de The Mound. A trilha sonora utiliza o silêncio de forma magistral, alternando entre os sons naturais da fauna chilena e momentos de tensão absoluta. O áudio espacial desempenha um papel crucial, especialmente no modo cooperativo. As vozes dos companheiros se distorcem e enfraquecem conforme eles se afastam, criando uma sensação deliberada de isolamento e pavor quando a comunicação é interrompida.

Os Desafios: Sanidade e Combate

O verdadeiro motor do jogo é o sistema de sanidade. Diferente de outros games onde todos veem a mesma coisa, em The Mound as alucinações são individuais. O dano e a exposição ao horror cósmico drenam a sanidade, gerando visões e sons perturbadores que quebram a confiança entre os jogadores. Baús se transformam em cadáveres podres, aliados podem assumir a forma de monstros, e sons estranhos se misturam ao chat de voz, fazendo com que você duvide até mesmo dos seus próprios amigos. No entanto, o jogo tropeça onde deveria proteger: o combate. O arsenal, composto por quatorze armas que refletem a tecnologia do século XVII, sofre de falhas na execução.

Os mosquetes levam uma eternidade para recarregar e falham na chuva, enquanto o combate corpo a corpo carece de peso e impacto. As hitboxes imprecisas e animações que às vezes não registram os golpes fazem com que as lutas contra os 26 tipos de inimigos e chefes se tornem frustrantes, especialmente em momentos de desespero. Outro ponto é a dificuldade mal calibrada, que não respeita o tempo do jogador, e a progressão rasa, onde subir de nível traz principalmente recompensas cosméticas. A experiência solo é penalizada por uma inteligência artificial companheira que frequentemente se perde ou ignora ameaças.

Resumindo…

The Mound: Omen of Cthulhu é uma experiência visceral que tenta trazer o horror literário e psicológico para o cenário de extração cooperativo. Ele brilha ao transformar a paranoia e a desconfiança em mecânicas jogáveis, suportadas por uma ambientação sul-americana rica e uma direção de arte impecável. Contudo, as falhas no combate, a otimização técnica irregular e a progressão rasa são obstáculos que exigem paciência.

Review - The Mound: Omen of Cthulhu

Ambientação histórica original e bem construída no sul do Chile. - 8
Inovação no gênero de extração através de um sistema de sanidade que gera paranoia real entre jogadores. - 8
Direção de arte única que garante legibilidade e atmosfera opressiva - 7.5
Combate corpo a corpo e de longa distância com pouco impacto e falhas técnicas. - 6.5
Dificuldade desequilibrada que torna as primeiras horas excessivamente punitivas. - 6
Experiência solo prejudicada por uma IA parceira ineficiente. - 6

7

Bom!

Se você possui um grupo de amigos resilientes, que encaram a frustração do gameplay por uma experiência inesquecível e cheia de tensão psicológica, The Mound: Omen of Cthulhu vale cada centavo, mas se você busca um jogo polido, com combate satisfatório e uma curva de dificuldade justa, esse game não é a sua praia!

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Eduardo Lino

Olá, Eu sou o Edu! Sou o criador do portal de notícias Gamer Spoiler. Apaixonado por games desde pequeno e jornalista nas horas vagas!
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