Review – Fatal Fury: City of the Wolves

Pra quem é mais novo ou não pegou a época de ouro dos fliperamas, deixa eu dar uma situada. Nos anos 90, a SNK era tipo o rei Midas dos arcades. Os caras simplesmente não erravam! Era um hit atrás do outro: The King of Fighters (quem não gastou troco do pão pra por mais uma ficha tentando zerar KOF 97 ou 98?), Samurai Shodown com suas lutas de espada sangrentas e estilosas, e claro, o próprio Fatal Fury, o jogo que deu origem a tudo isso e colocou Terry Bogard no panteão dos heróis dos games de luta. Esses jogos não eram só famosos no Japão, não. Eles dominaram os fliperamas do MUNDO INTEIRO! Era ficha atrás de ficha, galera se aglomerando pra ver os melhores jogadores, campeonatos rolando solto… uma época mágica que City of the Wolves tenta, de certa forma, reviver.
A Lenda Renascida: De Garou para City of the Wolves…
Falando em Fatal Fury, a gente precisa voltar um pouquinho no tempo, lá pra 1999. Foi nesse ano que a SNK lançou Garou: Mark of the Wolves. Na época, ele foi meio que um spin-off, uma história que se passava ANOS depois dos eventos do Fatal Fury original. A parada era tão diferente que só um personagem clássico deu as caras: o nosso querido Terry Bogard. Mas a grande sacada de Garou foi introduzir uma nova geração, e o protagonista era ninguém menos que Rock Howard. Saca só a treta: o moleque era filho do maior vilão da série, Geese Howard, mas foi adotado e treinado pelo próprio Terry! Que novela mexicana, hein?
Apesar de Garou não ter explodido como um KOF 97 ou 98, ele conquistou um lugarzinho especial no coração dos fãs mais hardcore da SNK. Tinha um visual lindo pra época, uma animação fluida e um sistema de luta técnico que a galera curtia demais. Só que aí… silêncio. Vinte e seis longos anos se passaram, e a gente achando que Garou ia ficar só na lembrança.
Mas eis que a SNK, do nada, anuncia Fatal Fury: City of the Wolves, a continuação direta! A promessa? Trazer de volta a essência de Garou, mas com gráficos atualizados pra nova geração e uma gameplay que, segundo eles, seria fiel ao clássico de 99. Será que cumpriram? É o que a gente vai ver!
Modos História: Arcade e o “RPG” de South Town…

Agora, vamos falar de um ponto que, pra mim, é sempre crucial em jogo de luta: a história. E olha, vou ser sincero, a SNK não tem mandado MUITO bem nesse quesito ultimamente. Quem jogou o Samurai Shodown de 2019 ou o KOF XV de 2022 sabe do que eu tô falando. As histórias foram meio… meh. Não empolgaram, não prenderam. A galera fã ficou meio decepcionada, e com razão.
Mas parece que em Fatal Fury: City of the Wolves, a SNK ouviu as preces (ou as críticas) e tentou caprichar um pouco mais. O jogo traz DOIS modos que contam a história. O primeiro é o clássico Modo Arcade. Aquele esquema que a gente já conhece: você escolhe seu lutador e vai enfrentando a galera, enquanto descobre as motivações dele pra entrar no novo torneio. E que torneio, hein? A história rola em South Town, que virou um caos de facções criminosas brigando pelo poder depois da morte do Geese Howard. E no meio disso tudo, surge um misterioso organizador de um novo “King of Fighters” (sim, o nome do torneio original de Fatal Fury!) oferecendo como prêmio o legado do próprio Geese: uns pergaminhos sinistros que todo mundo quer botar a mão.
O segundo modo é a novidade: Episodes of South Town. A SNK tentou fazer uma parada meio RPG aqui. Você escolhe seu personagem e sai viajando por três áreas diferentes de South Town. No caminho, rolam umas lutas, tanto com personagens que você pode jogar quanto com uns inimigos genéricos criados só pra esse modo. A ideia é ir ganhando experiência, subindo de nível e se preparando pro desafio final. Segundo a SNK, tanto o Arcade quanto o South Town são canônicos, ou seja, valem pra história oficial do jogo.

Até aí, parece legal, né? Mas tem um porém, e é um porém que me incomoda BASTANTE. Tanto no Arcade quanto no South Town, a história é contada através de… imagens estáticas com texto e dublagem. Sério, SNK? Em pleno 2025? Cadê as cutscenes animadas, cheias de ação e drama? Fica parecendo aqueles adventure games antigos. Na minha humilde opinião, a SNK precisa URGENTEMENTE olhar pro que a concorrência anda fazendo. A NetherRealm vem entregando modos história cinematográficos incríveis desde o Mortal Kombat 9. O Tekken 8 seguiu a mesma linha e fez um trabalho impecável. Fica a dica aí, SNK! Dá pra fazer melhor.
A Mistura Fina do Clássico com o Moderno (e uns Tropeços)…

Beleza, história é legal, mas jogo de luta vive mesmo é de… porrada! E aqui, meus amigos, Fatal Fury: City of the Wolves brilha. A SNK conseguiu fazer uma mistura muito interessante do feeling clássico de Garou com mecânicas mais modernas, e o resultado é uma gameplay que é, ao mesmo tempo, familiar pra quem jogou o antigo e convidativa pra quem tá chegando agora.
Vamos começar pelo básico: o jogo continua com aquele esquema de quatro botões (soco fraco, soco forte, chute fraco, chute forte) que a galera das antigas curte. Mas a SNK não ficou só nisso, não. Eles trouxeram de volta e refinaram o sistema S.P.G. (Selective Potential Gear), que já existia em Garou. Antes de começar a luta, você escolhe em qual parte da sua barra de vida (começo, meio ou fim) esse “Gear” vai ativar.

Quando sua vida chega naquela faixa, seu personagem ganha um buff (geralmente mais dano) e acesso a golpes especiais mais poderosos, como os REV Blows e o Hidden Gear (um super especial tunado). A escolha do S.P.G. adiciona uma camada estratégica bem legal. Você pode escolher:
- Accel Ratio: Ativa logo no começo da luta. É pra quem gosta de ir pra cima com tudo desde o início, mas o buff dura menos.
- Flux Ratio: Ativa no meio da barra de vida. Um equilíbrio entre começar forte e ter uma carta na manga pra depois.
- Final Ratio: Ativa só no finalzinho da vida. É o famoso “modo desespero”, pra tentar virar o jogo quando tudo parece perdido. O buff dura até o fim do round.
Agora, a grande novidade é o REV System. Pensa nele como uma barra extra, tipo o Drive Gauge do Street Fighter 6, mas que você constrói ao invés de gastar. Você começa zerado e vai enchendo a barra usando as técnicas REV ou bloqueando golpes. Essa barra te dá acesso a várias paradas:
- REV Arts: São versões EX dos seus golpes especiais. Gastam um pouco da barra REV, mas causam mais dano, têm propriedades diferentes (tipo atravessar projéteis) e abrem novas possibilidades de combo.
- REV Accel: Permite cancelar um REV Art em outro REV Art, criando combos mais longos e estilosos. Gasta mais barra, claro.
- REV Blow: Um golpe especial com armor (absorve um hit do oponente) que só pode ser usado quando o S.P.G. está ativo. É ótimo pra quebrar a pressão do adversário ou pra estender combos. Mas cuidado, ele pode ser meio forte demais e difícil de lidar pra jogadores iniciantes/intermediários, já que a melhor defesa contra ele é outro REV Blow, que você só tem acesso durante o S.P.G.
- REV Guard: Um bloqueio especial (segurando R1) que empurra mais o oponente e anula o chip damage (aquele daninho que você toma mesmo defendendo golpes especiais). Ótimo pra sair de situações apertadas, mas enche a barra REV rapidinho se você defender muitos golpes.

Só que tem um detalhe: se você abusar muito do REV System e a barra chegar a 100%, você entra em Overheat. Aí, meu amigo, a coisa complica. Você perde acesso a TODAS as habilidades REV por um tempo, e sua barra de defesa (aquela barrinha embaixo da vida) começa a diminuir a cada bloqueio. Se ela zerar, sua guarda quebra e você fica totalmente vulnerável. É um sistema de risco e recompensa bem pensado, que te força a gerenciar bem a barra.
E na defesa? O jogo também traz ferramentas interessantes. Temos a Just Defense (defender no momento EXATO do golpe), que recupera um tiquinho de vida e diminui a barra REV. E a Hyper Defense, que funciona de forma parecida, mas você ativa durante um combo do oponente (depois de defender o primeiro hit). Acertar essas defesas perfeitas te permite usar o Guard Cancel, cancelando a defesa direto em um golpe especial, REV Blow ou super, pegando o oponente de surpresa. É difícil de dominar, mas muito recompensador.
No geral, a gameplay é sólida, fluida e cheia de opções tanto ofensivas quanto defensivas. A SNK acertou em cheio ao trazer a base de Garou e adicionar o REV System, que realmente adiciona profundidade sem complicar demais. A crítica ao REV Blow é válida, talvez precise de um ajustezinho, mas não chega a estragar a experiência.
Modo Treino e Missões: O Básico pra Começar…

Todo bom jogo de luta precisa de um lugar pra gente treinar os combos mirabolantes e aprender as manhas, né? City of the Wolves entrega o básico nesse sentido. Temos um Modo Treino padrão, onde você pode configurar o boneco adversário pra fazer o que você quiser (ficar parado, pular, defender, atacar) e testar suas habilidades sem pressão. É o feijão com arroz, funciona, mas não tem nada de revolucionário.
Além disso, tem um Modo Missões, que geralmente serve pra ensinar os combos básicos e algumas estratégias específicas de cada personagem. É útil pra quem tá começando e quer pegar o jeito do lutador escolhido, mas não espere desafios muito complexos ou tutoriais super aprofundados como vemos em outros jogos mais recentes. Cumpre o papel, mas sem muito brilho.
Elenco de Personagens…

Fatal Fury: City of the Wolves apresenta um elenco diversificado, combinando veteranos, novos rostos e convidados inusitados. O jogo base conta com 17 personagens, incluindo:
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Veteranos: Terry Bogard, Rock Howard, Mai Shiranui, Billy Kane, Gato, Hotaru Futaba, Kim Dong Hwan, Marco Rodrigues, Kevin Rian, Hokutomaru, Tizoc, Kain R. Heinlein e B. Jenet.
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Novatos: Preecha (uma cientista e aprendiz de Muay Thai) e Vox Reaper (um lutador misterioso)
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Convidados: Cristiano Ronaldo e o DJ Salvatore Ganacci, ambos jogáveis desde o lançamento.
Além disso, a primeira temporada de DLC inclui Andy Bogard, Joe Higashi, Mr. Big e os personagens de Street Fighter Ken e Chun-Li.
Controvérsia: Cristiano Ronaldo e Salvatore Ganacci

A inclusão de celebridades reais como personagens jogáveis gerou debates entre os fãs.
Salvatore Ganacci: Sua presença foi bem recebida, com animações criativas inspiradas em seus videoclipes e uma integração divertida ao universo do jogo. Cristiano Ronaldo: Sua adição foi mais controversa. Críticas apontam para animações genéricas, falta de semelhança física e ausência em modos narrativos, sugerindo uma inclusão apressada e motivada por estratégias de marketing.
Além disso, especula-se que a presença de Ronaldo esteja ligada ao financiamento da SNK pela Fundação MiSK, do príncipe saudita Mohammed bin Salman, refletindo interesses comerciais na região.
Resumindo…
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Então, bora resumir a ópera? Fatal Fury: City of the Wolves chegou chegando, mas não sem uns tropeços. E aí, a pergunta que não quer calar: vale a pena investir seu suado dinheirinho em Fatal Fury: City of the Wolves? Na minha opinião? SIM, com algumas ressalvas.
Se você é fã de longa data da SNK, de Fatal Fury ou especialmente de Garou, a compra é quase obrigatória. O jogo é uma carta de amor a essa era, com uma gameplay que captura a essência do clássico e a atualiza de forma inteligente. A sensação de controlar Terry, Rock e os outros personagens com as novas mecânicas é fantástica.
Se você é um jogador de fighting games em geral, procurando uma alternativa sólida a Street Fighter 6 ou Tekken 8, City of the Wolves também é uma excelente pedida. A gameplay é robusta, técnica e oferece um ritmo diferente, mais focado no “footsies” e na estratégia do que em “neutral skips” malucos.

Agora, se o seu foco principal em jogos de luta é um modo história cinematográfico e super produzido, talvez seja melhor ir com calma. Os modos história de City of the Wolves cumprem o papel de dar um contexto, mas estão longe de ser o ponto alto do jogo. A falta de cutscenes animadas é um ponto negativo considerável nesse aspecto.
No fim das contas, Fatal Fury: City of the Wolves acerta onde mais importa: na porrada. A gameplay é o coração do jogo, e nesse quesito, a SNK mandou muito bem. É um retorno digno de uma lenda, que mostra que a velha guarda ainda tem muita lenha pra queimar.
Review - Fatal Fury: City of the Wolves
Gameplay Deliciosa - 9
Retorno Triunfal depois de 26 anos - 9
Visual bonito e estiloso - 9
Modo História Decepcionante - 7.5
Modo - 7
Menus confusos - 6.5
8
Muito Bom!
Se você é um jogador de fighting games em geral, procurando uma alternativa sólida a Street Fighter 6 ou Tekken 8, City of the Wolves também é uma excelente pedida. A gameplay é robusta, técnica e oferece um ritmo diferente, mais focado no "footsies" e na estratégia do que em "neutral skips" malucos.

