Reviews e Previews

Review – Kusan: City of the Wolves

Violência estilizada com personalidade própria

Desenvolvido pelo estúdio sul-coreano CIRCLEfromDOT e publicado pela PQube, Kusan: City of the Wolves é um jogo de ação com visão superior que transforma cada sala em um pequeno quebra-cabeça de violência. Disponível para PC, PlayStation, Xbox e Nintendo Switch, o título parte de uma fórmula conhecida por fãs de jogos como Hotline Miami, mas encontra identidade suficiente para não parecer apenas uma repetição de ideias já exploradas. A campanha apresenta dezenas de fases curtas e feitas à mão. Em cada uma delas, o objetivo é direto: entrar em um ambiente, compreender a disposição dos inimigos, usar o cenário a seu favor e eliminar todos os adversários. Prédios, boates, laboratórios e ruas iluminadas por néon compõem uma cidade cyberpunk marcada por violência, corrupção e tensão política. O visual em pixel art, os personagens antropomórficos e a atmosfera noir dão ao jogo uma assinatura própria. Kusan é rápido, agressivo e exigente. Apesar de sua apresentação inicialmente simples, ele oferece sistemas suficientes para recompensar o jogador que deseja dominar cada fase e encontrar a maneira mais eficiente de concluí-la.

História: guerra, trauma e poder…

O protagonista é Jin, um lobo com um braço mecânico e um passado militar marcado por perdas. A narrativa se passa em uma sociedade que ainda tenta se recuperar de um conflito recente, enquanto um governo autoritário, gangues e grupos de veteranos disputam o controle da cidade. A jornada começa envolvendo Jin no resgate da irmã de uma criança sequestrada. A partir daí, o protagonista acaba ligado aos Lobos de Diamante, um grupo formado por ex-combatentes que passou a governar pelo medo. A trama também apresenta conspirações políticas, experiências envolvendo jovens com poderes especiais e o chamado Projeto Origem. A história é contada por meio de cenas com estética de história em quadrinhos. Essa escolha combina com a proposta visual e mantém a narrativa em movimento sem interromper demais o ritmo da ação.

Os diálogos ajudam a estabelecer o tom urbano e sombrio da aventura, enquanto os personagens possuem mais personalidade do que os arquétipos comuns desse tipo de produção. O problema é que o roteiro nem sempre consegue acompanhar a qualidade da apresentação. Algumas relações entre personagens e facções demoram a ficar claras, e determinadas reviravoltas são previsíveis. Kusan aborda temas como trauma, autoritarismo, guerra e exploração, mas raramente aprofunda essas ideias de maneira realmente surpreendente. A história cumpre bem a função de contextualizar a violência do protagonista, mas não é o principal motivo para permanecer na campanha. Conforme o jogo avança, a narrativa ganha consistência, porém continua sendo menos marcante do que o combate e a direção de arte.

Gameplay: velocidade, precisão e morte instantânea…

A estrutura de Kusan é baseada em um princípio simples e implacável: Jin morre com um único golpe, e a maioria dos inimigos também é derrotada rapidamente. Não existe uma seleção tradicional de dificuldade. O jogo espera que o jogador aprenda por meio da repetição, da observação e da adaptação.O controle combina mira pelo analógico direito, golpes corpo a corpo, um soco carregado, armas de fogo e a Quantum Knife, uma faca que pode ser arremessada e precisa ser recuperada depois. O arsenal inclui pistolas, revólveres e escopetas, embora apenas uma arma de fogo possa ser carregada por vez. A munição também é limitada, o que impede que o jogador resolva todas as situações simplesmente atirando.

Na prática, os disparos são frequentemente mais úteis para interromper ou atordoar um inimigo do que para eliminá-lo imediatamente. Isso incentiva a aproximação e faz com que o combate tenha uma dinâmica mais agressiva. O jogador precisa decidir quando atacar à distância, quando avançar e quando usar o ambiente para criar uma oportunidade. Elementos destrutíveis, barris explosivos e obstáculos podem ser incorporados à estratégia. O soco carregado é especialmente satisfatório, principalmente quando usado contra inimigos que avançam em linha reta. A sensação de impacto dos golpes é um dos pontos fortes do jogo.

O campo de visão limitado também tem papel importante. Inimigos fora da tela podem surpreender Jin a qualquer momento, mantendo a tensão mesmo quando a sala parece estar sob controle. Essa escolha contribui para a atmosfera de perigo constante, mas também gera momentos em que o jogador morre sem compreender imediatamente o que aconteceu. Em algumas situações, a quantidade de objetos, efeitos e inimigos na tela prejudica a leitura do cenário. Destroços e elementos decorativos podem se misturar aos adversários, especialmente durante os confrontos mais caóticos. Como a margem de erro é mínima, qualquer problema de legibilidade se torna mais grave.

Progressão e melhorias…

Os inimigos derrotados e os objetos destruídos fornecem recursos usados para aprimorar o braço mecânico e as armas. O sistema de melhorias é organizado em uma grade de peças giratórias, semelhante a um inventário modular. A escolha das peças não serve apenas para aumentar números. Dependendo da combinação, o jogador pode montar uma configuração mais agressiva, outra voltada ao controle de espaço ou uma terceira focada no gerenciamento de munição e habilidades. Esse sistema ajuda a impedir que a progressão se torne apenas uma sequência automática de melhorias. A busca por notas altas, especialmente a classificação S, também incentiva o replay. Depois de dominar uma fase, surge a vontade de voltar para tentar uma execução mais rápida, mais limpa e com menos riscos.

Dificuldade, inimigos e batalhas contra chefes…

A dificuldade de Kusan é um dos seus maiores atrativos e também uma das suas principais barreiras. O jogo exige reflexos rápidos, atenção ao posicionamento e disposição para repetir as mesmas situações até entender seus padrões. Os inimigos comuns não possuem necessariamente uma variedade tão ampla quanto seria desejável, mas são posicionados de forma a exigir respostas diferentes. Alguns pressionam Jin diretamente, enquanto outros obrigam o jogador a pensar no alcance das armas, na cobertura e na ordem das eliminações. Como o protagonista é extremamente vulnerável, cada sala precisa ser tratada como uma sequência de decisões. Avançar de maneira precipitada pode levar à morte instantânea, mas jogar de forma excessivamente cautelosa também pode limitar as oportunidades de ataque.

As batalhas contra os chefes ampliam essa lógica. Eles suportam diversos golpes e apresentam confrontos com mais de uma etapa, enquanto Jin continua podendo morrer com um único ataque. Alguns encontros exigem adaptação constante, em vez de simplesmente decorar uma sequência fixa de movimentos. Quando o padrão do chefe é compreendido e a vitória finalmente acontece, a sensação de superação é genuína. O problema está no caminho até esse momento. Em determinados trechos, é necessário refazer sequências extensas para chegar novamente ao confronto. Se o jogador morrer depois de vários minutos de tentativa, a repetição pode se tornar cansativa, principalmente quando a dificuldade vem acompanhada de pouca informação visual.

Gráficos: pixel art com personalidade…

Visualmente, Kusan: City of the Wolves é um dos jogos mais marcantes dentro de sua proposta. A combinação de pixel art detalhada, cores saturadas, iluminação neon e atmosfera noir cria uma cidade com identidade própria. Os ambientes variam entre prédios, boates, laboratórios e áreas externas. Painéis luminosos, outdoors, móveis destrutíveis e efeitos de explosão ajudam a tornar cada fase visualmente dinâmica. A direção de arte não trata os personagens animais como simples humanos usando máscaras. Eles possuem rostos e características próprias, o que reforça a identidade daquele universo. A apresentação em quadrinhos também funciona bem. As cutscenes mantêm a mesma linguagem visual da campanha e ajudam a conectar o mundo do jogo à narrativa.

Os personagens são expressivos, e a paleta de cores cria um contraste interessante entre a violência das situações e a aparência estilizada da cidade. A principal limitação visual aparece durante os momentos mais intensos. A quantidade de elementos na tela pode prejudicar a identificação dos inimigos e dos objetos interativos. A arte é bonita, mas nem sempre é perfeitamente legível. Em uma experiência tão dependente de reflexos, pequenas oscilações são mais perceptíveis. Em plataformas mais potentes, a apresentação tende a ser mais estável.

Trilha sonora e efeitos sonoros…

A trilha sonora é outro destaque. As músicas combinam elementos de hip-hop, blues, jazz e riffs secos de guitarra, criando uma ambientação urbana que acompanha bem o ritmo da ação. Cada fase possui sua própria faixa, e a música continua durante o reinício após a morte. Essa é uma decisão simples, mas eficiente. Em vez de interromper completamente a energia da tentativa anterior, o jogo mantém o jogador no clima da próxima investida. As músicas não funcionam apenas como fundo. Elas ajudam a construir a personalidade das áreas e tornam o ciclo de repetição mais agradável. Mesmo quando uma fase exige várias tentativas, a trilha impede que a experiência pareça completamente mecânica. Os efeitos sonoros cumprem bem sua função. Socos, tiros e facadas possuem peso suficiente para transmitir impacto, embora a sonoplastia não alcance o mesmo nível de personalidade da música.

Resumindo…

Kusan: City of the Wolves entende bem o que precisa fazer para tornar uma experiência de morte instantânea interessante. As tentativas são rápidas, o reinício é ágil e cada erro oferece alguma informação para a próxima investida. O combate é simples de compreender, mas possui espaço para estratégia. O uso do cenário, a limitação das armas, a Quantum Knife e o sistema de melhorias fazem com que o jogador pense além de simplesmente correr até o próximo inimigo. A história é competente ao criar contexto para a violência, mas não apresenta o mesmo impacto do combate. A narrativa tem bons conceitos, personagens funcionais e uma apresentação visual consistente, porém recorre a alguns clichês e demora a organizar suas ideias.

Review - Kusan: City of the Wolves

Combate rápido, preciso e visceral. - 9.5
Sistema de morte instantânea que torna cada decisão importante. - 9
Reinício veloz após a derrota. - 9
Direção de arte em pixel art com forte personalidade. - 8.5
Trilha sonora marcante e adequada ao ritmo da ação. - 8.5
Dificuldade extremamente punitiva e sem opções convencionais de ajuste. - 7.5
Poluição visual em momentos de maior caos. - 7
Variedade de inimigos poderia ser mais ampla - 7

8.3

Muito Bom!

Para fãs de ação arcade, jogos punitivos e experiências baseadas em tentativa e erro, Kusan oferece uma aventura violenta, estilizada e satisfatória. É um título que tropeça na narrativa, mas encontra sua força justamente onde mais importa: no controle, no impacto e na sensação de superar uma situação que parecia impossível.

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Eduardo Lino

Olá, Eu sou o Edu! Sou o criador do portal de notícias Gamer Spoiler. Apaixonado por games desde pequeno e jornalista nas horas vagas!
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