A franquia Resident Evil, um pilar do gênero survival horror, celebra três décadas de existência com o lançamento de Resident Evil Requiem. Desde seu surgimento no PlayStation original, a série tem cativado jogadores com sua mistura de terror, ação e narrativa envolvente. Após altos e baixos, incluindo o divisivo Resident Evil 6 e o aclamado renascimento com Resident Evil 7 e Village, a Capcom busca em Requiem uma síntese de sua rica história, prometendo uma experiência que honra o passado e aponta para o futuro.
A Nova Raccoon City e a Ameaça do Vírus
Resident Evil Requiem nos transporta de volta a uma Raccoon City devastada, mas não esquecida. A trama central gira em torno da Síndrome de Raccoon City, uma condição que afeta sobreviventes do incidente de 1998, mantendo o T-Vírus dormente em seus organismos. Essa premissa estabelece um elo direto com as raízes da franquia, ao mesmo tempo em que introduz uma nova ameaça e um mistério a ser desvendado. A história começa com a agente do FBI Grace Ashcroft investigando mortes ligadas a essa síndrome, que a levam a um hotel abandonado com conexões pessoais. É nesse cenário que ela se depara com o enigmático Victor Gideon, um cientista que busca perpetuar o trabalho de Oswell E. Spencer, fundador da Umbrella Corporation.
Leon S. Kennedy e Grace Ashcroft…

Resident Evil Requiem aposta em uma dinâmica de dois protagonistas para alternar entre diferentes estilos de gameplay e narrativas. De um lado, temos o icônico Leon S. Kennedy, um veterano da franquia que, apesar de mais velho, demonstra uma força e habilidade em combate que o tornam quase um super-herói. Sua campanha é marcada por ação intensa, com Leon utilizando uma vasta gama de armas, incluindo um machado com durabilidade restaurável e até mesmo armas dos inimigos, como serras elétricas. Ele é capaz de desferir chutes giratórios devastadores e finalizar inimigos com golpes brutais, tornando-o uma máquina de combate eficaz. Em contraste, Grace Ashcroft é uma novata no combate, uma agente do FBI que se vê em uma situação de terror e vulnerabilidade. Sua gameplay é focada em survival horror clássico, com gerenciamento de recursos, furtividade, sustos e quebra-cabeças. Grace gagueja em momentos de tensão e pode tropeçar ao correr, enfatizando sua inexperiência. Ela utiliza armas mais básicas, como uma pistola, facas e um injetor especial para coletar sangue de inimigos, que pode ser usado para fabricar itens. A experiência com Grace é mais cadenciada e aterrorizante, exigindo estratégia e economia de munição.
Duas Perspectivas, Uma Experiência…
A grande aposta de Resident Evil Requiem é a alternância entre as gameplays de Leon e Grace, oferecendo duas perspectivas distintas que se complementam. A Capcom recomenda a perspectiva em primeira pessoa para as fases de Grace, a fim de aumentar a imersão no terror e na vulnerabilidade da personagem. Já para Leon, a terceira pessoa é sugerida para aproveitar as nuances da ação e do combate. Essa dualidade permite que o jogo explore tanto o survival horror mais puro quanto a ação desenfreada, agradando a diferentes tipos de fãs da franquia. As fases de Grace são um exercício de tensão, com corredores estreitos, inimigos aterrorizantes e a necessidade de economizar recursos. O backtracking é incentivado, e a administração do inventário limitado é crucial. Já as fases de Leon são um verdadeiro playground de ação, com abundância de munição e um inventário expandido. O combate é fluido e responsivo, com animações de alta qualidade.
Ambientação, Cenários e Clima Tenso…

A ambientação de Resident Evil Requiem é um dos seus pontos mais fortes, especialmente nas fases de Grace. O jogo revisita ambientes clássicos de Raccoon City, que são ao mesmo tempo familiares e traumatizantes. O hospital inicial, por exemplo, é muito mais bonito e elaborado do que a Raccoon City devastada nas fases de Leon, que, apesar de ser um mapa mais aberto, carece de cor e mistério. O clima tenso é construído de forma magistral, principalmente através do design de criaturas. Os zumbis em Requiem não são apenas inimigos genéricos; eles possuem resquícios de suas personalidades originais, de quando eram vivos. Há zumbis que não gostam de barulho, outros que preferem o escuro, e até uma cantora que utiliza um ataque sonoro para desequilibrar o jogador. Essa atenção aos detalhes na criação dos inimigos e seus comportamentos contribui significativamente para a atmosfera de terror e imprevisibilidade.
Dificuldade do Game…

A dificuldade de Resident Evil Requiem é um ponto a ser destacado, porém enquanto as fases iniciais com Grace oferecem um desafio considerável, com escassez de munição e a necessidade de fugir e economizar recursos, o jogo tende a se tornar mais fácil à medida que se avança, especialmente nas fases de Leon. Os quebra-cabeças são simples, com soluções muitas vezes óbvias, o que pode decepcionar jogadores que buscam um estímulo intelectual maior. A dificuldade Insano é a única que oferece um verdadeiro desafio para os mais experientes.
Gráficos e Trilha Sonora…

Visualmente, Resident Evil Requiem é um deslumbre, sendo considerado o Resident Evil mais bonito da franquia. O jogo utiliza a RE Engine, que já demonstra um amadurecimento notável, resultando em gráficos impecáveis, animações de altíssima qualidade e expressões faciais impressionantes. A performance é estável, com 60 FPS e resolução de 1440p com upscale para 4K no PlayStatio e Xbox Series S|X. A trilha sonora e o design de áudio contribuem imensamente para o clima de terror. Os sons dos zumbis, com seus comportamentos variados e até ataques sonoros, são eficazes em criar uma atmosfera de medo e tensão. A dublagem em português está excelente, com atuações de destaque para Leon e Grace, enriquecendo a imersão na narrativa. A Capcom e os dubladores realizaram um trabalho realmente incrível aqui!
Resumindo…

Resident Evil Requiem é um game que busca celebrar a história da franquia, misturando elementos clássicos de survival horror com a ação moderna. A alternância entre a vulnerabilidade de Grace e a força de Leon oferece uma dinâmica de gameplay interessante, embora a dificuldade geral possa ser um ponto fraco. Os gráficos são impressionantes, e a ambientação é eficaz em criar um clima tenso e aterrorizante. A história, no entanto, pode ser um ponto que pode dividir opiniões, que, apesar de ter seus méritos, não é o ponto mais forte do título. Resident Evil Requiem é, em muitos sentidos, o jogo que a Capcom prometeu: uma celebração da franquia que honra seu legado e aponta para o futuro. Apesar de algumas ressalvas na história e na dificuldade, a experiência geral é extremamente positiva, tornando-o um título obrigatório para fãs e novatos que buscam uma aventura de terror e ação de alta qualidade.
Gameplay refinado e versátil - 10
Visual e performance impecáveis - 10
Ambientação e clima tenso - 10
Dublagem em português impecável - 10
Quebra-cabeças simples - 8.5
Dificuldade desbalanceada - 8.5
9.5
Excelente!
Resident Evil Requiem é, em muitos sentidos, o jogo que a Capcom prometeu: uma celebração da franquia que honra seu legado e aponta para o futuro. Apesar de algumas ressalvas na história e na dificuldade, a experiência geral é extremamente positiva, tornando-o um título obrigatório para fãs e novatos que buscam uma aventura de terror e ação de alta qualidade.