A franquia Call of Duty tem uma tradição anual que, para o bem ou para o mal, define o calendário dos shooters em primeira pessoa. Com o lançamento de Call of Duty: Black Ops 7, a Treyarch e a Raven Software se viram diante de um ano decisivo, buscando inovar e, ao mesmo tempo, manter a base de fãs engajada. O resultado é um título de contrastes gritantes: um multiplayer frenético e polido que brilha intensamente, ofuscado por uma campanha solo que beira o desastre criativo e técnico.
História e Campanha: Um Experimento Falho
Ambientado em 2035, dez anos após os eventos de Black Ops 2, o jogo nos transporta para um futuro onde a guerra de espionagem se mistura com tecnologia de ponta e elementos de ficção científica. A promessa era a de uma experiência Black Ops mais ambiciosa, com o retorno de figuras icônicas e a introdução de novas mecânicas de movimento. No entanto, a execução dessa ambição se mostrou desequilibrada, entregando um pacote que, embora vasto em conteúdo, falha em sua parte mais fundamental: a experiência narrativa para um jogador.
A campanha de Black Ops 7 foi, sem dúvida, o ponto mais criticado pelos jogadores e pela imprensa especializada, e com razão. Pela primeira vez na história da franquia, a Treyarch optou por uma Campanha Co-op obrigatória, sempre online, pensada para quatro jogadores. O problema é que essa estrutura não se sustenta. A narrativa, que deveria ser o pilar da experiência Black Ops, é frágil e confusa. O enredo tenta resgatar o icônico vilão Raul Menendez de Black Ops 2, mas o faz de forma preguiçosa, revelando logo no início que seu retorno é um deep fake de IA, um artifício que desrespeita a complexidade do personagem e a história anterior.
A estrutura das missões é uma “colcha de retalhos” de cenários reaproveitados de jogos anteriores e seções abertas do mapa Avalon de Warzone, dando a sensação de que o desenvolvimento foi apressado. Além disso, a campanha introduz a toxina “Berço”, um gás do medo que leva a alucinações, transformando o jogo de espionagem em um shooter contra zumbis e monstros, uma mudança de tom que não agradou e que flerta com o gênero survival horror.
A experiência é ainda mais prejudicada por problemas técnicos e de design: a ausência de checkpoints eficazes e a exigência de estar sempre online, que expulsa o jogador da missão em caso de queda de conexão, tornam a progressão frustrante e inaceitável para um título de 2025.
Personagens e Ambientação
A campanha apresenta quatro protagonistas: David Mason, Samuels, Harper e 50/50, além da antagonista Emma Kagan, CEO da Guilda. Infelizmente, a falta de foco narrativo e o design apressado resultam em um desenvolvimento superficial dos personagens. O jogador solo, em particular, sente-se desconectado, pois a IA não controla os companheiros, deixando Mason sozinho no campo de batalha, mas ainda ouvindo as vozes da equipe, criando uma sensação bizarra e incompleta. A ambientação futurista, situada em 2035, é marcada por drones, robôs humanoides e equipamentos de alta tecnologia. Embora o visual seja competente, com texturas e iluminação aprimoradas, a direção de arte da campanha se perde entre o realismo militar e o surrealismo das alucinações, sem encontrar uma identidade coesa, ou seja, uma bagunça total.
Gameplay e Modos de Jogo: O Brilho do Multiplayer
Se a campanha é o calcanhar de Aquiles, o Multijogador é o motor que impulsiona Black Ops 7. A jogabilidade principal é aprimorada com o Omnimovimento, que permite saltos nas paredes e maior mobilidade, tornando os tiroteios ainda mais dinâmicos e divertidos. O jogo traz um total de 18 mapas de lançamento, incluindo 16 para o tradicional 6v6 e dois mapas de grande escala para 20v20. O retorno de mapas clássicos como Hijacked, Raid, Express e Nuketown (em versão moderna) foi um acerto que agradou a comunidade.
Partidas Online, Customização e Perks
Uma mudança significativa foi a flexibilização do sistema de Skill-Based Matchmaking (SBMM). Embora o sistema anterior buscasse equilibrar as partidas estritamente por nível de habilidade, Black Ops 7 prioriza a conexão e a persistência dos lobbies, permitindo que os jogadores permaneçam com os mesmos colegas por mais tempo. No entanto, a experiência ainda é uma competição que é constante e intensa. A customização de armas e Perks (Vantagens) também recebeu atenção. O sistema de Perks agora permite a combinação de vantagens para criar especialidades híbridas, oferecendo maior profundidade tática e diversidade de builds.
Modo Zumbis
O modo Zumbis continua sendo um dos grandes pilares da franquia e se mantém sólido em Call of Duty: Black Ops 7. O mapa principal, Cinzas dos Condenados, é amplo, bem interligado e ganha fôlego com a adição de veículos, o que traz mais dinamismo à exploração e quebra a sensação de repetição comum em mapas muito extensos. A ambientação é forte, reforçando o clima caótico e sombrio que os fãs da modalidade já esperam.
A introdução de novos tipos de inimigos ajuda a renovar o desafio, exigindo adaptação constante dos jogadores, enquanto o retorno do Dead Ops Arcade funciona como um bônus bem-vindo, oferecendo uma experiência mais arcade e descontraída. Mesmo sem reinventar a fórmula, o modo Zumbis entrega exatamente o que promete: ação intensa, bom ritmo e aquele fator replay que sempre foi um de seus maiores trunfos.
Gráficos, Mapas e Trilha Sonora
No aspecto técnico, Call of Duty: Black Ops 7 entrega um trabalho competente e consistente. Os gráficos são visualmente impactantes, com destaque especial para as cutscenes, que apostam em enquadramentos e direção dignos de produções de cinema. Os mapas são bem construídos e variados, oferecendo um ótimo visual durante o combate. A trilha sonora e o design de áudio estão em alto nível, contribuindo diretamente para a atmosfera que o jogo busca transmitir. Explosões, disparos e efeitos sonoros são precisos e envolventes, enquanto a dublagem em português brasileiro merece elogios, contando com um elenco de qualidade que ajuda a elevar a imersão. Mesmo com tropeços narrativos, o conjunto audiovisual sustenta a experiência e mantém o padrão técnico elevado esperado da série.
Boss final???
“Absolute Cinema” só que não!
Na minha experiência, o final de Call of Duty: Black Ops 7 é um tropeço feio. Depois de uma campanha que tenta se apoiar em tensão psicológica e narrativa, o jogo simplesmente joga tudo fora com um “boss final” gigante, artificial e completamente fora de contexto do que foi construído até então. Não há estratégia, não há impacto e muito menos sensação de encerramento, um estranho só vazio. O que mais incomoda é o desrespeito com a própria identidade da franquia. Call of Duty sempre soube entregar finais marcantes, mesmo quando exagerava. Aqui o desfecho soa quase como uma piada de mau gosto em vez de memorável, o final é confuso, esquisito e fora do padrão que a série já estabeleceu.
Resumindo…
Call of Duty: Black Ops 7 é um jogo de duas metades. A primeira, a campanha, é um experimento fracassado que mancha a reputação da série. A segunda, o multiplayer e o modo Zumbis, é a experiência Call of Duty refinada e frenética que os fãs buscam. Conclusão: A pergunta que fica é: vale a pena adquirir Call of Duty: Black Ops 7? A resposta depende inteiramente do seu foco. Se você é um jogador que busca uma campanha envolvente e cinematográfica, a tradição da série foi sacrificada neste título. A experiência solo é tão ruim que não justifica a compra. No entanto, se o seu interesse principal é o Multiplayer e o modo Zumbis, o jogo entrega um produto de alta qualidade, divertido e com conteúdo suficiente para mantê-lo ocupado por meses. A jogabilidade online é o ponto alto e o verdadeiro valor do pacote.
Considerando o preço de um lançamento full-price, a sensação é de que o jogo é um “Black Ops 6.5”. Se você é um fã assíduo do multiplayer, a compra é recomendada, mas com a consciência de que a campanha é um obstáculo a ser superado. Para os demais, talvez seja mais prudente esperar por uma promoção ou considerar que o jogo poderia ter sido lançado como um DLC, dada a falta de inovação substancial fora do multiplayer 3.
Review: Call of Duty: Black Ops 7
O Multiplayer é excelente! - 9
Grande variedade de mapas no lançamento - 8.5
Modo Zumbi é divertido e desafiador - 8.5
Gráficos competentes e dublagem em PT-BR - 7.5
Campanha Horrorosa! - 4.5
Sensação de ser uma DLC de BO6 - 4.5
7.1
Bom!
Se você é um jogador que busca uma campanha envolvente e cinematográfica, a tradição da série foi sacrificada neste título. A experiência solo é tão ruim que não justifica a compra. Mas os modos Multiplayer e Zumbi salvam o jogo!