Review: Beastro

Sabe aquele tipo de jogo que, quando você lê a premissa, pensa: “isso não tem como dar certo”? Pois bem, joguei o novo título da Timberline Studio, e preciso dizer que fui surpreendido por uma das misturas mais improváveis e deliciosas dos últimos tempos. Imagine juntar o aconchego de um simulador de fazenda, a correria de minijogos de culinária e a estratégia profunda de um RPG de cartas (deckbuilder). Parece um liquidificador de ideias, mas o resultado final é um prato cheio de personalidade.
O Despertar de um Chef em Palo Pori…
A nossa jornada começa na charmosa vila de Palo Pori, um refúgio de artesãos e cozinheiros cercado por muros que protegem os moradores de um mundo exterior cada vez mais sombrio. Nós assumimos o papel de Panko, um jovem aprendiz de chef (um caracal antropomórfico adorável!) que se vê em uma situação complicada: seu mestre, Travers, desapareceu misteriosamente.
Agora, cabe a Panko gerenciar o restaurante local, mas a tarefa vai muito além de fritar ovos. O mundo lá fora está sendo tomado por monstros, e a única esperança da vila são os Caretakers (Guardiões). O diferencial? Esses heróis não dependem de poções mágicas ou armaduras lendárias, mas sim da comida que você prepara. É uma narrativa que, embora siga alguns clichês de fantasia, ganha vida através de personagens cativantes e um mistério que nos instiga a continuar “só mais um dia”.
O Ciclo da Vida: Da Terra para a Frigideira…

A jogabilidade de Beastro é dividida em ciclos diários muito bem estruturados, lembrando clássicos como Stardew Valley. Pela manhã, o foco é a exploração e coleta. Você cuida da sua mini fazenda, planta ingredientes, pesca e interage com os moradores. É o momento cozy do jogo, sem pressões e com uma atmosfera relaxante.
À tarde, o bicho pega (literalmente!). Você abre o restaurante e entra em uma sequência de minijogos de culinária. Cortar, fritar e montar pratos exige coordenação e rapidez. O mais legal é que a qualidade do seu desempenho nesses jogos afeta diretamente o poder da refeição. E não pense que é apenas cosmético: cada prato serve para alimentar os Caretakers antes de suas expedições noturnas.
Onde a Comida Vira Estratégia…

Aqui está o “pulo do gato” (com o perdão do trocadilho com o Panko): Beastro inverte a lógica dos deckbuilders. Em vez de ganhar cartas vencendo lutas, você constrói seu deck na cozinha. Os ingredientes que você escolhe e os sabores que equilibra (doce, amargo, salgado) determinam as cartas e habilidades que o Caretaker terá durante o combate à noite.
As batalhas funcionam em turnos, inspiradas em jogos de cartas clássicos. É um sistema que pode intimidar no começo pela quantidade de informações, mas que se revela extremamente recompensador quando você percebe que aquela vitória difícil contra um chefe foi fruto de uma receita bem planejada horas atrás.
Visual de Livro Infantil e Sons Aconchegantes…

Visualmente, Beastro é um espetáculo à parte. Desenvolvido na Unreal Engine 5, o jogo ostenta cores vibrantes e uma direção de arte que parece ter saído de um livro ilustrado de alta qualidade. Um dos toques mais geniais é a apresentação das batalhas através de um teatro de marionetes, onde os Caretakers recontam suas vitórias e derrotas. É charmoso, criativo e dá uma identidade única ao título.
A trilha sonora segue a mesma linha: melodias calmas que acompanham a rotina na vila e temas mais heroicos durante os confrontos. É o tipo de som que você quer deixar rodando no fundo enquanto toma um café.
Dificuldade e Desafios…

Não se deixe enganar pelo visual fofinho; Beastro tem seus momentos de “crocância”. Embora a progressão seja generosa e o jogo não te puna severamente por falhas, alguns chefes exigem um planejamento de deck (e de receita!) muito preciso. O maior desafio, porém, acaba sendo a repetitividade a longo prazo. O ciclo de coletar e cozinhar pode cansar alguns jogadores após as primeiras 10 ou 15 horas, especialmente se você estiver em busca de um ingrediente raro que se recusa a aparecer.
Resumindo…

Beastro é uma das experiências mais refrescantes do cenário indie deste ano. Ele consegue unir gêneros distintos com uma coesão que poucos títulos alcançam. Mesmo com alguns problemas de ritmo no meio da campanha e a ausência de localização para o português do Brasil , o charme de Palo Pori é difícil de resistir.
Review: Beastro
O visual 3D e o teatro de marionetes são encantadores - 9
A mecânica de cozinhar para construir decks é genial e original - 8.5
A conexão entre fazenda, cozinha e combate é muito bem amarrada - 8.5
Disponível no Game Pass, facilitando o acesso para muitos jogadores - 8
O ciclo de coleta pode se tornar cansativo em sessões longas - 7.5
O progresso pode estagnar em busca de ingredientes específicos para a história - 7.5
Não possui tradução para PT-BR - 7
8
Muito Bom!
Beastro é uma receita ambiciosa que, apesar de alguns temperos que podem não agradar a todos, entrega um sabor único e inesquecível. Se você gosta de jogos que te desafiam a pensar fora da caixa enquanto relaxa em um mundo vibrante, Palo Pori está esperando por você!

