ESports e a Resistência Indigena

Os esportes eletrônicos (esports) surgiram como um espaço crucial para jogadores indígenas no Brasil, especialmente por meio do jogo Free Fire (FF), acessível em dispositivos móveis. A crescente adoção de smartphones possibilitou a formação de equipes indígenas em diferentes regiões do país, criando novos espaços de resistência e visibilidade digital.
Este estudo etnográfico explora as práticas de conhecimento e as abordagens de jogo de jogadores pertencentes a quatro povos indígenas brasileiros: Apunirã, Ava-Guarani, Guarani e Xakriabá. Fundamentada na etnografia experiencial e na História Oral decolonial, a pesquisa examina como esses jogadores negociam suas identidades e defendem os direitos indígenas dentro do ecossistema dos esportes eletrônicos — tradicionalmente dominado por atores não indígenas.
Os jogadores indígenas utilizam os esports como ferramenta de ativismo digital, desafiando estereótipos e denunciando ameaças políticas como a tese do “marco temporal”, que sustenta a Lei nº 14.701/23 no Brasil. Por meio das plataformas de esports e das redes sociais digitais, eles ampliam sua luta por direitos territoriais e justiça ambiental, demonstrando que a participação indígena na tecnologia não contradiz suas identidades culturais — ao contrário, reforça sua presença nos espaços digitais.
Dessa forma, os esports vão além de um simples espaço de entretenimento e se tornam um território de soberania digital e resistência decolonial. Este estudo contribui para a compreensão dos jogos digitais sob uma perspectiva etnorracial, destacando como jogadores indígenas ressignificam os espaços de jogo para desafiar estruturas coloniais e afirmar sua existência política e cultural.

