Reviews e Previews

Review – Tokyo Scramble – [Nintendo Switch 2]

Desde o seu anúncio na Nintendo Direct Partner Showcase, Tokyo Scramble para o Nintendo Switch 2, desenvolvido pela Adglobe e Binary Haze Interactive, gerou uma curiosidade considerável. Prometendo uma mistura intrigante de stealth, sobrevivência e elementos de terror, o título se destacou por sua proposta singular (e esquisita!) em um mercado saturado. Com um preço acessível de R$ 79,99 e uma duração de campanha entre 6 a 10 horas, o jogo busca oferecer uma experiência contida, mas impactante. A questão que pairava no ar era se essa combinação ambiciosa de gêneros e conceitos realmente se traduziria em uma experiência única e memorável. Após mergulharmos nas profundezas de Tóquio, estamos prontos para desvendar os mistérios e desafios que Tokyo Scramble apresenta.

História e Plano de Fundo…

A narrativa de Tokyo Scramble centra-se em Anne, uma estudante do ensino médio com planos de se mudar para os EUA, o que gera atritos com seu círculo de amigos. No entanto, seus dilemas adolescentes são abruptamente interrompidos quando um terremoto causa o desabamento de um metrô em Shibuya, arrastando-a para um misterioso e hostil subsolo de Tóquio. Nesse cenário desolador, Anne se vê cercada por criaturas pré-históricas mutantes, os chamados Zinos. A peculiaridade da trama reside no contraste entre a luta desesperada pela sobrevivência de Anne e suas interações contínuas com os amigos na superfície, realizadas através de um smartwatch.

Essas conversas, repletas de jargões e abreviações, abordam dramas típicos da adolescência, como triângulos amorosos e o futuro incerto de sua banda, também chamada Tokyo Scramble. Embora a ideia de mesclar o horror da sobrevivência com o drama social seja original, a execução muitas vezes falha em criar uma conexão significativa, diluindo a tensão e o impacto emocional da história. Os amigos de Anne, incluindo seu irmão Ray, parecem estranhamente alheios à gravidade da situação, o que enfraquece a credibilidade do enredo.

Gameplay de Sobrevivência…

O cerne de Tokyo Scramble reside em sua jogabilidade de stealth puro, onde o combate direto é inexistente. Anne não possui armas e qualquer detecção por um Zino resulta em morte instantânea. Para sobreviver, a protagonista depende exclusivamente de seu smartwatch, carinhosamente apelidado de Diana. Este dispositivo é a chave para interagir com o ambiente, permitindo hackear elementos da infraestrutura do metrô, como escadas rolantes, elevadores, empilhadeiras e alarmes, para criar distrações ou armadilhas para os Zinos.Uma mecânica inovadora é o sistema de batimentos cardíacos, que substitui a tradicional barra de stamina. Correr ou tomar decisões arriscadas eleva drasticamente o ritmo cardíaco de Anne (podendo chegar a 150-169 BPM), e ultrapassar um certo limite a deixa exausta e vulnerável, muitas vezes resultando em sua captura e morte. Embora a ideia seja interessante para simular o pânico e o medo, a execução pode ser punitiva, quebrando a fluidez da ação e gerando frustração. O smartwatch também possui um flash para atordoar inimigos, mas seu uso é limitado pela bateria, que precisa ser recarregada em pontos específicos do cenário.

Zinos e suas peculiaridades…

Os inimigos, conhecidos como Zinos, são criaturas pré-históricas mutantes com habilidades distintas. Exemplos incluem os Goblins (velociraptores com orelhas), Badbats ou Espreitadores (morcegos sensíveis ao som), Esguiomantis (louva-a-deus gigantes) e Blockheads (tartarugas de pedra). Cada tipo de Zino exige uma abordagem estratégica diferente, incentivando o jogador a observar e planejar seus movimentos. Um dos aspectos mais legais  e caóticos do jogo é o seu multiplayer GameShare. Até quatro jogadores podem controlar diferentes funções da protagonista Anne simultaneamente, desde a movimentação e a câmera até o uso dos aplicativos do smartwatch. Essa experiência, embora potencialmente confusa, é bem divertida, transformando o jogo de sobrevivência em um party game inusitado.

Ambientação e Cenários…

A ambientação de Tokyo Scramble é um dos seus pontos mais fortes. O jogo transporta os jogadores para um subsolo de Tóquio que é uma mistura fascinante de ruínas de metrô, cavernas naturais e até mesmo sugestões de uma cidade medieval japonesa oculta sob a metrópole. Essa fusão cria uma atmosfera claustrofóbica, tensa e desolada, que contribui significativamente para a sensação de perigo e isolamento. O design dos níveis, dividido em capítulos, é até interessante. Ele incentiva a exploração, pois encontrar antenas e pontos específicos permite carregar e evoluir os aplicativos do smartwatch, oferecendo múltiplas formas de abordar os objetivos. A imersão é reforçada pela constante necessidade de cautela, onde cada passo e respiração acelerada podem revelar a localização de Anne aos Zinos.

Dificuldade…


A dificuldade em Tokyo Scramble aumenta gradativamente, exigindo dos jogadores observação aguçada, planejamento cuidadoso e experimentação para superar os desafios.  A Inteligência Artificial (IA) dos Zinos é inconsistente, alternando entre momentos “Não estou nem aí pra vc” e de “senti o movimento que seu musculo fez ao piscar os olhos”. Além disso, o game pode ser bem punitivo, com inimigos posicionados muito próximos, tempos de atordoamento curtos e a velocidade das criaturas superando a da protagonista. Isso, combinado com checkpoints que às vezes são mal posicionados, pode transformar o desafio em frustração, dando a impressão de que a dificuldade é mais um resultado da falta de polimento do que de um design intencional.

Gráficos e Trilha Sonora…

Visualmente, Tokyo Scramble apresenta uma inconsistência notável. Enquanto os modelos de Anne e dos Zinos são bem detalhados e trabalhados, os cenários sofrem com a falta de texturas e uma iluminação que, em alguns pontos, falha em integrar os elementos de forma coesa. Essa disparidade resulta em um aspecto datado, lembrando a geração do PlayStation 3 e Xbox 360, o que pode quebrar a imersão em um jogo para o Nintendo Switch 2. Apesar disso, a performance é estável, rodando a 60 FPS no Switch 2, o que garante uma experiência fluida. Por outro lado, os efeitos sonoros são bem legais podendo ser considerado um dos pilares da atmosfera do jogo. A trilha sonora é tensa e eficaz em construir o suspense necessário, enquanto o design de som ambiente é crucial para a jogabilidade, permitindo que os jogadores localizem as ameaças apenas pelo áudio. Um destaque é o uso da vibração HD do controle, que simula os batimentos cardíacos da protagonista, aumentando a imersão física do jogador. A localização para o Português Brasileiro também é um ponto forte, contribuindo para a compreensão da narrativa e a imersão geral.

Resumindo…

Tokyo Scramble é um título que, apesar de suas ambições e ideias inovadoras, tropeça em sua execução. A premissa de sobrevivência stealth em um Tóquio subterrâneo infestado por dinossauros é no mínimo esquisita, e o uso criativo do smartwatch para interagir com o ambiente oferece momentos de genuína engenhosidade e humor. O multiplayer GameShare é uma adição caótica e divertida, proporcionando uma experiência única e memorável. A localização para o Português Brasileiro e o preço acessível também são pontos positivos que tornam o jogo mais convidativo.No entanto, o jogo sofre com uma narrativa fraca e deslocada do contexto de terror, diluindo o impacto dramático.

Os gráficos dos cenários são feios e datados, e a IA dos inimigos, juntamente com um design de dificuldade por vezes punitivo, pode levar à frustração. A curta duração da campanha, embora justificada pelo preço, deixa a sensação de um potencial não totalmente explorado. Tokyo Scramble é um jogo com ideias brilhantes e momentos de diversão genuína, especialmente no multiplayer. Contudo, a falta de polimento em aspectos cruciais como a coesão narrativa e a qualidade visual dos cenários impede que ele alcance seu potencial máximo. É um título que vale a pena ser experimentado por aqueles que buscam uma experiência diferente e estão dispostos a relevar suas falhas em troca de sua originalidade e momentos de caos divertido. Pode não ser um clássico instantâneo, mas certamente deixará sua marca como uma experiência peculiar no catálogo do Nintendo Switch 2.

Review - Tokyo Scramble - [Nintendo Switch 2]

Stealth com dinossauros: Uma premissa original e intrigante - 7.5
Mecânicas inovadoras para interação com o cenário - 7
Multiplayer inovador e divertido - 7
Gráficos dos cenários datados - 6.5
História sem profundidade - 6
•IA e mecânicas por vezes frustrantes/punitivas - 5

6.5

Bom!

Tokyo Scramble é um jogo com ideias brilhantes e momentos de diversão genuína, especialmente no multiplayer. Contudo, a falta de polimento em aspectos cruciais como a coesão narrativa e a qualidade visual dos cenários impede que ele alcance seu potencial máximo.

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Eduardo Lino

Olá, Eu sou o Edu! Sou o criador do portal de notícias Gamer Spoiler. Apaixonado por games desde pequeno e jornalista nas horas vagas!
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