Reviews e Previews

Review – Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2

A despedida de Snake finalmente respira fora do PS3

Poucas franquias na história dos videogames conseguiram transformar espionagem, guerra, política e tecnologia em uma linguagem tão particular quanto Metal Gear. Desde os primeiros jogos, a série nunca tratou o conflito armado apenas como cenário para tiroteios. Ela questionou quem lucra com a guerra, como soldados são usados por governos e empresas e de que maneira a tecnologia pode retirar dos indivíduos o controle sobre suas próprias escolhas. Hideo Kojima foi fundamental para construir essa identidade. Sua direção combinou furtividade, humor absurdo, referências cinematográficas e longas conversas sobre temas que normalmente ficariam fora de um jogo de ação. Essa mistura nem sempre foi equilibrada, mas quase sempre foi ambiciosa. A série queria discutir o mundo ao mesmo tempo em que criava batalhas contra robôs gigantes, vilões excêntricos e situações que pareciam impossíveis de explicar em qualquer outra franquia.

A Konami, por sua vez, foi a casa que permitiu que esse projeto atravessasse gerações. A relação entre a empresa, Kojima e a marca terminou de maneira conturbada, e a ausência do criador continua sendo sentida pelos fãs. Ainda assim, o catálogo de Metal Gear permanece sob responsabilidade da Konami. Nesse contexto, a linha Master Collection tem uma missão maior do que simplesmente vender jogos antigos: ela precisa manter acessível uma parte importante da história do meio. O primeiro volume, lançado em 2023, cumpriu essa tarefa de forma irregular. O pacote era valioso por reunir Metal Gear, Metal Gear 2: Solid Snake, Metal Gear Solid, Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty e Metal Gear Solid 3: Snake Eater, além de materiais complementares. Porém, chegou com limitações técnicas, problemas de apresentação e uma sensação de que a preservação havia sido tratada com pressa. Atualizações posteriores melhoraram parte do resultado, mas a impressão inicial ficou.

O segundo volume chega com uma responsabilidade ainda maior. Ele não traz tantos jogos quanto o anterior, mas contém aquele que durante quase duas décadas parecia condenado a permanecer no PlayStation 3: Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots. A pergunta, portanto, não é apenas se a coleção é boa. É se ela finalmente oferece uma forma digna de reencontrar a missão final de Solid Snake.

A resposta curta é sim. A resposta completa exige alguns asteriscos.

O que vem na coleção

O núcleo de Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2 é formado por três experiências bastante diferentes entre si:

•Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots, a conclusão da história de Solid Snake;

•Metal Gear Solid: Peace Walker, aventura de Big Boss originalmente lançada para PSP e apresentada aqui em sua versão aprimorada;

•Metal Gear: Ghost Babel, spin-off de Game Boy Color que funciona como uma curiosa releitura portátil da fórmula clássica.

A coleção também inclui conteúdos voltados para quem deseja estudar a cronologia da série. Entre eles estão o Metal Gear Solid 4 Database, livros digitais, roteiros, Master Books relacionados a MGS4 e Peace Walker e uma trilha sonora digital dedicada ao volume. É um pacote menor do que o primeiro, e isso pode causar estranheza pelo preço. Ao mesmo tempo, a quantidade não conta toda a história. Metal Gear Solid 4 é uma produção extensa, com grande volume de cenas, diálogos, músicas, texturas e sistemas que precisavam ser adaptados para arquiteturas modernas. O projeto acaba sendo definido menos pelo número de jogos e mais pelo peso do principal título incluído.

A organização do conteúdo, entretanto, poderia ser mais clara. Os jogos aparecem em aplicativos separados, enquanto determinados extras ficam distribuídos em locais pouco intuitivos. O banco de dados associado a MGS4 não está necessariamente onde o jogador esperaria encontrar os materiais complementares, e as trilhas sonoras seguem outra organização. Nada disso impede o acesso aos recursos, mas a coleção não funciona como uma biblioteca perfeitamente integrada. Também é impossível não sentir falta de materiais históricos mais profundos. Entrevistas, documentários, artes de produção e registros do desenvolvimento de MGS4 teriam valor especial em uma coletânea que se apresenta como preservação. O que existe é útil, mas não representa tudo o que essa recuperação poderia oferecer.

MGS4: o velho Snake fora da prisão do PS3

Metal Gear Solid 4 continua sendo o grande motivo para comprar o segundo volume. O jogo se passa em 2014, em um mundo dominado por uma economia de guerra na qual empresas militares privadas sustentam conflitos permanentes. Solid Snake, envelhecido precocemente por sua condição genética, recebe a missão de impedir os planos de Liquid Ocelot e encerrar o ciclo que acompanha a série desde o primeiro Metal Gear Solid. A campanha é uma despedida em todos os sentidos. Ela encerra o arco de Snake, recupera personagens conhecidos, revisita acontecimentos antigos e tenta amarrar pontas deixadas por vários jogos. Em alguns momentos, essa vontade de concluir tudo produz cenas emocionantes e reencontros memoráveis. Em outros, gera explicações demais, reviravoltas acumuladas e uma história que parece querer resolver décadas de ficção em uma única sessão.

A estrutura continua extremamente cinematográfica. As cenas de corte são longas, às vezes muito longas, e o controle frequentemente passa mais tempo nas mãos do diretor do que nas do jogador. Isso faz parte da personalidade da obra, mas também é o elemento que mais divide sua recepção hoje. Para quem acompanha a franquia, a extensão ajuda a dar peso à despedida. Para quem chega agora, o ritmo pode parecer interrompido e excessivamente dependente da memória dos capítulos anteriores. O que mudou é que, desta vez, o jogo não está limitado pela tecnologia do PS3. A versão da coleção oferece resolução mais alta, desempenho de até 60 quadros por segundo e carregamentos muito mais rápidos em comparação com a experiência original. Em configurações compatíveis, a apresentação pode chegar a 4K nativo. A imagem fica mais limpa, os detalhes das texturas aparecem com maior definição e a fluidez torna as transições de mira, movimentação e combate mais confortáveis.

O mérito principal está na preservação do jogo como ele era. A Konami não tentou reescrever a campanha, retirar cenas ou alterar sua identidade. As referências à própria série continuam presentes, assim como os momentos de humor, as escolhas estranhas e o excesso que define a obra. Até as marcas e situações específicas do lançamento original foram mantidas, o que ajuda a conservar o contexto histórico da experiência. Há pequenas imperfeições. Alguns efeitos visuais podem apresentar comportamento estranho quando executados em uma taxa de quadros superior à original, e determinados elementos continuam com aparência datada. São falhas pontuais, não problemas capazes de comprometer a campanha. O resultado é, de modo geral, a melhor maneira oficial de jogar MGS4 atualmente.

Peace Walker: o elo entre Big Boss e The Phantom Pain,

Se MGS4 é a atração principal, Peace Walker é o jogo que mais cresce depois que a empolgação inicial passa. A aventura acompanha Big Boss em 1974, enquanto ele lidera a Militaires Sans Frontières e constrói as bases do que futuramente se tornaria uma potência militar independente. O jogo foi desenvolvido para PSP, e sua estrutura ainda carrega essa origem. A campanha é dividida em missões relativamente curtas, com objetivos específicos e repetição planejada. O jogador recruta soldados, administra a Mother Base, pesquisa armas, melhora divisões e retorna a operações anteriores para conseguir melhores resultados. Essa fórmula antecipa vários sistemas que seriam ampliados em Metal Gear Solid V: The Phantom Pain. O recrutamento por Fulton, o desenvolvimento de equipamentos e a administração da base não são apenas curiosidades históricas: continuam formando um ciclo de progressão satisfatório. Cada missão pode terminar com uma nova arma, um soldado mais habilidoso ou um recurso que abre possibilidades futuras. O problema é que essa mesma estrutura pode se tornar repetitiva.

Alguns chefes têm resistência elevada e parecem projetados para o modo cooperativo. Jogar sozinho é possível, mas certas batalhas ficam longas e exigentes, especialmente quando o jogador ainda não desenvolveu um arsenal adequado. O multiplayer cooperativo permanece como uma das melhores características do título, embora sua utilidade dependa da existência de parceiros disponíveis. A adaptação para plataformas modernas resolve parte das limitações originais. A câmera e o controle ficam mais naturais com dois analógicos, e a imagem em alta definição dá maior legibilidade aos cenários. Ainda é um jogo com interfaces e escolhas de design portáteis, mas o formato de missões curtas funciona bem para quem prefere sessões rápidas. Peace Walker não é um complemento descartável. Ele é uma peça importante da cronologia e uma experiência surpreendentemente completa. Seu principal defeito é exigir que o jogador aceite a repetição como parte central do projeto.

Ghost Babel: o pequeno grande bônus

A inclusão de Metal Gear: Ghost Babel é uma das decisões mais simpáticas do volume. Lançado para Game Boy Color, o jogo não é canônico na linha do tempo principal, mas demonstra como a estrutura de infiltração podia ser adaptada a um hardware extremamente limitado. A câmera aérea, os mapas compactos e a apresentação em pixel art dão ao título uma identidade própria. Ghost Babel não tenta ser uma versão reduzida de MGS1. Ele reorganiza elementos de exploração, alarmes, equipamentos, inimigos e confrontos contra chefes para criar uma campanha adequada ao portátil.

O jogo é mais simples do que os outros dois, mas não é menos interessante como documento de design. Ao ser retirado do esquecimento e colocado ao lado de MGS4 e Peace Walker, ele mostra a amplitude da franquia. É uma pena que sua apresentação seja tão separada do restante do pacote e que o título não acompanhe a localização em português disponível nos jogos principais. Como bônus, Ghost Babel é excelente. Como parte de uma coleção que poderia reunir mais capítulos portáteis, ele também evidencia algumas ausências, como Portable Ops e os jogos da linha Ac!d. Ainda assim, sua presença agrega valor real, em vez de apenas preencher espaço.

Gameplay: modernização sem descaracterização

A coleção não transforma os jogos em experiências contemporâneas. Ela adapta controles, resolução e desempenho, mas preserva as bases originais. Essa decisão é correta para um produto de preservação, embora signifique que o jogador ainda encontrará movimentações, menus e respostas de combate com quase duas décadas de idade. Em MGS4, mirar e atirar ficam mais naturais nos controles atuais com o uso dos gatilhos modernos. A compatibilidade com teclado e mouse no PC também é bem-vinda, especialmente porque permite personalizar o mapeamento. A movimentação agachada, a camuflagem OctoCamo e a alternância entre furtividade e combate direto continuam funcionando como pilares da campanha. A OctoCamo permanece particularmente eficiente. Ao copiar as cores e texturas da superfície próxima, ela transforma a escolha de um esconderijo em uma decisão tática. O Solid Eye facilita a leitura do ambiente, enquanto o pequeno robô Mk. II permite explorar áreas, coletar itens e neutralizar inimigos à distância. Esses sistemas dão variedade suficiente para que o jogador não precise abordar todos os encontros da mesma maneira.

O combate direto é menos confortável. A mira pode exigir adaptação, a movimentação parece rígida diante de jogos atuais e um erro pode colocar o jogador em uma situação mais difícil do que deveria. O sistema de checkpoints também pesa: em determinadas situações, morrer significa repetir uma porção considerável da área anterior. A melhor forma de jogar continua sendo observar, planejar e evitar confronto desnecessário. Quando o jogador aceita o ritmo de espionagem tática, o jogo flui melhor. Quando tenta transformá-lo em um jogo de tiro convencional, suas limitações ficam muito mais evidentes. Em Peace Walker, a atualização de controle é ainda mais importante. O que era uma solução para as limitações do PSP se torna mais acessível com dois analógicos e mapeamento moderno. A estrutura de missões, o recrutamento e a pesquisa de equipamentos permanecem intactos. O jogo não foi reconstruído, mas foi colocado em uma condição muito mais confortável para ser revisitado.

Gráficos e desempenho: o trabalho que mais importa

A diferença visual mais expressiva está em MGS4. O jogo original já tinha uma direção de arte forte, mas sofria com resolução limitada, quedas de desempenho e tempos de carregamento compatíveis com o hardware do PS3. No segundo volume, a imagem é mais nítida e a ação pode rodar a 60 quadros por segundo. Esse ganho não transforma o título em um lançamento atual. Modelos, animações e alguns efeitos continuam refletindo 2008. O que muda é a consistência da apresentação. A câmera responde melhor, as áreas carregam com menos interrupções e os detalhes do cenário não ficam escondidos por uma imagem tão comprimida ou instável. A coleção também suaviza algumas características cromáticas do original. O visual mantém a atmosfera cinzenta e militar, mas apresenta contraste e definição mais equilibrados. A melhoria é discreta, porém suficiente para tornar a experiência mais agradável em televisores modernos.

Peace Walker se beneficia da remasterização em alta definição e da taxa de quadros estável. Sua origem portátil continua visível em texturas, animações e interfaces, mas isso faz parte da identidade do jogo. Já Ghost Babel permanece essencialmente fiel à apresentação de Game Boy Color, como deveria ser. O objetivo, nesse caso, é preservar o pixel art e a leitura dos cenários, não simular uma produção tridimensional.

Trilha sonora e localização

A trilha sonora continua sendo um dos maiores trunfos de MGS4. As composições orquestrais reforçam o peso da campanha, alternando tensão, melancolia e grandiosidade sem tratar cada cena como se tivesse a mesma importância. O resultado é uma música que ajuda a sustentar o caráter de despedida do jogo. O pacote preserva o áudio original e oferece uma trilha sonora digital como material complementar. Não se trata de uma nova composição nem de uma reformulação radical do desenho sonoro. A maior vantagem está em ouvir as faixas em uma plataforma moderna, com os efeitos e as vozes mantendo a força que tinham no lançamento.

A localização para português do Brasil é uma das novidades mais relevantes para o público brasileiro. MGS4 e Peace Walker contam com textos e legendas em português, o que facilita acompanhar diálogos, termos militares e a complexa cronologia da série. Não há dublagem brasileira, mas a tradução escrita já reduz bastante a barreira de entrada. A ausência de localização em Ghost Babel é compreensível pelo caráter de bônus e pela origem do título, mas reforça a desigualdade entre os conteúdos. Para uma coleção que deseja apresentar a franquia a novos jogadores, seria interessante que todos os jogos tivessem algum tipo de suporte linguístico ou, pelo menos, uma introdução contextual em português.

O que a coleção acerta e onde poderia melhorar

O principal acerto é óbvio e enorme: MGS4 finalmente deixa de depender do PS3. A espera foi longa demais, mas o resultado oferece desempenho, carregamentos e controles muito melhores sem adulterar a campanha. A presença de Peace Walker também é decisiva. Ele conecta a fase de Big Boss ao futuro da série e mostra ideias que seriam aprimoradas em The Phantom Pain. Ghost Babel, por sua vez, é um bônus inteligente, raro e historicamente significativo. A coleção ainda se beneficia dos materiais de consulta, do banco de dados e da localização em português nos jogos principais. Para veteranos, esses recursos ajudam a revisitar a cronologia. Para novatos, eles podem servir como apoio em uma série conhecida por acumular organizações, codinomes e reviravoltas.

Os pontos negativos estão no preço, na quantidade menor de jogos em comparação com o primeiro volume e na apresentação fragmentada dos aplicativos. A ausência de Metal Gear Solid Online 2 é compreensível do ponto de vista técnico e de preservação de servidores, mas ainda representa uma parte perdida do contexto de MGS4. Também faltou uma restauração mais ambiciosa. O volume corrige as limitações mais urgentes, mas não oferece uma edição definitiva no sentido documental. A Konami poderia ter incluído mais materiais de bastidores, versões históricas, entrevistas e uma interface unificada que tratasse todos os títulos como capítulos da mesma biblioteca.

Veredito

Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2 não é uma coleção perfeita e tampouco tenta modernizar profundamente os jogos que reúne. Sua proposta é mais cuidadosa: preservar, adaptar e finalmente tornar acessível uma parte da franquia que estava presa a plataformas antigas. Essa estratégia funciona melhor com MGS4. O jogo continua exagerado, sentimental, político, engraçado e, em certos momentos, cansativo. Nada disso foi removido. A diferença é que agora a despedida de Solid Snake pode ser vivida com imagem mais limpa, desempenho mais estável e controles compatíveis com o presente. Peace Walker prova que seu formato portátil ainda tem valor, mesmo com repetição e limitações estruturais. Ghost Babel acrescenta uma perspectiva histórica que muitos jogadores jamais tiveram a oportunidade de conhecer.

Juntos, os três jogos formam um retrato curioso de diferentes fases do design de Metal Gear. Para fãs, é uma compra praticamente obrigatória. Para novos jogadores, o ideal é começar pelo primeiro volume ou seguir a ordem dos acontecimentos, porque MGS4 pressupõe um conhecimento considerável da saga. Para todos os demais, fica o alerta de que a coleção preserva tanto as virtudes quanto os excessos dos originais. A Konami poderia ter ido mais longe na organização, na documentação e na restauração. Ainda assim, o segundo volume entrega aquilo que parecia mais difícil: uma versão moderna, estável e respeitosa do último capítulo de Solid Snake.

Review - Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2

MGS4 finalmente está disponível fora do PlayStation 3. - 10
Até 60 FPS, resolução elevada e carregamentos muito mais rápidos. - 9.5
Peace Walker mantém seu multiplayer cooperativo e seus sistemas de Mother Base. - 9.5
Legendas e textos em português do Brasil em MGS4 e Peace Walker. - 9
A preservação respeita a identidade original dos jogos. - 8
A coleção traz menos jogos do que o primeiro volume. - 8
A organização dos aplicativos e extras é pouco intuitiva. - 7.5
O preço pode parecer alto para uma coleção com apenas dois jogos principais e um bônus. - 7

8.6

Muito Bom!

Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2 não é uma coleção perfeita e tampouco tenta modernizar profundamente os jogos que reúne. Sua proposta é mais cuidadosa: preservar, adaptar e finalmente tornar acessível uma parte da franquia que estava presa a plataformas antigas. A Konami poderia ter ido mais longe na organização, na documentação e na restauração. Ainda assim, o segundo volume entrega aquilo que parecia mais difícil: uma versão moderna, estável e respeitosa do último capítulo de Solid Snake.

Mostrar mais

Eduardo Lino

Olá, Eu sou o Edu! Sou o criador do portal de notícias Gamer Spoiler. Apaixonado por games desde pequeno e jornalista nas horas vagas!
Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Botão Voltar ao topo
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x
Gamer Spoiler
Resumo de Privacidade

Este site utiliza cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e desempenham funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar a nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.