
Quando um novo Action RPG isométrico chega ao mercado, a comunidade já prepara as comparações com gigantes como Diablo e Path of Exile. Dragonkin: The Banished, desenvolvido pela Eko Software (os mesmos criadores de Warhammer: Chaosbane) e publicado pela Nacon, entra nessa arena com uma proposta ambiciosa: caçar Senhores dos Dragões em um mundo corrompido pelo sangue dessas criaturas míticas. Mas será que esse hack and slash consegue se destacar na multidão ou é apenas mais um na horda?
A Sombra dos Dragões…
A premissa de Dragonkin nos joga em um mundo de fantasia sombria onde o sangue de dragão infectou a terra e seus habitantes. Os dragões, outrora aprisionados, agora estendem sua influência corrupta por diversos biomas, controlando mentes e espalhando o caos. O jogo começa com um prólogo empolgante, onde controlamos heróis no ápice de seu poder para reviver o banimento original da ameaça dracônica. É uma excelente forma de apresentar as classes e dar um gostinho do poder que nos aguarda.
Após essa introdução, assumimos o papel de um novo recruta perante o Conselho de Heróis. A narrativa tenta se aprofundar em ritos antigos, cultos e intrigas políticas dentro do próprio conselho, com personagens como o bárbaro Jorn, que luta mais por vaidade do que por altruísmo. No entanto, a execução deixa a desejar. A história é densa em nomes e termos, mas falha em criar uma conexão emocional real. O protagonista parece uma casca vazia, sem voz ou impacto narrativo significativo. A trama principal acaba se tornando um pano de fundo esquecível, o clássico “os dragões estão vindo, precisamos pará-los”, e muitos jogadores provavelmente vão pular os diálogos para focar na ação.
O Estilo Diablo…

Onde Dragonkin realmente tenta brilhar é no combate. O jogo oferece quatro classes jogáveis: o Bárbaro (focado em dano corpo a corpo brutal), o Cavaleiro, o Arqueiro/Rastreador (especialista em ataques à distância e controle de grupo) e o Mago/Oráculo. A ação é fluida, reativa e foca em uma verdadeira fantasia de poder. É comum se ver aniquilando hordas de dezenas de inimigos simultaneamente, com corpos voando pela tela em um espetáculo caótico e satisfatório.A grande inovação do jogo é a Grade Ancestral (Ancestral Grid), que substitui as tradicionais árvores de habilidades. Trata-se de um sistema em formato de favo de mel onde você encaixa habilidades e modificadores representados por fragmentos hexagonais.
As habilidades não são desbloqueadas apenas subindo de nível, mas caem como loot ou recompensas de missões. É um sistema criativo que permite muita experimentação, já que você pode trocar os hexágonos sem penalidades para testar novas builds. No entanto, a progressão pode se tornar entediante. Muitos dos ganhos são passivos e pouco inspirados, como “+5% de dano”. Falta aquela sensação de escolher uma melhoria que transforme completamente a mecânica de uma habilidade. Além disso, as classes têm gênero e aparência travados, o que significa que a personalização visual do seu personagem é praticamente nula, um ponto negativo para quem gosta de criar avatares únicos.
O Mundo Corrompido…
A exploração se dá através de biomas variados, incluindo florestas, pântanos e montanhas geladas. Os mapas são massivos e labirínticos, repletos de caminhos alternativos, relíquias escondidas e puzzles ambientais simples. A cidade central, Montescail, serve como hub onde você pode investir recursos para melhorar instalações como a alquimia, essencial para criar poções de cura mais potentes. Apesar da escala impressionante, os cenários sofrem com a repetição. A falta de variedade de inimigos comuns faz com que a travessia por longas distâncias se torne monótona. Você acaba enfrentando as mesmas criaturas repetidas vezes. Onde o jogo se redime é nas batalhas contra os chefes. Os encontros com os Senhores dos Dragões são os pontos altos da campanha. Eles apresentam múltiplas fases, mecânicas únicas e designs visuais imponentes, como um dragão de gelo serpentino. Essas lutas exigem estratégia e reflexos, quebrando a monotonia de apenas esmagar botões contra hordas de inimigos menores.
O Peso do Loot…

Visualmente, Dragonkin é competente. Os efeitos de corrupção dracônica nos ambientes são bem feitos e o combate é visualmente estimulante. A trilha sonora cumpre seu papel de dar o tom épico e sombrio, embora a dublagem seja inconsistente, variando de atuações decentes a entregas medíocres que não ajudam a narrativa já fraca. O sistema de loot, pilar de qualquer ARPG, é talvez a maior decepção. O jogo adota o sistema de cores tradicional para raridade, mas os itens carecem de identidade. Não existem itens únicos que redefinam sua build. No endgame, a escolha de equipamento se resume a comparar qual item dá uma porcentagem maior de dano ou atributos básicos como vida e resistência. A base do loot é conservadora e sem graça, falhando em manter o jogador motivado a buscar o equipamento perfeito.
Resumindo…

Dragonkin: The Banished é um RPG com uma base de combate sólida e um sistema de habilidades (Grade Ancestral) inovador, mas que tropeça em elementos cruciais do gênero. A falta de personalização, um sistema de loot desinteressante e uma narrativa que não engaja impedem que o jogo alcance o patamar dos grandes nomes do mercado. É uma experiência divertida para jogar em modo cooperativo e destruir hordas de monstros, mas que pode não prender a atenção dos veteranos mais exigentes a longo prazo.
Review - Dragonkin: The Banished
A sensação de poder ao destruir hordas de inimigos é excelente e fluida. - 8
Encontros épicos com mecânicas únicas e designs impressionantes. - 7.5
Grade Ancestral: Um sistema de habilidades em formato de favo de mel que é criativo e incentiva a experimentação. - 7
Começar com personagens no nível máximo é uma ótima introdução às classes - 7
Falta de itens únicos e modificadores que realmente alterem o estilo de jogo - 6.5
História desinteressante e protagonista sem personalidade - 6
Classes com gênero e aparência travados. - 6
Mapas muito grandes com pouca variedade de monstros comuns. - 5
6.6
Bom!
Dragonkin: The Banished tem boas ideias, mas a execução conservadora em áreas chave como o loot e a progressão o deixam na sombra dos dragões maiores do gênero. Vale a pena em uma promoção ou se você estiver desesperado por um novo hack and slash para jogar com os amigos.

