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Review – Little Nightmares III

A franquia Little Nightmares sempre foi um daqueles acertos que a gente guarda no coração. Com uma atmosfera de terror opressivo, a sensação de fragilidade de uma criança em um mundo de gigantes grotescos e puzzles de plataforma que te faziam pensar, os dois primeiros jogos, criados pela Tarsier Studios, estabeleceram um padrão de qualidade altíssimo. A expectativa para Little Nightmares 3, publicado pela Bandai Namco Entertainment, era, portanto, gigantesca. E o peso de suceder dois clássicos não é brincadeira.
A primeira grande mudança que chocou os fãs foi a troca de estúdio. Desta vez, quem assume o desenvolvimento é a Supermassive Games, conhecida por títulos de terror narrativo como Until Dawn e The Quarry. A pergunta que não queria calar era: a Supermassive conseguiria manter a essência da franquia? A resposta é um misto de “sim” e “poderia ter ousado mais”. Eles mantiveram o clima, mas tropeçaram onde a Tarsier era mestre: nos puzzles.
A História: Uma Amizade Contra o Lugar Nenhum…
Em Little Nightmares 3, a gente acompanha a jornada de Low e Alone, dois novos protagonistas que estão juntos desde o início. Eles não são tão indefesos quanto Six ou Mono; cada um carrega um item que é crucial para a jogabilidade. Low tem um arco e flecha, útil para acertar interruptores distantes ou tontear inimigos, e Alone empunha uma chave inglesa, perfeita para quebrar paredes frágeis e manipular mecanismos. A trama se desenrola no Espiral (The Spiral), um aglomerado de locais perturbadores dentro do Lugar Nenhum (The Nowhere). O objetivo é claro: encontrar uma saída desse pesadelo sem fim. A história é contada de forma implícita, como manda a tradição da franquia, e a conexão entre Low e Alone é o grande destaque, transmitindo uma amizade sincera e emocionante, mesmo sem uma palavra sequer.
Ambientação e Terror: O Pesadelo de Tim Burton…

Se tem algo que a Supermassive acertou em cheio foi na ambientação. O senso de desolação e o terror corporal continuam presentes, beirando o gore em alguns momentos. A jornada nos leva por quatro fases principais: a Necrópole (um deserto de ruínas), a Fábrica de Doces, um Circo macabro e o Instituto. Os cenários são visualmente deslumbrantes e macabros, com um trabalho de luz e sombra que lembra muito as obras de Tim Burton. Tudo é gigante e opressor, e a atmosfera é palpável. No entanto, para quem jogou os antecessores, há uma sensação de que os ambientes, apesar de belíssimos, são um pouco repetitivos e menos criativos do que poderiam ser, focando mais em espaços fechados.
Mecânicas e Puzzles: O Calcanhar de Aquiles…

A jogabilidade se mantém no estilo plataforma 2.5D, onde você se move em um ambiente modelado em 3D. O uso das ferramentas de Low e Alone é a base dos puzzles. E é aqui que o jogo perde um pouco do brilho. Infelizmente, a maioria dos quebra-cabeças são fáceis demais, quase óbvios, e a sensação de ter que parar e pensar “o que eu faço agora?” simplesmente desapareceu. As ferramentas só funcionam quando o jogo quer que elas funcionem, tirando a liberdade de experimentação que era marca registrada da Tarsier. Os cenários são menos interativos, e o trajeto é, muitas vezes, linear. Por outro lado, a inclusão de combate (já que Low e Alone podem se defender) é bem-vinda e oferece um excelente equilíbrio entre habilidade e percepção, especialmente em um boss mais complexo no final.
Juntos ou Sozinhos, Mas Nem Tanto…

A grande novidade de Little Nightmares 3 é o co-op online, uma adição que, para muitos, era esperada. Jogar com um amigo, coordenando o uso do arco e da chave inglesa, é, sem dúvida, a melhor forma de aproveitar o jogo. Porém, se você for jogar sozinho, o seu companheiro será controlado pela IA. E aqui temos um problema duplo: a IA pode ser muito eficiente, correndo para o lugar certo e resolvendo o puzzle antes que você tenha tempo de raciocinar, tirando o desafio; ou em outros momentos, a IA se mostra errática, ficando parada e se tornando um obstáculo, o que é frustrante e quebra o ritmo. A falta de um co-op local é uma oportunidade perdida que poderia ter melhorado o custo-benefício do jogo.
Inimigos e Desafios: Monstruosidades Grotescas

Os inimigos continuam sendo o ponto alto do terror em Little Nightmares 3. Cada criatura é um espetáculo grotesco à parte, com design repulsivo e inquietante que mantém o padrão visual perturbador da franquia. Logo no início, o jogador encara o aterrorizante Bebê Monstro em uma sequência de perseguição angustiante que define o tom do restante da jornada. Entre os cenários, também encontramos figuras como a Supervisora, na sombria Fábrica de Doces entre outros personagens bizarros. As cenas de fuga e perseguição continuam sendo o ponto de maior tensão do jogo, exigindo reflexos rápidos e precisão milimétrica, evocando o mesmo sentimento de desespero e vulnerabilidade que marcou os capítulos anteriores.
Um Show Visual e Auditivo…
Visualmente, Little Nightmares 3 é impecável. Os gráfico são belíssimos, com texturas de altíssima qualidade e uma iluminação que faz um show de luzes e sombras, apesar de algumas áreas serem escuras demais para o meu gosto. O visual artístico, que flerta com o expressionismo gótico, está melhor do que nunca. A trilha sonora é de extrema qualidade, mas peca por ser pouco abundante, sendo reservada para os momentos mais marcantes. A maior parte do tempo somos acompanhados pelos efeitos sonoros do ambiente, que são excelentes e contribuem imensamente para a imersão. O som dos ossos estalando das criaturas é particularmente arrepiante.
Resumindo…

Little Nightmares 3 é um jogo que, apesar de manter a atmosfera e o visual que consagraram a franquia, falha em ousar e em trazer a mesma complexidade e impacto de seus antecessores. A Supermassive Games fez um trabalho competente, mas seguro demais. A maior adição, o co-op online, é bem-vinda, mas os puzzles simplificados e a IA errática no modo single-player são pontos negativos que pesam na experiência. Se você é fã da franquia e busca mais uma dose daquela atmosfera de pesadelo, com gráficos e som de ponta, sim, vale a pena. A jornada de Low e Alone, e a experiência em co-op, são pontos altos. No entanto, é preciso ter ressalvas quanto ao preço de lançamento e à curta duração do jogo, que é cerca de 6h de gameplay. Se você espera a mesma complexidade e o mesmo impacto dos puzzles de Little Nightmares 1 e 2, talvez seja melhor esperar por uma promoção ou pela expansão que já está programada. É um bom jogo, mas que não alcança a grandeza de seus antecessores.
Review - Little Nightmares III
Ambientação sombria e opressora - 8.5
Gráficos e a trilha sonora muito bons - 8
Jornada emocionante - 8
Relativamente curto (6h de gameplay) - 7.5
Simplicidade dos puzzles - 7
Falta de co-op local - 7
7.7
Bom!
Se você é fã da franquia e busca mais uma dose daquela atmosfera de pesadelo, com gráficos e som de ponta, sim, vale a pena.

