A franquia Yakuza, recentemente rebatizada como Like a Dragon, sempre ocupou um espaço singular no panteão dos videogames. Longe de ser apenas um beat ‘em up de rua, a saga desenvolvida pelo Ryu Ga Gotoku Studio (RGG Studio) é uma tapeçaria complexa que entrelaça o drama pesado e a honra da máfia japonesa (a Yakuza) com um humor absurdo e minigames inusitados. É essa dualidade que cativa: em um momento, você está envolvido em uma conspiração de bilhões de ienes com consequências de vida ou morte; no outro, está cantando karaokê com paixão ou gerenciando um clube de cabarés.
No centro de tudo está Kazuma Kiryu, o lendário “Dragão de Dojima”. Sua jornada é uma crônica de sacrifício, lealdade inabalável e a busca incessante por uma vida pacífica que ele nunca consegue alcançar. A chegada de Yakuza Kiwami 1 e Yakuza Kiwami 2 ao Nintendo Switch 2 não é apenas um relançamento; é a apresentação definitiva dessa lenda para uma nova geração de jogadores e a oportunidade perfeita para veteranos revisitarem Kamurocho e Sotenbori com um polimento técnico notável . Estes títulos são remakes completos dos dois primeiros jogos da série, originalmente lançados para PlayStation 2 em 2005 e 2006, respectivamente .
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O que o RGG Studio entrega aqui é mais do que uma simples remasterização: são recriações que incorporam melhorias de jogabilidade e elementos narrativos de títulos posteriores, como Yakuza 0, para criar uma experiência coesa e moderna. A grande novidade para o público brasileiro é a inclusão de legendas em Português do Brasil . Essa localização, elogiada por sua naturalidade e uso de linguagem “de rua” que se encaixa perfeitamente no tom da máfia, remove uma barreira significativa, permitindo uma imersão total no drama e no humor japonês . Mas como essa dupla se comporta no novo console da Nintendo? E, mais importante, esses clássicos atemporais resistem ao teste do tempo? É o que vamos descobrir.
Yakuza Kiwami 1: O Sacrifício do Dragão…

História e Personagens…
Yakuza Kiwami 1 nos leva de volta a 1995, apresentando o momento crucial que define a vida de Kazuma Kiryu. Para proteger seu melhor amigo, Akira Nishikiyama, e sua amiga de infância, Yumi Sawamura, Kiryu assume a culpa pelo assassinato de seu chefe, Sohei Dojima, e passa dez anos na prisão . Ao ser libertado em 2005, o mundo de Kiryu desmoronou. Ele é expulso do Clã Tojo, Yumi desapareceu, e Nishikiyama, antes seu irmão de consideração, transformou-se em um líder frio e ambicioso . O catalisador do caos é o roubo de 10 bilhões de ienes do Clã Tojo, um mistério que coloca toda a Yakuza em guerra .
A trama ganha um novo foco com a introdução de Haruka, uma jovem que procura sua mãe e está misteriosamente ligada ao dinheiro roubado . A jornada de Kiryu se torna uma busca por redenção e a proteção de Haruka, enquanto ele navega por uma Kamurocho irreconhecível, cheia de traições e conspirações. O remake aprofunda a rivalidade entre Kiryu e Nishikiyama, adicionando novas cenas que exploram a queda de Nishiki, tornando sua transformação em antagonista mais trágica e compreensível . Além disso, a presença constante de Goro Majima, o “Cachorro Louco de Shimano”, através do sistema “Majima Everywhere”, injeta doses de humor e desafio, garantindo que Kiryu nunca possa relaxar .
Gameplay…
A jogabilidade de Yakuza Kiwami 1 representa um retorno ao estilo beat ’em up clássico da série, agora refinado pelo sistema de múltiplos estilos de luta introduzido em Yakuza 0. Kiryu pode alternar livremente entre quatro abordagens distintas: o Dragão de Dojima, que funciona como seu estilo mais equilibrado e emblemático; o Brigão, focado em força bruta e no uso agressivo de objetos do cenário; o Fera, mais lento, porém devastador, ideal para controlar grupos de inimigos e arremessar objetos pesados; e o Acelerado, que prioriza velocidade, esquivas e precisão, sendo especialmente eficaz em confrontos um contra um.
O combate é frenético, responsivo e extremamente satisfatório, sensação amplificada pela taxa de quadros aprimorada no Switch 2. Um dos grandes destaques continua sendo o sistema “Majima Everywhere”, que obriga o jogador a dominar todos os estilos de luta ao enfrentar Majima em encontros aleatórios, imprevisíveis e muitas vezes hilários. Além de enriquecer a variedade do gameplay, esses confrontos funcionam como a principal forma de desbloquear o verdadeiro potencial do estilo Dragão de Dojima, reforçando a progressão e o domínio mecânico ao longo da campanha.
Yakuza Kiwami 2: O Dragão de Kansai…

História e Personagens…
Yakuza Kiwami 2 se passa um ano após os eventos do primeiro jogo. Kiryu tenta, mais uma vez, levar uma vida pacata com Haruka, mas a paz é efêmera. O assassinato do quinto presidente do Clã Tojo desencadeia uma crise que ameaça uma guerra total entre o Clã Tojo e a poderosa Omi Alliance, a maior organização criminosa do oeste do Japão . Para evitar o conflito, Kiryu é forçado a retornar ao submundo e enfrentar seu novo rival: Ryuji Goda, o “Dragão de Kansai” . Goda é um antagonista formidável, que se considera o único “dragão” digno de existir, estabelecendo um confronto épico de egos e força . A narrativa é enriquecida pela presença de Kaoru Sayama, uma detetive da polícia de Osaka que se torna a parceira de Kiryu. Sayama é uma personagem forte e complexa, cujo passado se entrelaça com a história da Yakuza, adicionando camadas de mistério e drama pessoal à trama principal . O jogo também inclui a Majima Saga, uma campanha paralela que permite aos jogadores controlarem Goro Majima, preenchendo a lacuna entre os dois jogos e oferecendo um bônus divertido para os fãs .
Gameplay…
Kiwami 2 representa um salto evolutivo na jogabilidade, pois foi refeito do zero utilizando a Dragon Engine . Isso resultou em um combate mais fluido e contínuo, eliminando as telas de carregamento abruptas ao entrar em edifícios ou iniciar batalhas. O combate, embora se concentre em um único estilo de luta para Kiryu, é mais refinado e dinâmico . A Dragon Engine permite o uso mais estratégico de armas e objetos do cenário, que agora podem ser guardados no inventário . Os golpes especiais (Heat Actions) são mais cinematográficos e variados, e o modo de frenesi extremo (Extreme Heat Mode) aumenta o poder de Kiryu, com animações automáticas de finalização . A cidade de Sotenbori (Osaka) é introduzida, juntamente com Kamurocho, e ambas estão mais densas e interativas, repletas de minigames que vão desde o clássico karaokê e mahjong até a gestão de um clã em um minigame de estratégia .
Yakuza no Nintendo Switch 2…

Gráficos e Trilha Sonora…
Visualmente, a diferença entre os dois jogos é notável. Kiwami 1, embora polido, ainda se baseia em um motor mais antigo. Já Kiwami 2, construído na Dragon Engine, oferece um salto gráfico significativo: personagens mais detalhados, iluminação mais realista, reflexos no asfalto molhado e ambientes mais densos . A trilha sonora é, como sempre na franquia, um ponto altíssimo. As músicas de combate são eletrizantes, e as faixas dramáticas elevam o peso emocional da narrativa. A dublagem japonesa é de altíssima qualidade, e as legendas em português garantem que nenhum detalhe do roteiro se perca .
Performance no Nintendo Switch 2…

A performance é o ponto crucial desta versão. O Nintendo Switch 2 se mostra uma plataforma robusta para os remakes, ainda que existam diferenças claras entre os dois títulos. Em Yakuza Kiwami 1, o jogo utiliza um motor gráfico aprimorado e roda a 1080p no modo dock e 720p no modo portátil, com 60 FPS estáveis. O resultado é uma performance extremamente fluida, que impacta diretamente o combate beat ’em up, tornando-o mais responsivo, satisfatório e imersivo. O salto para 60 quadros por segundo funciona como um verdadeiro divisor de águas para a experiência. Já Yakuza Kiwami 2, construído sobre a Dragon Engine, também roda a 1080p tanto no modo dock quanto no portátil, porém com 30 FPS como alvo.

Visualmente, o jogo é mais impressionante e detalhado, justificando a escolha por uma taxa de quadros menor. Apesar da estabilidade geral ser boa, ainda ocorrem quedas pontuais em áreas mais movimentadas, como Kamurocho e Sotenbori. Ainda assim, o limite de 30 FPS se mostra aceitável diante do salto gráfico apresentado. Ambos os jogos se beneficiam significativamente dos tempos de carregamento drasticamente reduzidos, graças ao armazenamento mais rápido do Switch 2, o que representa um enorme ganho de qualidade de vida. No modo portátil, a experiência é especialmente elogiável, superando inclusive ports de consoles anteriores pela suavidade visual e pela consistência da performance.
Resumindo…

A dupla Yakuza Kiwami 1 & 2 no Nintendo Switch 2 é, sem dúvida, a melhor porta de entrada para a saga de Kazuma Kiryu. A combinação de narrativas envolventes, jogabilidade viciante e a adição da localização em Português do Brasil torna a experiência acessível e profundamente imersiva. Para os fãs de longa data, é uma oportunidade de revisitar o início da jornada com melhorias técnicas significativas, especialmente os tempos de carregamento e a fluidez de Kiwami 1 . Para os novatos, é um curso intensivo naquilo que torna Like a Dragon uma franquia tão amada: drama intenso, personagens inesquecíveis e a liberdade de se perder em um mundo urbano vibrante e cheio de atividades paralelas. Apesar da performance de Kiwami 2 não atingir os 60 FPS do primeiro jogo, o salto visual da Dragon Engine compensa, e a estabilidade geral do port é louvável .
Localização em PT-BR: Legendas de alta qualidade que facilitam a imersão . - 9
A experiência no modo portátil é excelente e fluida . - 9
Histórias envolventes e personagens icônicos - 8.5
Dois jogos completos e robustos, com dezenas de horas de conteúdo principal e minigames - 8.5
Kiwami 2: Roda a 30 FPS, com quedas em áreas com muitos inimigos - 7.5
Jogadores que já tinham Kiwami 1 no Switch 1 precisam comprar o jogo novamente, sem opção de upgrade . - 7
8.3
Muito Bom!
Yakuza Kiwami 1 & 2 no Nintendo Switch 2 é um pacote indispensável. É a forma mais acessível e polida de começar a saga de Kazuma Kiryu. Se você busca uma experiência que equilibra drama de máfia com ação beat 'em up e momentos de humor bizarro, esta coleção é para você.