Reviews e Previews

Review – Romeo Is a Dead Man

A Loucura de Suda51 !

hoje a gente vai mergulhar de cabeça em um dos lançamentos mais… peculiares do ano: Romeo Is a Dead Man. Se você já conhece o trabalho do lendário Goichi Suda, o famoso Suda51, sabe que esperar algo “normal” é pedir demais. Ele é o mestre dos jogos “doidos”, que misturam genialidade com uma dose cavalar de bizarrice, e esse novo título da Grasshopper Manufacture não foge à regra. Preparem-se para uma viagem alucinógena, porque Romeo Is a Dead Man é uma experiência que desafia rótulos e, acima de tudo, a sanidade.

Um Romeu e Julieta Pós-Apocalíptico e Interdimensional…

Esqueça tudo o que você sabe sobre a clássica tragédia de Shakespeare. Em Romeo Is a Dead Man, a história começa com Romeo Stargazer, um policial da pacata cidade de Deadford. A vida dele vira de cabeça para baixo quando ele encontra Juliet Dendrobium, e os dois se apaixonam perdidamente. Mas, como em toda boa tragédia de Suda51, a felicidade dura pouco. Juliet desaparece, e Romeo é brutalmente atacado por criaturas que surgem de fendas temporais, perdendo um braço e metade do rosto. Mas calma, porque a loucura está só começando! Romeo é ressuscitado por seu avô, Benjamin Stargazer, um cientista excêntrico que viajou no tempo para salvá-lo.Benjamin injeta uma tecnologia experimental chamada “DeadGear” no olho de Romeo, transformando-o em um “Dead Man”, nem vivo, nem morto, uma espécie de zumbi ciborgue.

O avô, inclusive, acaba virando um bordado falante na jaqueta de Romeo, servindo como seu guia e aliviando um pouco a barra com seus comentários hilários. Recuperado (mais ou menos), Romeo é recrutado pela Polícia do Espaço-Tempo do FBI, uma organização intergaláctica que caça criminosos temporais que estão causando rupturas no tecido do universo. A missão de Romeo? Caçar esses criminosos e, mais importante, encontrar Juliet, que é a principal suspeita por trás de todo o caos temporal. A narrativa é propositalmente bagunçada, com flashbacks, sonhos e realidades alternativas que te fazem questionar o que é real e o que é apenas uma “bad trip”. É uma trama que mistura Loki com Scott Pilgrim, tudo com o tempero único de Suda51.

Uma Galeria de Excentricidades…


Romeo Stargazer: Nosso protagonista, um policial que vira um “Dead Man” ciborgue em busca de sua amada e da verdade por trás do colapso temporal. Ele é a personificação da resiliência em meio ao caos.
Juliet Dendrobium: O amor perdido de Romeo e, ironicamente, a suposta arquiteta do apocalipse temporal. Ela aparece em diversas variantes multidimensionais, cada uma mais bizarra que a outra.
Benjamin Stargazer: O avô cientista maluco de Romeo, que o salva da morte e o acompanha como um bordado falante em sua jaqueta. Ele é a voz da razão (ou da insanidade) no ouvido de Romeo.

Hack and Slash com Toques de Soulslike e Muita Maluquice…

O gameplay de Romeo Is a Dead Man é um hack and slash 3D que bebe da fonte de títulos como No More Heroes, Killer is Dead e Lollipop Chainsaw, mas com um ritmo um pouco mais cadenciado que um Bayonetta ou Devil May Cry. A cada missão, você viaja por fendas interdimensionais, pousando em diferentes eras e cenários para combater as aberrações temporais. O jogo não tem um mundo aberto, optando por uma estrutura linear dividida em capítulos, como uma série de TV. No entanto, a linearidade é quebrada por seções de “Subespaço”, onde você entra em televisões flutuantes para resolver puzzles em um mundo digital sem combate. Essas seções, embora interessantes no início, podem quebrar o ritmo e se tornar um pouco entediantes com o tempo.

Mas o que realmente faz o gameplay de Romeo Is a Dead Man brilhar são as suas mecânicas bizarras e únicas. O seletor de dificuldade é uma caixa de chocolates, onde cada sabor representa um nível de desafio. Os upgrades de atributos são feitos através de um minigame isométrico estilo Pac-Man, onde você pilota um carrinho e coleta pontos de vida e força. E, para completar, há um sistema de “fazendinha” onde você cultiva zumbis (chamados “Bastardos”) para usá-los como habilidades em combate, podendo até fundi-los para criar versões mais poderosas. É o tipo de maluquice que só Suda51 poderia conceber!

Sangue, Tiros e Estratégia Bizarra…

O combate é a força motriz do jogo, e Romeo Is a Dead Man oferece uma mistura interessante de ataques corpo a corpo e à distância. Você tem acesso a quatro armas brancas (espadas, lanças) e quatro armas de fogo (pistolas, escopetas, bazucas), permitindo alternar entre combos rápidos e tiros precisos. Muitos inimigos possuem pontos fracos que podem ser explorados com tiros, tornando o combate mais estratégico. A mecânica principal do combate corpo a corpo é a absorção de sangue dos inimigos. Ao encher uma barra de sangue, você pode desferir um poderoso golpe especial chamado “Verão Sangrento”, que não só causa dano massivo, mas também restaura parte da sua vida. Isso incentiva uma postura mais agressiva, mesmo que você tome dano no processo. O jogo também incorpora elementos de Soulslike, com inimigos reaparecendo em áreas salvas, o que adiciona uma camada de desafio.

Um Festival Visual Caótico…

A ambientação de Romeo Is a Dead Man é um espetáculo à parte. O jogo abraça uma estética retrofuturista que mistura o gore de filmes B com a vibe de De Volta para o Futuro. Os cenários são complexos e elaborados, com texturas de alta qualidade, e o movimento do sangue jorrando dos inimigos é agressivo e visceral. Os mapas são variados e fogem da mesmice. Você vai explorar desde uma prefeitura cheia de burocracia até um shopping center no estilo Dead Rising e um sanatório assombrado com elementos de survival horror. A nave “Last Night”, que serve como hub central, é apresentada em uma charmosa pixel art 2D, contrastando com o 3D do resto do jogo. Essa mistura de estilos visuais, embora possa parecer uma bagunça, é uma escolha deliberada que reforça a identidade única do jogo.

Chefões Grotescos e Memoráveis…


Os inimigos em Romeo Is a Dead Man são tão bizarros quanto o resto do jogo. Você enfrentará hordas de zumbis chamados “Rotters” e outras criaturas que atacam em bando. A variedade de inimigos, no entanto, pode ser um ponto fraco, com muitos “Podrões” de cores trocadas ao longo das 12 a 15 horas de campanha. Os chefes, por outro lado, são um show à parte. Eles são manifestações temáticas da bagunça emocional e dimensional do jogo, com designs grotescos e memoráveis. Logo no início, você enfrenta uma chefe que arranca a própria cabeça e se transforma em um colosso obeso, deixando claro que qualquer lógica tradicional é inútil. A dificuldade dos chefes aumenta gradualmente, exigindo que você domine as mecânicas de combate para sair vitorioso.

Do Chocolate ao Amargo…


A dificuldade de Romeo Is a Dead Man é flexível e, como mencionado, é escolhida através de uma caixa de chocolates. Para quem busca um desafio mais tranquilo, há opções mais “doces”, mas para os masoquistas de plantão, o “Chocolate com Laranja” promete fazer você suar a camisa. No geral, o jogo não é “muito difícil”, mas pode apresentar picos de frustração em cenários fechados com muitos inimigos ou em batalhas contra chefes com ataques desbalanceados. A câmera, que é um problema recorrente, também pode aumentar a dificuldade em momentos caóticos. No entanto, o jogo oferece uma mecânica de “roleta de vantagens” ao ser derrotado, permitindo que você ganhe buffs para a próxima tentativa, o que ajuda a mitigar a frustração.

Estilo e Personalidade Acima de Tudo…


Visualmente, Romeo Is a Dead Man é um jogo cheio de estilo e personalidade. A direção de arte é inspiradíssima e carrega o jogo nas costas, compensando algumas modelagens datadas e animações faciais rígidas. Há momentos em que a tela pode ficar um pouco borrada devido às partículas e ao FSR, mas o trabalho visual é sólido no geral. A trilha sonora é um dos pontos altos do jogo. É uma mistura eclética e viciante que vai do jazz ao hip-hop, passando por música eletrônica e até um “forrózinho maroto” enquanto você gerencia seus zumbis na horta. A dublagem em inglês é competente, e a localização em PT-BR merece destaque, com piadas e gírias brasileiras que se encaixam perfeitamente no humor nonsense do jogo.

Reumindo…


Romeo Is a Dead Man é uma experiência que você ama ou odeia, sem meio-termo. Para os fãs de Suda51 e para quem busca algo genuinamente diferente e não se importa com a bagunça, é um prato cheio. Para quem prefere uma experiência mais polida e convencional, pode ser uma jornada frustrante. É um jogo que vale a pena ser experimentado pela sua ousadia e criatividade, mas que tropeça em problemas técnicos e de ritmo que impedem que ele alcance a grandeza que sua ambição sugere. Ainda assim, é uma prova de que a mente de Suda51 continua a nos surpreender, mesmo que seja com um jogo “doido” que não quer agradar a todos.

Review - Romeo Is a Dead Man

Originalidade e Criatividade - 8.5
Mecânicas Únicas - 8
Direção de Arte e Estilo Visual - 8
Combate Mediano - 7.5
Câmera Problemática - 7
Quedas de framerate e loadings longos - 7

7.7

Bom!

Romeo Is a Dead Man é um jogo que você ama ou odeia, sem meio-termo. É um jogo que vale a pena ser experimentado pela sua ousadia e criatividade, mas que tropeça em problemas técnicos e de ritmo.

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Eduardo Lino

Olá, Eu sou o Edu! Sou o criador do portal de notícias Gamer Spoiler. Apaixonado por games desde pequeno e jornalista nas horas vagas!
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