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Review – Hell Let Loose: Vietnam

A guerra em que sobreviver já é uma vitória

Recebi Hell Let Loose: Vietnam para análise com uma pergunta simples na cabeça: será que a franquia conseguiria transportar sua fórmula de guerra hardcore para um dos conflitos mais complexos e reconhecíveis da história sem apenas trocar os uniformes e encher o mapa de vegetação? Depois de algumas horas entre emboscadas, caminhadas intermináveis, tiros que pareciam vir de outra dimensão e muito rádio falhando em inglês, a resposta é sim, mas com algumas ressalvas importantes. Desenvolvido pela Expression Games e publicado pela Team17, o jogo chegou em 13 de agosto de 2026 para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X|S. A proposta continua sendo a de um FPS tático multiplayer, com batalhas de até 50 contra 50 jogadores, mapas enormes e foco em comunicação, logística e controle territorial.

Aqui não existe espaço para o herói solitário que corre para o objetivo com a arma levantada. Ou melhor: espaço existe. O que não existe é garantia de que ele vai durar mais de quinze segundos. O novo capítulo troca as frentes da Segunda Guerra Mundial pela Guerra do Vietnã e aproveita muito bem a mudança. A selva não é apenas um cenário bonito. Ela muda o ritmo, esconde inimigos, cria rotas alternativas e transforma cada barulho em uma possível ameaça. Ao mesmo tempo, o jogo mantém uma curva de aprendizado pesada e alguns problemas técnicos que poderiam ter sido resolvidos antes do lançamento.

História: não há campanha, mas cada partida conta uma…

É importante deixar isso claro logo de cara: Hell Let Loose: Vietnam não tem uma campanha tradicional para um jogador. Não há protagonista definido, sequência de missões cinematográficas ou uma narrativa linear para acompanhar. O conteúdo principal é o multiplayer, construído ao redor de batalhas territoriais entre as forças dos Estados Unidos e o Exército Norte-Vietnamita. Isso não significa que o jogo seja vazio de contexto. Pelo contrário. A Guerra do Vietnã está presente na arquitetura dos mapas, na diferença entre as facções e na própria maneira como os combates acontecem. De um lado, os Estados Unidos contam com maior poder de fogo, blindados e helicópteros. Do outro, o NVA utiliza camuflagem, conhecimento do terreno, emboscadas e redes de túneis para aparecer onde ninguém esperava.

A história, portanto, nasce durante a partida. Uma equipe pode passar vários minutos preparando uma ofensiva, abrir uma rota de suprimentos, perder uma ponte e precisar recuar para reorganizar a defesa. Em outra ocasião, um esquadrão pequeno pode infiltrar-se pelas laterais e destruir um ponto de reaparecimento, fazendo mais pela vitória do que alguém com uma longa lista de eliminações. Esse formato não entrega uma história pronta. Ele entrega situações. E, quando o time trabalha junto, essas situações podem ser mais memoráveis do que muita cutscene cara. O problema é que, quando ninguém conversa, a narrativa vira apenas uma longa caminhada até o próximo tiro.

Gameplay: um FPS que exige paciência…

A primeira coisa que o jogador precisa aprender é que Hell Let Loose: Vietnam não é Call of Duty com samambaias. Também não é Battlefield em uma versão mais lenta. A franquia está mais próxima de um simulador de guerra acessível do que de um FPS arcade. O tempo para eliminar alguém é muito curto, e um ou dois disparos podem encerrar o confronto. Isso muda completamente a forma de jogar. Correr em campo aberto é uma decisão. Atirar contra qualquer movimento é uma decisão. Até atravessar uma estrada pode parecer uma operação militar de alto risco. Muitas vezes, a melhor escolha é esperar, observar a vegetação e avisar o esquadrão antes de entregar a própria posição.

O jogo também exige que o jogador entenda a lógica de respawns, suprimentos, objetivos e cadeia de comando. Os líderes precisam estabelecer posições avançadas para evitar que o time perca boa parte da partida caminhando entre a base e a linha de frente. Essa estrutura dá sentido ao tamanho dos mapas, mas também explica por que algumas partidas parecem ter mais deslocamento do que combate. Os tutoriais são praticamente obrigatórios para iniciantes. Eles ajudam a compreender as classes, os veículos e os sistemas básicos, mas não eliminam a curva de aprendizado. O resto precisa ser descoberto na prática, normalmente depois de morrer sem saber de onde veio o disparo.

Armas e combate: peso, recuo e pouca margem para erro…

O arsenal combina armas associadas ao conflito, como M16, Type 56, M60, RPD e lançadores de granadas, entre outras opções. O destaque não está apenas na quantidade, mas na maneira como elas se comportam. Há diferença de recuo, cadência, alcance e assinatura sonora. Segurar o gatilho sem pensar costuma produzir muita fumaça, pouca precisão e uma árvore inocente cheia de buracos. O combate também evita entregar informações demais. Não há a confirmação constante de hitmarker ou marcadores luminosos indicando o inimigo. Quando disparo contra uma silhueta escondida no mato, muitas vezes não sei se acertei, se ela recuou ou se apenas atirei em uma folha com atitude suspeita.

Essa ausência de feedback pode frustrar, mas também cria tensão. Uma eliminação conquistada depois de identificar um movimento na vegetação tem mais peso do que uma sequência de baixas em um FPS arcade. O som de tiros distantes, passos e veículos se torna parte do combate. Em várias situações, ouvir é tão importante quanto mirar. Não espere acessórios mirabolantes, progressão voltada para transformar o soldado em uma máquina de vantagens ou duelos longos em que os dois jogadores esvaziam carregadores enquanto pulam de lado. O jogo quer que o armamento pareça perigoso. E, nesse ponto, ele consegue.

Classes: ninguém vence uma guerra sozinho…

As classes são uma das bases da experiência. Há funções de infantaria, médico, suporte, engenheiro, especialista, fuzileiro, líder de esquadrão, comando, reconhecimento, tanque e helicóptero, com variações de acordo com o papel desempenhado na equipe. O soldado de infantaria pode ser o rosto mais comum da batalha, mas não é necessariamente o mais importante. O médico mantém o grupo vivo. O suporte ajuda a sustentar a operação. O engenheiro trabalha na estrutura e na logística.

O líder organiza o esquadrão. O comandante enxerga a disputa em escala maior e precisa decidir quando pressionar, defender ou solicitar apoio. A limitação de vagas para determinadas funções pode incomodar quem quer sempre jogar de sniper ou piloto. Ainda assim, ela faz sentido: impede que todos escolham a mesma classe e força a equipe a funcionar como unidade. Em Hell Let Loose: Vietnam, jogar bem não é apenas acertar tiros. É cumprir o papel escolhido.

Multiplayer: a melhor e a pior parte depende do esquadrão…

O multiplayer é o coração do jogo. Os modos principais são Warfare, Offensive, Conquest e Domination. No Warfare, os dois times disputam cinco setores e podem jogar por até 90 minutos. No Offensive, uma equipe ataca e a outra defende, com tempo limitado para conquistar cada objetivo. Essa estrutura produz partidas longas, cheias de reviravoltas e com objetivos que realmente importam. Um setor capturado pode abrir uma rota, cortar uma linha de suprimentos ou obrigar o inimigo a reorganizar toda a frente. O problema é que a qualidade da experiência depende muito das pessoas que estão no servidor. Quando o líder marca posições, o suporte atende aos pedidos e o grupo avança junto, a partida fica excelente.

Quando cada jogador segue para um lado, o mapa vira uma excursão sem guia. Ninguém sabe onde nascer, para onde ir ou por que está tentando tomar aquela casa que já foi abandonada há dez minutos. No meu caso, também encontrei principalmente salas estrangeiras. Isso não impede a diversão, mas torna a comunicação mais difícil para quem depende do português e pode diminuir a sensação de coordenação. Como o jogo exige voz e disciplina, uma comunidade brasileira mais presente faria diferença. Ainda assim, não dá para concluir que não existam servidores nacionais; a disponibilidade pode variar conforme horário, plataforma e população. O cross-play ajuda a manter a escala das partidas, e o jogo oferece multiplayer entre plataformas. Porém, seria interessante ter filtros de servidor mais práticos e uma experiência de matchmaking mais amigável para quem está chegando agora.

Cenários e ambientação: a selva é o segundo inimigo…

O jogo chega com seis mapas de grande escala, inspirados em locais reais. Entre os cenários citados estão Thanh Hóa Bridge, Huế Outskirts, Vạn Tường, Quảng Ngãi, Đắk Tô Airfield e Cam Ranh Port. A variedade evita que todas as partidas sejam apenas uma sequência de árvores iguais. Há selvas fechadas, rios, vilarejos, áreas industriais, portos, bases militares, pistas de pouso e regiões abertas. Cada ambiente muda a leitura do combate. Um campo aberto favorece linhas de visão longas. Uma ponte vira gargalo. Um rio pode servir como rota de infiltração. A vegetação permite esconderijos, mas também dificulta distinguir um soldado de um arbusto que balança de maneira particularmente criminosa.

A assimetria é bem aplicada. Os helicópteros americanos ampliam mobilidade, apoio e abastecimento. Os túneis do NVA criam rotas inesperadas e permitem reposicionar tropas de maneira menos previsível. O próprio estúdio explicou que ajustou essas redes para reduzir desequilíbrios, destruindo túneis que ficam em território inimigo após a mudança da linha de frente e aumentando tempos de espera e deslocamento. A ambientação funciona porque não tenta transformar o Vietnã em parque temático de guerra. Existe beleza, mas também existe desorientação. A floresta parece viva, abafada e perigosa. Em alguns momentos, ela é o maior adversário do mapa.

Gráficos e trilha sonora: beleza com algumas rachaduras…

Visualmente, Hell Let Loose: Vietnam tem momentos impressionantes. A densidade da vegetação, os rios, a iluminação atravessando as copas das árvores, a fumaça e os helicópteros ajudam a criar uma imagem forte do conflito. O uso da Unreal Engine 5 dá escala e modernidade aos cenários, especialmente quando uma batalha grande acontece em meio à selva. Mas o visual também apresenta problemas como glitches de iluminação, carregamento tardio de texturas, pop-in de vegetação, sombras instáveis e atrasos em animações de pulo ou escalada. Em um jogo no qual um segundo pode definir quem vive e quem volta para a tela de redistribuição, um arbusto aparecendo tarde demais não é apenas um detalhe estético.

A trilha sonora não é o centro da experiência, e isso combina com o projeto. O que realmente se destaca é o design de som: tiros distantes, explosões, motores, passos e helicópteros ajudam a criar uma batalha que continua acontecendo mesmo quando nada aparece na tela. O silêncio também tem função. Às vezes, ficar alguns segundos sem ouvir nada é mais assustador do que uma explosão. O áudio poderia oferecer feedback mais claro em certas situações, mas a espacialização ajuda bastante na imersão. Com o tempo, é possível reconhecer o perigo pelo som antes de enxergá-lo, o que, no Vietnã, costuma ser uma excelente notícia por aproximadamente três segundos.

Resumindo…

Hell Let Loose: Vietnam acerta ao entender que o Vietnã não pode ser apenas uma nova skin para a franquia. A selva muda a visibilidade, o ritmo e a maneira de atacar. Helicópteros e barcos ampliam a logística, enquanto os túneis dão ao NVA uma identidade própria. O resultado é um FPS tático com personalidade.Os principais pontos fortes são a escala das batalhas, o peso das armas, a variedade de funções, a ambientação, os mapas e a importância real da comunicação. Quando um esquadrão se organiza, o jogo entrega momentos que nenhum roteiro precisou escrever. Por outro lado, a experiência pode ser lenta, punitiva e pouco acolhedora para iniciantes. A dependência do esquadrão é uma faca de dois gumes. Os problemas de visibilidade, pop-in, glitches e animações prejudicam partidas em que a precisão deveria ser prioridade.

Review - Hell Let Loose: Vietnam

Batalhas em grande escala com partidas de até 50 contra 50 jogadores - 8.5
Ambientação muito bem construída - 8
Gameplay tático e imersivo - 8
Classes realmente importantes - 7.5
Não há campanha para um jogador - 7
Curva de aprendizado bastante alta - 6.5
Ritmo lento para alguns jogadores - 6.5
Grande dependência do esquadrão - 6

7.3

Bom!

Hell Let Loose: Vietnam não é um FPS para jogar no piloto automático. Ele exige atenção, comunicação e uma dose considerável de paciência. Em troca, entrega uma guerra multiplayer com escala, tensão e personalidade. A selva não é decoração, as classes não são enfeite e a vitória raramente pertence a um único jogador.

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Eduardo Lino

Olá, Eu sou o Edu! Sou o criador do portal de notícias Gamer Spoiler. Apaixonado por games desde pequeno e jornalista nas horas vagas!
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