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Review – Grime II

A Evolução Grotesca e Fascinante de um Soulsvania

Se você já se aventurou pelo universo bizarro e implacável do primeiro Grime, sabe muito bem que a desenvolvedora Clover Bite não tem o costume de pegar leve com os jogadores. Agora, com o lançamento de Grime II, a equipe israelense retorna para expandir tudo o que tornou o jogo original tão único, entregando uma sequência que é maior, mais ambiciosa e, de certa forma, ainda mais estranha. Então bora entrar nas profundezas desse mundo feito de tinta, pedra e argila, explorando como Grime II evolui a fórmula metroidvania com elementos de soulslike, mantendo sua identidade visual grotesca e desafiadora.

O Eco Mitológico: Do Primeiro ao Segundo Jogo

Enquanto o primeiro Grime estabeleceu uma estética focada em corpos e na brutalidade, Grime II decide focar sua obsessão em uma parte muito específica da anatomia: as mãos. Os membros superiores estão por toda parte, servindo como uma metáfora visual poderosa. As mãos são instrumentos que criam, moldam e expressam, mas também são ferramentas que agarram, agridem e destroem. Essa duplicidade entre criação e destruição é o fio condutor que conecta os dois jogos. Mesmo sem uma ligação narrativa direta e explícita com seu antecessor, Grime II funciona como um eco mitológico. O palco continua montado sobre o binômio de criar e consumir, mantendo a essência filosófica que define a série.

A Fome Existencial…

O mundo do jogo é construído a partir de materiais primordiais como tinta, pedra, argila e lama. Os seres que habitam esse universo utilizam esses mesmos materiais para criar outras formas de vida, reproduzindo o próprio ato da criação. Você assume o controle de uma entidade recém-nascida, inicialmente chamada de Ovinho e posteriormente batizada de Albúmen (a clara do ovo) por uma voz interna conhecida apenas como Embrião. O propósito do protagonista é simples e primitivo: devorar e crescer insaciavelmente. As opções de diálogo frequentemente refletem esse instinto básico, girando em torno da ideia fixa de “comer”. Essa abordagem narrativa cria uma atmosfera de estranheza constante. Você é uma criatura maculada por dúvidas em um mundo hostil, tendo apenas a certeza da própria fome para guiá-lo. É uma premissa fascinante que se alinha perfeitamente com o design de mundo e as mecânicas de jogo.

Explorando o Labirinto…

Como um bom metroidvania, a exploração é um dos pilares centrais de Grime II. O mundo é colossal, repleto de ramificações, segredos escondidos atrás de paredes quebráveis e áreas que serpenteiam em torno de si mesmas. O backtracking é extremamente bem trabalhado, transformando a sensação de “ter algo pendente” em um ciclo viciante de descobertas. A estrutura do jogo pode ser dividida em três partes distintas. A primeira é mais linear, guiando o jogador através de áreas labirínticas de forma consecutiva. A segunda parte abre o mapa, exigindo que você explore livremente para alcançar três objetivos principais. É aqui que a exploração pode se tornar um pouco confusa, com indicações escassas que podem deixar o jogador perdido. A terceira parte retorna a uma estrutura mais linear, porém com um design interno muito mais intrincado e um aumento significativo na dificuldade. Um conselho valioso para os exploradores: use e abuse dos ícones disponíveis no mapa para marcar locais inacessíveis. Quando você adquirir uma nova habilidade, saberá exatamente para onde voltar.

A Arte de Absorver…

O combate de Grime II abraça a filosofia de tentativa e erro característica dos soulslikes, mas com um nível de liberdade impressionante. A grande novidade aqui é o sistema de Moldes (Moulds). Como um Sem Forma, você tem a capacidade de absorver criaturas derrotadas e assumir moldes inspirados nelas. Cada inimigo pode se tornar uma ferramenta valiosa, seja para o combate ou para a exploração. Essa mecânica oferece uma liberdade absurda para resolver problemas. O jogo raramente força você a usar uma habilidade específica para avançar, permitindo que cada jogador construa seu próprio estilo de jogo. Além disso, o sistema de energia foi reformulado. A estamina tradicional dá lugar ao Ímpeto (Momentum). Embora ainda exista uma barra recarregável, ela não limita suas ações; em vez disso, se o Ímpeto estiver acima de um certo limite, seus ataques causam mais dano. O combate é fluido e responsivo, com destaque para o cancelamento de animação (animation canceling), que permite desviar de ataques mesmo após errar um parry. O uso do ambiente também é crucial; os cenários não são apenas plataformas, mas armas em potencial que podem ser usadas para criar vantagens estratégicas.

O Grotesco em Exibição…

A direção de arte de Grime II é, sem dúvida, um de seus pontos mais fortes. O mundo “manual” é decorado com braços, mãos, dedos, unhas e garras retorcidas, criando uma estética que é ao mesmo tempo repulsiva e hipnotizante. Os cenários variam de cavernas rochosas a ambientes repletos de espinhos, tinta e gosma. Essa identidade visual forte garante que o jogo seja reconhecível instantaneamente. A variedade de locais e culturas ajuda a manter a exploração interessante ao longo das dezenas de horas de campanha. A trilha sonora complementa perfeitamente essa atmosfera, pontuando a estranheza e a tensão de cada nova área descoberta.

Inimigos e Batalhas contra Chefes…

Se há algo em que Grime II brilha intensamente, são as batalhas contra chefes. Eles são abundantes, visualmente impressionantes e mecanicamente instigantes. Os confrontos iniciais podem parecer impossíveis, com ataques confusos e dano altíssimo. No entanto, a dificuldade é baseada no aprendizado. Após algumas tentativas, os padrões começam a fazer sentido, as janelas de ataque se tornam claras e a vitória traz uma satisfação imensa. As lutas fazem um uso excelente das mecânicas dinâmicas do jogo, exigindo domínio sobre a esquiva, o parry e o uso dos tentáculos do protagonista. Para aqueles que acharem o desafio excessivo, o jogo oferece opções de acessibilidade no menu, permitindo ajustar a porcentagem de dano causado e recebido, garantindo que a experiência possa ser aproveitada por um público mais amplo.

Resumindo…

Grime II é uma sequência que entende perfeitamente o que funcionava no original e decide expandir esses conceitos ao máximo. É um jogo maior, mais ambicioso e que oferece uma liberdade de gameplay raramente vista no gênero. A combinação de exploração profunda, combates exigentes e uma direção de arte inesquecível faz dele uma experiência marcante. No entanto, a ambição tem seu preço. O excesso de sistemas pode parecer desnecessariamente complexo para alguns, e a duração estendida da campanha, aliada a um mapa que por vezes se torna confuso, pode gerar cansaço na reta final. Além disso, problemas técnicos e bugs pontuais quebram a imersão em momentos inoportunos.

Review - Grime II

O sistema de Moldes permite uma variedade incrível de abordagens para combate e exploração - 9
Confrontos memoráveis com chefões, desafiadores e extremamente satisfatórios de se aprender e superar - 9
Um mundo visualmente único, grotesco e fascinante, focado na temática de mãos e criação. - 8.5
Exploração Recompensadora - 8.5
A complexidade de alguns sistemas de atributos e medidores pode parecer desnecessária. - 7.5
A parte intermediária da exploração pode ser confusa, e a extensão do jogo pode se tornar cansativa. - 7.5
Presença de bugs, como teleportes aleatórios e marcadores de missão incorretos. - 6.5

8.1

Muito Bom!

Grime II é um prato cheio para os fãs de metroidvanias e soulslikes que buscam um desafio genuíno e um mundo rico para explorar. Apesar de alguns tropeços técnicos e de ritmo, a obra da Clover Bite se consolida como uma das experiências mais originais e recompensadoras do gênero. Viscoso, grotesco, mas inegavelmente saboroso.

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Eduardo Lino

Olá, Eu sou o Edu! Sou o criador do portal de notícias Gamer Spoiler. Apaixonado por games desde pequeno e jornalista nas horas vagas!
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