Review – WILL: Follow The Light

WILL: Follow The Light emerge como uma proposta intrigante no cenário dos jogos independentes, desenvolvido pelo TomorrowHead Studio. O título se posiciona como uma aventura narrativa em primeira pessoa, mergulhando o jogador em uma experiência que busca explorar a solidão, o isolamento e as complexidades emocionais de seu protagonista. Lançado para PC, PlayStation 5 e Xbox Series, o jogo promete uma jornada introspectiva através de paisagens gélidas e mares tempestuosos, onde a busca por um filho desaparecido se entrelaça com dramas pessoais e a necessidade de sobrevivência em um ambiente hostil.
História…
A narrativa de WILL: Follow The Light coloca o jogador na pele de Will, um faroleiro que leva uma vida solitária e isolada em uma região gélida do extremo norte. A rotina pacata e metódica de Will é abruptamente interrompida quando ele recebe a notícia de que uma forte tempestade e deslizamentos de terra devastaram sua cidade natal. O desespero toma conta quando ele descobre que seu filho, Thomas, está desaparecido, visto por último na companhia de seu pai distante. Movido pela urgência de encontrar sua família, Will embarca em uma perigosa jornada através de mares congelados e ilhas remotas. A busca pelo filho serve como o motor principal da trama, mas o jogo vai além do resgate físico. Ao longo da campanha, a narrativa mergulha nas memórias e reflexões de Will, explorando temas profundos como luto, culpa, traumas familiares e a complexa relação com seu próprio pai.
A combinação de uma tragédia ambiental com dramas pessoais cria uma conexão poderosa, tornando os conflitos de Will universais e relacionáveis. O jogo utiliza o isolamento e o silêncio para construir uma atmosfera melancólica, onde a verdadeira história reside nos sentimentos que os personagens carregam. No entanto, a execução dessa narrativa sofre com quebras de ritmo, onde momentos de tensão e urgência são frequentemente interrompidos por tarefas burocráticas e puzzles que diluem o impacto emocional da jornada.
Mecânicas e a imersão da exploração…

Em termos de jogabilidade, WILL: Follow The Light se estrutura em torno de exploração, narrativa ambiental, puzzles e uma mecânica de navegação detalhada. O jogo prioriza a imersão, colocando o jogador no papel de Will, cujas habilidades como faroleiro são constantemente exigidas para o avanço da trama. A navegação é um pilar central da experiência. O barco, carinhosamente chamado de Molly, é o principal meio de transporte, e o jogo dedica atenção especial para tornar as travessias marítimas significativas. Velejar exige do jogador atenção ao vento, às condições climáticas e um entendimento básico do funcionamento e controle das velas. Embora não seja um simulador complexo, a navegação não é automatizada, incentivando o jogador a se conectar com a embarcação e o ato de velejar. Os puzzles são, sem dúvida, um dos maiores atrativos do jogo. Eles exigem raciocínio lógico, observação e, por vezes, investigação do cenário em busca de pistas. O caderno de anotações de Will é uma mecânica crucial, funcionando como um guia natural para a progressão, fornecendo informações e pistas para os quebra-cabeças sem a necessidade de marcadores excessivos na tela. Exemplos de puzzles incluem o ajuste de frequência de rádio, a interpretação de dados climáticos, a montagem de um motor de barco com peças específicas e o restabelecimento da energia elétrica da ilha.
No entanto, a integração entre a narrativa e a jogabilidade nem sempre é fluida. O jogo, que flerta com o gênero walking simulator, muitas vezes interrompe momentos de profunda imersão e desenvolvimento narrativo com tarefas burocráticas e quebra-cabeças que, embora inteligentes, podem quebrar o ritmo da campanha. A movimentação lenta de Will e a necessidade de percorrer grandes cenários com pouca interação relevante também contribuem para uma sensação de lentidão e, por vezes, tédio, diluindo o impacto emocional que a história tenta construir. A tentativa de gamificar atividades cotidianas de um faroleiro, como montar um motor de guincho, pode se tornar obtusa e frustrante, especialmente quando ocorre em momentos de alta tensão narrativa.
Desafios no Ártico…

Em WILL: Follow The Light, os desafios não se manifestam na forma de inimigos tradicionais, mas sim através de obstáculos ambientais, quebra-cabeças e, paradoxalmente, pelo próprio ritmo do jogo. A natureza hostil do Ártico, com suas tempestades violentas, ventos extremos e mares congelados, atua como um adversário constante, exigindo do jogador atenção e habilidade para navegar e sobreviver. Os quebra-cabeças, embora sejam um ponto forte do jogo por sua inteligência e integração com a narrativa, também representam um desafio significativo. A necessidade de raciocínio lógico, observação e a utilização do caderno de Will para desvendar pistas são cruciais para a progressão. No entanto, alguns puzzles podem ser obtusos e mal explicados, como a remontagem de um motor de guincho sem referências claras, ou a necessidade de estar em um local específico para que uma ação seja reconhecida, gerando frustração e quebras de ritmo.
Outro desafio notável é a exploração. Embora o jogo apresente cenários vastos e visualmente atraentes, a interação com o ambiente é frequentemente limitada, e a movimentação lenta de Will, mesmo ao “correr”, torna os deslocamentos tediosos. A sensação de que a cidade devastada serve mais como pano de fundo do que como um elemento interativo que influencia a jogabilidade contribui para a percepção de exploração vazia. Adicionalmente, a ausência de um sistema de salvamento manual e a dependência de saves automáticos em momentos específicos podem resultar na perda de progresso, forçando o jogador a repetir longos trechos de caminhada e puzzles, o que intensifica a frustração e o cansaço. Em suma, os “inimigos” de Will são a natureza implacável, os quebra-cabeças por vezes mal balanceados e a própria estrutura do jogo que, em certos momentos, se torna um obstáculo à imersão.
Ambientação e Trilha Sonora…

WILL: Follow The Light é um jogo que, apesar de suas limitações como produção independente, se destaca visualmente graças à utilização da Unreal Engine 5. Os cenários, como os mares congelados, as tempestades de neve, as montanhas gélidas e as auroras boreais, são renderizados de forma convincente, transmitindo com propriedade a sensação de frio e isolamento que a ambientação ártica exige. A atmosfera é um dos pontos mais fortes do jogo, com um design visual que consegue ser impressionante e imersivo, especialmente nos momentos de contemplação da paisagem. O design de som complementa essa imersão de forma notável. O barulho do vento, o som da água batendo no casco do barco, o barulho dos trovões e o ranger das estruturas durante as tempestades contribuem significativamente para a construção da atmosfera. A trilha sonora, embora sutil, é utilizada de maneira pontual e eficaz, surgindo nos momentos certos para intensificar a emoção sem se tornar intrusiva.
A qualidade visual e sonora não se estende de forma homogênea a todos os elementos. Os modelos de personagens e algumas animações são grosseiros, o que pode quebrar a imersão em certos momentos. As dublagens, apesar de competentes, por vezes falham em transmitir a urgência e a emoção necessárias para a narrativa, com o próprio Will soando entediado em situações que deveriam ser dramáticas. Essas pequenas falhas de polimento técnico, embora não estraguem a experiência por completo, são notáveis e indicam as dificuldades de um estúdio menor em manter um padrão de qualidade elevado em todos os aspectos.
Resumindo…

WILL: Follow The Light é uma experiência que busca explorar temas profundos como luto, isolamento e a complexidade das relações familiares em um cenário ártico desolador. O jogo se destaca por sua atmosfera melancólica e visualmente impressionante, construída com a Unreal Engine 5, e por um design de som que contribui significativamente para a imersão. A navegação marítima, embora lenta, é um dos pontos altos, oferecendo momentos contemplativos e uma conexão genuína com o ambiente.
Os puzzles são o coração da jogabilidade, exigindo raciocínio lógico e observação, e são bem integrados à narrativa, utilizando o caderno de Will como uma ferramenta crucial para a progressão. Mas o jogo sofre com problemas de ritmo, onde longos trechos de exploração vazia e a movimentação lenta do personagem quebram a imersão e tornam a jornada cansativa. Alguns quebra-cabeças, apesar de inteligentes, podem ser obtusos e mal explicados, gerando frustração. A falta de um sistema de salvamento manual agrava a experiência, resultando em perda de progresso e repetição de tarefas. As falhas no polimento técnico, como modelos de personagens e animações grosseiras, e dublagens que não transmitem a emoção esperada, também afetam a qualidade geral.
Review - WILL: Follow The Light
Aborda temas como luto, culpa e relações familiares de forma sensível e introspectiva - 8
Cenários árticos visualmente impressionantes, construídos com Unreal Engine 5, e um design de som que contribui para a sensação de isolamento e melancolia - 8
Os quebra-cabeças exigem raciocínio lógico e observação, e são bem conectados à narrativa - 7
A experiência de velejar é um destaque, oferecendo momentos contemplativos e uma conexão única com o ambiente marítimo - 7
Longos trechos de caminhada e exploração vazia - 6.5
Cenários grandes com pouca interação relevante e tediosa - 6.5
Alguns quebra-cabeças são mal explicados ou exigem ações específicas sem sinalização clara, gerando frustração - 5
Modelos de personagens e animações grosseiras, além de dublagens que nem sempre transmitem a emoção adequada, quebram a imersão - 5
6.6
Bom!
WILL: Follow The Light é um jogo com um coração sincero e ideias promissoras, mas que se perde em sua execução, falhando em sustentar o impacto emocional de sua narrativa devido a inconsistências de gameplay e ritmo.

