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Review – I Hate This Place

Um terror que promete, mas não cumpre

I Hate This Place é um daqueles jogos que te fisgam pela capa. Com uma estética de quadrinhos que salta aos olhos e uma premissa de terror isométrico com sobrevivência, ele tinha tudo para ser um dos meus favoritos do ano. Baseado na obra de Kyle Starks e Artyom Topilin, o game te joga em um universo que mistura o horror cósmico dos anos 80 com uma pitada de conspiração governamental e maldições familiares. A proposta é ousada e, de início, muito promissora. Mas, como nem tudo são flores, a execução tropeça em problemas que transformam a empolgação inicial em frustração.

Uma história de arrepiar (nem sempre pelos motivos certos)…

A trama começa com Elena, nossa protagonista, voltando para a cidade natal ao lado da amiga Lou. O plano? Realizar um ritual para uma entidade local, o Homem dos Chifres. Obviamente, tudo dá errado. Elena acorda sozinha e precisa desbravar uma região amaldiçoada para encontrar a amiga desaparecida e, de quebra, descobrir o que aconteceu com sua mãe, que sumiu anos atrás no mesmo lugar. O mistério é o ponto alto aqui. A história te instiga a explorar e ler cada documento para entender a conspiração que envolve uma agência governamental, cultistas e fantasmas. O universo é rico e te deixa curioso, mas a narrativa principal e a própria Elena poderiam ser mais bem desenvolvidas. Ela fala bastante, tenta ser bem-humorada, mas falta carisma, o que dificulta a criação de um vínculo com sua jornada.

Sobrevivendo aos trancos e barrancos…

O gameplay é um misto de boas ideias com execução problemática. A câmera isométrica, que lembra os primeiros Resident Evil, funciona bem para criar a atmosfera, mas em locais fechados, ela mais atrapalha do que ajuda, ficando presa nas paredes. O combate é no estilo twin-stick shooter, mas a mira é imprecisa e a movimentação de Elena ao atirar é tão lenta que te deixa vulnerável demais. Muitas vezes, usar o taco de beisebol é mais eficiente do que gastar munição, o que não faz muito sentido. A furtividade, que deveria ser uma alternativa viável, também não funciona como deveria. Elena é lenta demais agachada e os inimigos te detectam com muita facilidade, tornando a abordagem silenciosa quase inútil.

Visual bem legal…

Se tem algo que I Hate This Place acerta em cheio é na direção de arte. O estilo de quadrinhos é fantástico e as onomatopeias que aparecem na tela a cada ação, como “THUD” para os passos, são um toque genial que reforça essa identidade. A ambientação é sombria e aposta na pouca iluminação da lanterna para criar um clima de tensão constante, principalmente à noite. Os efeitos sonoros também contribuem para o suspense, com ruídos que te deixam sempre em alerta. A dublagem, embora um pouco exagerada, combina com a pegada de filme de terror B dos anos 80.

A dificuldade que irrita…

O jogo não é difícil por ser desafiador, mas sim por suas falhas de design. A abundância de recursos, graças a um sistema de crafting que automatiza a produção de itens na sua base, tira todo o peso do gerenciamento que é tão crucial em um survival horror. Com munição quase infinita, não há motivo para evitar confrontos, o que torna a mecânica de furtividade ainda mais irrelevante. O sistema de salvamento manual, inspirado em Resident Evil, pune o jogador não por seus erros, mas pelas falhas do próprio jogo, como o combate travado e a câmera problemática.

Resumindo…

I Hate This Place é um jogo com uma alma incrível, mas um corpo cheio de problemas. A direção de arte, a atmosfera e o universo são fantásticos e te prendem de uma forma que poucos jogos conseguem. No entanto, a jogabilidade frustrante, com um combate impreciso, uma furtividade ineficaz e problemas técnicos, acaba minando a experiência. É um prato cheio para quem ama histórias de terror e mistério, mas prepare-se para passar raiva com os controles. I Hate This Place é um jogo que eu queria muito amar, mas que me deixou com um gosto amargo na boca. Vale pela experiência visual e pela história, mas somente se você tiver paciência para lidar com seus inúmeros problemas de jogabilidade.

Review - I Hate This Place

Direção de arte e visual de quadrinhos incríveis - 7.5
Universo e história intrigantes - 7
Ambientação e atmosfera de terror bem construídas - 7
Jogabilidade de combate e furtividade frustrantes - 6
Protagonista pouco carismática - 5.5
Abundância de recursos quebra a imersão do survival horror - 5

6.3

Bom!

I Hate This Place Vale pela experiência visual e pela história, mas somente se você tiver paciência para lidar com seus inúmeros problemas de jogabilidade.

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Eduardo Lino

Olá, Eu sou o Edu! Sou o criador do portal de notícias Gamer Spoiler. Apaixonado por games desde pequeno e jornalista nas horas vagas!
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