
O gênero roguelike parece ter encontrado uma zona de conforto: masmorras sombrias, dificuldade implacável e uma estética medieval que já vimos inúmeras vezes. Mas e se um jogo ousasse quebrar essa fórmula? A Bandai Namco parece ter encontrado a resposta com Towa and the Guardians of the Sacred Tree. Este “roguelike de inspiração japonesa”, troca o pessimismo por um universo místico vibrante e a dificuldade punitiva por uma jornada desafiadora, mas acessível. Tivemos a chance de testar o beta e saímos convencidos de que este pode ser o sopro de ar fresco que o gênero precisava.
A Lenda da Árvore Sagrada e a Corrupção de Magatsu

Tsurugi e Kagura: A Dança da Batalha

- Tsurugi (A Espada): O guerreiro da linha de frente, controlado diretamente pelo jogador. É focado em combate corpo a corpo, combos ágeis e dano massivo. A gestão de recursos é crucial aqui: as armas têm durabilidade e podem quebrar, forçando o jogador a alternar entre seu equipamento principal e secundário no calor da batalha.
- Kagura (A Dança Divina): O parceiro de suporte, controlado por comandos. O Kagura ataca à distância, lança magias devastadoras em área e pode até criar escudos protetores. Sua eficácia depende das ordens do jogador, adicionando uma camada tática ao combate.
O mais impressionante é que todos os oito guardiões são jogáveis e suas habilidades se transformam completamente dependendo da função que assumem. Um personagem que é um tanque poderoso como Tsurugi pode se tornar um curandeiro ágil como Kagura, incentivando uma experimentação constante para descobrir as sinergias perfeitas.
Vila Shinju: O Coração do Mundo

Entre uma masmorra e outra, a Vila Shinju serve como seu refúgio. Longe de ser apenas um menu glorificado, o vilarejo é um hub vivo e pulsante. Aqui, você pode:
- Conversar com os moradores: Cada personagem tem sua própria história e personalidade, como o Mestre Futo, um touro gigante que, entre uma reclamação e outra sobre a falta de seriedade de Towa, melhora seus atributos em seu dojo.
- Realizar upgrades: A vila é o local para fortalecer seus guardiões e equipamentos, preparando-se para desafios maiores.

- Relaxar com minigames: A rotina de um herói não é só batalha. Durante meu teste, pude experimentar a pesca e a forja de espadas, uma das mecânicas mais cativantes do jogo. No minigame de forja, você controla cada etapa do processo: aquece o aço, martela o metal no ritmo certo, molda a lâmina (reta, curva, espiral — sua criatividade dita as regras), pole e decora o cabo. É um processo tão imersivo e relaxante que quase te faz esquecer da ameaça iminente de Magatsu.
O Peso do Sacrifício: A Escolha que Define a Jornada

É aqui que Towa and the Guardians of the Sacred Tree revela sua alma e se diferencia de qualquer outro roguelike. Ao final de cada masmorra, após derrotar um chefe poderoso, você é forçado a tomar uma decisão brutal. Para purificar a Árvore Sagrada, Towa precisa de um poder imenso, e esse poder vem do sacrifício do seu Kagura. O guardião que lutou ao seu lado, que te protegeu e com quem você compartilhou momentos de calma ao redor da fogueira, deve ser sacrificado. Essa mecânica me pegou desprevenido.
O jogo constrói um laço entre você e seus parceiros, apenas para te forçar a quebrá-lo em nome de um bem maior. Saber disso mudou completamente minha abordagem na run seguinte. Cada diálogo antes da batalha final ganhou um novo peso. Eu me importei mais, mesmo sabendo que o destino deles já estava traçado. É uma mecânica que eleva a narrativa e cria um ciclo de perda e esperança genuinamente emocionante.
O Que Esperar da Versão Final


