Reviews e Previews
Review – Rushing Beat X: Return of the Brawl Brothers
O Resgate de um Clássico Esquecido

O gênero beat ‘em up vive um renascimento inegável nesta década. Após o sucesso estrondoso de títulos como Streets of Rage 4 e TMNT: Shredder’s Revenge, a indústria voltou seus olhos para as relíquias dos anos 90. É nesse cenário que surge Rushing Beat X: Return of the Brawl Brothers, lançado em março de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC. Desenvolvido pela City Connection e publicado pela Clear River Games, o título não é apenas um novo jogo, mas uma tentativa de unificar uma franquia que sofreu com localizações confusas no passado. Para entender Rushing Beat X, é preciso olhar para o Super Nintendo. No Japão, a trilogia original da Jaleco era coesa: Rushing Beat (1992), Rushing Beat Ran (1992) e Rushing Beat Shura (1993). No entanto, ao cruzar o oceano, a série foi “retalhada” em três jogos aparentemente independentes: Rival Turf!, Brawl Brothers e The Peace Keepers. Essa localização ocidental não mudou apenas os títulos, mas também os nomes dos personagens, a trama e até elementos do gameplay. Rushing Beat X chega para “colocar a casa em ordem”, servindo como uma sequência direta que respeita a cronologia japonesa e unifica os heróis clássicos sob sua identidade original.
O Retorno a Neo-Cisco…
A trama nos leva de volta a Neo-Cisco, uma versão futurista e caótica de São Francisco. A cidade está sob ataque do sindicato do crime Joecal, que liberou o perigoso Vírus Zeekus (ou Droga Zeekus, dependendo da interpretação). O patógeno transforma cidadãos comuns em zumbis controlados mentalmente, criando uma atmosfera que mistura a pancadaria urbana tradicional com elementos de horror trash dos anos 90. A narrativa é contada através de extensos diálogos e cenas estáticas que, embora tragam nostalgia, frequentemente interromperem o fluxo da ação. O jogo parece ter consciência de seu enredo absurdo, inserindo piadas sobre as localizações antigas e momentos inusitados, como vilãs ensaiando coreografias com zumbis.
Rostos Conhecidos e Sangue Novo…

O elenco de lutadores é um dos pontos altos, oferecendo estilos de combate bem distintos:
| Personagem | Estilo de Luta | Origem |
|---|---|---|
| Rick Norton | Artes Marciais Mistas (MMA) | Protagonista Clássico |
| Douglas Bild | Luta Livre (Wrestling) | Protagonista Clássico |
| Kazan | Ninjutsu | Aliado de Rushing Beat Ran |
| Wendy Milan | Wrestling Profissional | Aliada de Rushing Beat Ran |
| Lord J | Jujitsu | Aliado de Rushing Beat Shura |
| Kahlua | Luta Autodidata | Nova Protagonista |
Cada personagem possui atributos únicos de ataque, defesa e velocidade. Enquanto os pesos-pesados como Douglas Bild causam danos massivos, personagens como Wendy e Kahlua apostam na agilidade para evitar cercos.
Profundidade no Combate…

Diferente de muitos beat ‘em ups genéricos, Rushing Beat X apresenta um sistema de combate elaborado. O jogo utiliza modelos 3D em um plano 2.5D, permitindo movimentos fluidos e câmeras dinâmicas que ocasionalmente mudam para ângulos isométricos.
Inovações Mecânicas:
•Sistema de Combos Direcionais: O combo principal muda dependendo da direção segurada no analógico, permitindo lançar inimigos ao ar para sequências aéreas.
•Rage Mode: Um medidor de fúria que, quando cheio, aumenta a força e velocidade, liberando o devastador Beat Rush (finalizador de tela).
•Gestão de Itens: É possível carregar armas e alimentos para uso posterior. No furgão (área de repouso entre fases), o jogador pode combinar alimentos para criar “comidas combo” com bônus estratégicos.
•Interação Ambiental: Arremessar inimigos contra vitrines ou paredes não é apenas visual; pode revelar itens escondidos ou causar dano em área.
Dificuldade, Inimigos e Repetitividade…

Enquanto as mecânicas de parry (contra-ataque perfeito) e cancelamentos de movimentos oferecem profundidade para veteranos, a Inteligência Artificial dos inimigos é bem limitada. O jogo é excessivamente fácil em cerca de 80% de sua duração, com um pico de dificuldade súbito nos estágios finais devido a armadilhas ambientais (lasers e espinhos) em vez de um desafio real dos oponentes. A repetitividade, um mal comum do gênero, é sentida aqui pela falta de variedade tática necessária para derrotar diferentes tipos de inimigos; a maioria sucumbe à mesma estratégia de “socar e avançar.
Gráficos e Trilha Sonora…

Visualmente, o jogo adota um estilo cel-shaded que remete a mangás, com onomatopeias surgindo na tela durante os impactos. Embora carismático, o visual é “simples”, com cenários que carecem de detalhes e texturas que lembram jogos da era PS3/Xbox 360. A trilha sonora é nostálgica e acelerada, mantendo o clima de fliperama. O narrador que anuncia as fases e os gritos dos personagens durante a luta ajudam na imersão, embora as vozes possam se tornar repetitivas após algumas horas de jogatina.
Resumindo…

Rushing Beat X: Return of the Brawl Brothers é uma carta de amor aos fãs da Jaleco e uma correção histórica necessária para a franquia. Ele não atinge o nível de polimento de um Streets of Rage 4, mas entrega uma experiência sólida, divertida e honesta. É o jogo ideal para sessões rápidas de cooperativo local, onde a diversão de “desligar o cérebro e bater em zumbis” prevalece sobre qualquer limitação técnica.
Review - Rushing Beat X: Return of the Brawl Brothers
Sistema de combate fluido e profundo - 7.5
Conexão nostálgica com a trilogia do SNES - 7
Mecânica de combo de alimentos - 7
Excesso de diálogos que interrompem o ritmo - 6.5
Conteúdo extra limitado - 6
IA dos inimigos pouco desafiadora - 5.5
6.6
Bom!
Rushing Beat X: Return of the Brawl Brothers é uma carta de amor aos fãs da Jaleco e uma correção histórica necessária para a franquia. Ele não atinge o nível de polimento de um Streets of Rage 4, mas entrega uma experiência sólida, divertida e honesta.

