
Pragmata, a nova propriedade intelectual da Capcom que, após um período de desenvolvimento envolto em mistério e uma expectativa crescente, finalmente aterrissou em nossas plataformas. Desde seu anúncio inicial, o jogo prometia uma aventura de ficção científica com uma narrativa profunda, e a demo Pragmata: Sketchbook, lançada em dezembro de 2025, já nos dava um vislumbre do que estava por vir: um sistema de combate inovador e uma dupla de protagonistas com uma química inegável. Agora, com o jogo completo em mãos, posso afirmar sem sombra de dúvidas: Pragmata não apenas cumpre suas promessas, mas as eleva a um novo patamar, entregando uma jornada que ficará marcada na memória. Apertem os cintos, porque a análise começa agora!
A Saga de Pragmata: Do Anúncio à Demo Sketchbook…

O caminho de Pragmata até o lançamento foi, no mínimo, interessante. Anunciado em meados de 2020, o jogo gerou um burburinho imediato com seus visuais futuristas e uma premissa intrigante. No entanto, a falta de informações consistentes ao longo dos anos fez com que muitos fãs temessem pelo temido “inferno de desenvolvimento”. Felizmente, a Capcom soube usar esse tempo a seu favor, refinando cada aspecto do jogo. A confirmação da data de lançamento para 17 de abril de 2026, juntamente com a surpresa da demo Pragmata: Sketchbook em dezembro de 2025, serviu para reacender a chama da expectativa e mostrar que a espera valeria a pena. A demo, disponível para PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch 2, permitiu aos jogadores experimentarem em primeira mão o inovador sistema de combate e a dinâmica entre Hugh e Diana, que se tornaria o pilar emocional da aventura.
A Conexão Inesperada entre Hugh e Diana…
A história de Pragmata se desenrola em um futuro não tão distante, onde a humanidade, impulsionada pela descoberta do lunun (também conhecido como lunafilament), um minério com propriedades de replicação de dados, estabeleceu avançadas instalações de pesquisa na Lua. O palco principal é a estação lunar Berço, um centro de inovação que, subitamente, perde todo o contato com a Terra. Diante do silêncio ensurdecedor, uma equipe de investigação é despachada para desvendar o mistério. É nesse cenário de tensão que conhecemos Hugh Williams, um engenheiro de sistemas com uma personalidade inicialmente cética e um tanto quanto avessa a laços emocionais, especialmente com crianças. A missão, que deveria ser uma simples investigação técnica, rapidamente se transforma em um pesadelo de sobrevivência. Um lunamoto, um terremoto lunar de proporções catastróficas, atinge a estação, dizimando a equipe de Hugh e deixando-o sozinho e gravemente ferido. É nesse momento de vulnerabilidade extrema que surge Diana, uma androide com a aparência e a inocência de uma criança, que o resgata e o tira das garras da morte.A partir desse encontro fortuito, a narrativa de Pragmata se aprofunda, transcendendo a mera premissa de ficção científica. O objetivo imediato da dupla é escapar da estação, agora controlada por IDUS, uma Inteligência Artificial que, ao ganhar autonomia total, enlouqueceu e passou a considerar todos os seres vivos como intrusos a serem eliminados.

No entanto, o verdadeiro motor da trama é o desenvolvimento da relação entre Hugh e Diana. Inicialmente, Hugh vê Diana como um fardo ou, no máximo, uma ferramenta para sua sobrevivência. Mas a curiosidade insaciável de Diana, sua pureza e sua capacidade de encontrar maravilha nas coisas mais simples, começam a derreter a armadura emocional de Hugh. Essa dinâmica é o coração pulsante de Pragmata, evocando comparações com duplas icônicas como Joel e Ellie de The Last of Us. A evolução do relacionamento de uma parceria forçada para um vínculo genuíno de pai e filha é construída de forma orgânica e com uma sensibilidade notável. Diana, com sua fofura inegável, é uma personagem que conquista o jogador instantaneamente. Os momentos em que ela interage com objetos mundanos da Terra, um escorregador, uma cesta de basquete, que ela nunca havia visto antes, são pequenos oásis de ternura em meio ao caos. Seus desenhos, que ela entrega a Hugh, são mais do que meros colecionáveis; são representações visuais do laço que se forma, reforçando a construção emocional dos personagens e recompensando o jogador com cenas delicadas e memoráveis. A Capcom acerta em cheio ao investir nessa conexão, transformando Hugh e Diana em protagonistas que, sem dúvida, ocuparão um lugar especial no hall da fama dos games.
A Sinergia entre Hacking e Combate Tático…

O sistema de combate de Pragmata é, sem dúvida, um dos seus maiores trunfos e um exemplo brilhante de inovação. A Capcom desafiou as convenções ao criar uma mecânica onde o jogador controla Hugh e Diana simultaneamente, mas de uma forma que vai muito além de meras ordens para um companheiro controlado por IA. Aqui, a coordenação entre os dois é forte e essencial para a sobrevivência. Os inimigos que habitam a estação lunar são, em sua maioria, máquinas robustas e fortemente blindadas. Tentar derrubá-los apenas com o armamento de Hugh seria uma tarefa inglória e ineficaz. É aqui que Diana entra em cena com sua habilidade de hacking. Para causar dano significativo, é preciso primeiro expor as fraquezas dos oponentes através de um minigame de hacking em tempo real. Enquanto Diana, posicionada nas costas de Hugh, realiza essa tarefa, o jogador deve continuar controlando Hugh, movimentando-o pelo campo de batalha, esquivando de ataques inimigos e buscando a melhor posição estratégica.

No início, essa mecânica pode parecer complexa e exigir um período de adaptação. A necessidade de dividir a atenção entre o posicionamento tático de Hugh e a precisão do hacking de Diana cria uma curva de aprendizado. No entanto, uma vez que o jogador domina essa sinergia, o combate se transforma em uma dança frenética e extremamente gratificante. A sensação de hackear um inimigo com Diana, expor seu ponto fraco e, em seguida, descarregar uma saraivada de tiros com Hugh, é visceral e recompensadora. É um sistema que massageia o cérebro, exigindo tanto reflexos quanto pensamento certeiro.
Melhorias de Habilidades e Armamento…

A profundidade do gameplay é ampliada por um robusto sistema de progressão e customização, acessível no Abrigo, o hub central da aventura. Aqui, os jogadores podem investir em melhorias para Diana e para o arsenal de Hugh, que impactam diretamente a eficácia em combate. As melhorias de Diana são focadas em aprimorar suas capacidades de hacking. Inicialmente, o minigame de hacking pode ser simples, mas com os upgrades, Diana pode adquirir novas habilidades que adicionam camadas estratégicas. Por exemplo, é possível desbloquear nódulos de hacking que, ao serem ativados, restauram uma porção da vida de Hugh, espalham o efeito do hack para inimigos próximos, ou até mesmo confundem os adversários, fazendo com que ataquem uns aos outros. Essas opções permitem que o jogador adapte a estratégia de hacking ao seu estilo de jogo e à composição dos inimigos. Já Hugh, como o combatente principal, tem acesso a uma vasta gama de armamentos e perks de combate. As armas são variadas e cada uma oferece uma sensação distinta e utilidade tática. Exemplos incluem a Statis Net, que dispara um campo de energia capaz de imobilizar inimigos temporariamente, e as Sticky Bombs, que, ao serem lançadas, eliminam linhas do grid de hacking, simplificando o minigame de Diana e tornando o processo de exposição de fraquezas mais rápido. Além disso, Hugh pode equipar um drone que lança pequenos robôs para atacar os inimigos, adicionando uma camada extra de dano e distração. A constante aquisição de novas armas e upgrades garante que o combate permaneça fresco e desafiador ao longo de toda a campanha, incentivando a experimentação e a adaptação a diferentes situações.
Colecionáveis e a Curiosidade de Diana…

Além das melhorias de combate, Pragmata oferece um sistema de colecionáveis que se integra de forma brilhante à narrativa e ao desenvolvimento dos personagens. Ao explorar os ambientes da estação lunar, os jogadores podem encontrar “memórias” de itens da Terra, objetos comuns como um escorregador, uma cesta de basquete ou até mesmo giz de cera. Esses itens, que para nós são banais, são novidades absolutas para Diana, que nunca teve contato com o mundo exterior. Ao entregar esses colecionáveis a Diana no Abrigo, o jogo recompensa o jogador de duas formas: com moedas que podem ser usadas para upgrades e, mais importante, com cenas adoráveis e emocionantes da androide interagindo com esses objetos. Ver Diana brincando com um escorregador ou tentando arremessar uma bola em uma cesta de basquete, com a inocência e a curiosidade de uma criança descobrindo o mundo, reforça o laço entre ela e Hugh, e também com o jogador. Esses momentos são pequenos respiros de leveza e humanidade em meio à tensão da aventura, e servem como um poderoso incentivo para explorar cada canto do mapa em busca de novos segredos e, consequentemente, novas interações com a carismática Diana.
Da Estação Lunar à Nova York Distorcida…
Visualmente, Pragmata é uma obra-prima, um testemunho do poder da RE Engine da Capcom, a mesma tecnologia por trás de títulos aclamados como os recentes Resident Evil Requien. A direção de arte do jogo é um dos seus pontos mais fortes, criando um universo de ficção científica que é ao mesmo tempo familiar e estranhamente alienígena. A maior parte da aventura se passa na estação lunar Berço, um ambiente que mistura elementos industriais, cyberpunk e laboratoriais. A estética NASA punk futurista, confere um visual robusto e funcional às tecnologias, remetendo a uma visão nostálgica da exploração espacial. Os corredores metálicos, os laboratórios estéreis e as vastas paisagens lunares criam uma atmosfera de isolamento e opressão. No entanto, a corrupção da IA IDUS e a manipulação do lunum transformam essa paisagem. O minério, com sua capacidade de replicação, é usado pela IA para criar anomalias e distorções no ambiente, resultando em cenários que são visualmente deslumbrantes e perturbadores ao mesmo tempo. Um dos exemplos mais marcantes dessa distorção é a recriação bizarra de Nova York. A IDUS, em sua loucura, tenta replicar elementos da Terra, mas o faz de forma incompleta e fragmentada, resultando em uma versão retorcida e surreal da Times Square. Edifícios flutuantes, estruturas desconstruídas e luzes piscantes criam um contraste fascinante com a temática de controle e opressão artificial, oferecendo um espetáculo visual que é ao mesmo tempo belo e inquietante. A transição entre esses ambientes, do claustrofóbico interior da estação para as vastas e perigosas áreas externas, é fluida e contribui para a imersão na narrativa.
Desafios Gigantescos…

O design dos inimigos em Pragmata é tão variado quanto os cenários que eles habitam. Desde drones de segurança ágeis até autômatos de combate pesados e criaturas biomecânicas, cada tipo de adversário exige uma abordagem tática diferente. A inteligência artificial dos inimigos é competente, forçando o jogador a utilizar todas as ferramentas à sua disposição, tanto o armamento de Hugh quanto as habilidades de hacking de Diana, para superar os desafios. No entanto, o verdadeiro teste de habilidade e estratégia reside nas batalhas contra os chefes. A Capcom é conhecida por criar confrontos memoráveis, e em Pragmata não é diferente. Os chefes são visualmente imponentes, com designs que variam do grotesco ao majestoso, e cada um apresenta padrões de ataque únicos e implacáveis.

Não basta apenas atirar; é preciso observar, aprender os movimentos do inimigo e identificar o momento certo para usar o hacking de Diana e expor suas fraquezas. Um exemplo notável é a batalha em um túnel, onde Hugh e Diana são perseguidos por um verme mecânico gigante. Nesses confrontos, a mecânica de tiro/hack se torna ainda mais crucial, exigindo uma coordenação perfeita e um raciocínio rápido para desviar de ataques massivos enquanto se tenta abrir brechas na defesa do inimigo. A sensação de superar um desses chefes, após uma batalha intensa e difícil, é de pura adrenalina e satisfação, reforçando a maestria da Capcom em criar encontros desafiadores e recompensadores.
Visual com um Acompanhamento Discreto…

Como já pincelado, o departamento gráfico de Pragmata é, sem dúvida, um dos seus maiores destaques. A RE Engine, motor gráfico proprietário da Capcom, demonstra mais uma vez sua versatilidade e poder, entregando um nível de detalhe e fidelidade visual impressionante. Os modelos dos personagens, desde as texturas do traje de Hugh até os detalhes da pele sintética de Diana, são incrivelmente realistas e expressivos. Os ambientes, sejam os corredores futuristas da estação Berço ou as paisagens distorcidas da Nova York lunar, são renderizados com uma atenção meticulosa aos detalhes, criando uma atmosfera imersiva e crível. Os efeitos visuais, como as explosões, os feixes de energia das armas e os efeitos do hacking de Diana, são espetaculares e contribuem para a intensidade dos combates. A iluminação dinâmica e os reflexos em tempo real adicionam uma camada extra de realismo, fazendo com que cada cena pareça uma obra de arte em movimento.

No Xbox, onde tive a oportunidade de jogar, o desempenho foi sólido e consistente, mesmo durante os momentos mais caóticos e cheios de ação, com quedas de framerate sendo raras e imperceptíveis, garantindo uma experiência fluida e sem interrupções. No entanto, se há um aspecto onde Pragmata não brilha com a mesma intensidade, é na sua trilha sonora. Embora a engenharia de som seja de altíssima qualidade, os efeitos sonoros das armas, das explosões e dos movimentos dos inimigos são impactantes e conferem peso às ações, e a dublagem, com localização em português de alta qualidade, seja excelente, as composições musicais em si são, em grande parte, esquecíveis. Não há temas memoráveis que se fixem na mente do jogador após desligar o console, o que é uma pena, considerando a profundidade emocional da narrativa. Apesar disso, a força da narrativa e o carisma dos personagens conseguem compensar essa ausência de uma trilha sonora marcante.
Resumindo…
Pragmata é mais do que apenas um jogo de ação e ficção científica, é uma experiência emocionalmente rica e mecanicamente inovadora que solidifica a posição da Capcom como uma das desenvolvedoras mais criativas e competentes da indústria. A jornada de Hugh e Diana é um testemunho do poder das conexões humanas (e androides) em meio à adversidade, e o sistema de combate, que exige uma sinergia constante entre os protagonistas, é um sopro de ar fresco em um gênero que muitas vezes se apoia em fórmulas consagradas. Pragmata é uma experiência obrigatória para qualquer fã de jogos de ação e ficção científica que busca uma narrativa envolvente e um gameplay que o desafie a pensar fora da caixa. É um jogo que tem alma, carisma e uma execução técnica impecável. A Capcom, mais uma vez, prova que ainda tem muito a oferecer ao mundo dos games, entregando uma joia que, sem dúvida, será lembrada por anos. Se você estava em cima do muro, pode embarcar nesta viagem lunar sem hesitação, a recompensa é uma das melhores aventuras que você terá este ano!
Review: Pragmata
Narrativa Emocionante e Profunda - 10
Gameplay Inovador e Estratégico - 9.5
Visuais Deslumbrantes e Direção de Arte Excepcional - 9.5
Batalhas Contra Chefes Memoráveis - 9.5
Dublagem de Alta Qualidade em Português - 9.5
Trilha Sonora Discreta - 8.5
9.4
Excelente!
Pragmata é uma experiência obrigatória para qualquer fã de jogos de ação e ficção científica que busca uma narrativa envolvente e um gameplay que o desafie a pensar fora da caixa. É um jogo que tem alma, carisma e uma execução técnica impecável.

