Review – Prey
Por Eduardo Henrique Em 11 jun, 2017 as 12:45 AM | Categorizado como Notícia, Playstation, Playstation 4, PlayStation®4 Pro, Reviews, Xbox, Xbox One | com 0 Comments

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Desenvolvido pela Arkane Studios e publicado pela Bethesda para o PS4, Xbox One e PC, Prey é uma completa reinvenção do jogo homônimo lançado em 2006 para PC e Xbox 360. A continuação do Prey original chegou a ser planejada, porém seu desenvolvimento nunca foi concluído; a detentora da franquia, 3D Realms, fechou as portas, e os direitos da marca passaram para a Arkane, que preferiu criar um título sem ligação algum com o anterior além do mote que dá nome ao jogo, ou seja, o protagonista servindo de presa para a ameaça alienígena constante e em grande quantidade. Será que este reboot irá emplacar de vez a franquia?

Jogo avaliado em um PS4 Pro, versão de patch 1.01.

Caça ou Caçador

O game em primeira pessoa com elementos de RPG coloca o jogador no papel de Morgan Yu, em seu primeiro dia de trabalho como cientista na Talos I, laboratório de pesquisa para estudo da espécie alienígena Typhon e de neurociência. No entanto, ao iniciar os seus testes de recrutamento, algo dá errado e os Typhons passam a atacar os cientistas, deixando a estação em apuros. Ir além dessa sinopse é entregar algumas das surpresas que a história pode reservar, mesmo que o desenvolvimento da trama não seja tão satisfatório, muito devido à falta de empatia com o personagem principal durante as mais de 40 horas de jogo.

Mesmo assim, o cenário é vasto tanto em termos de enredo quanto de gameplay: há uma enorme quantidade de detalhes ao redor que não somente oferecem um pano de fundo para a história, como também trazem novas missões ou possibilidades de interação. Nesse sentido, inclusive, Prey é brilhante, pois recompensa pela criativade. Há múltiplos caminhos e soluções para se evoluir o personagem ou para chegar a determinado local ou resolver um problema – muitas delas, interferindo na narrativa e nos diferentes finais do jogo. Praticamente tudo no ambiente pode ser interagido, mas também pode interagir com você, atraves dos malditos mimics. Essas criaturas têm a capacidade de se disfarçar em qualquer coisa presente no cenário, aparecendo de surpresa na cara do jogador para atacá-lo – e logo depois se escondem novamente em outro objeto. Por isso, Prey acaba construindo um grande senso de paranoia, em que tudo que pode ser tocado também pode ser nocivo ao jogador.

A estação Talos I, vista por fora. Um dos momentos mais incríveis do jogo

Problemas técnicos

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Por isso, o jogo também conta com muitos jump scares, mas que se tornam cansativos no décimo encontro, especialmente devido à música um tanto quanto irritante, que por sua vez é muito graças à estranha mixagem sonora do jogo. Prey tem uma média de volume sonoro extremamente alta; o primeiro susto já vem no logo inicial da Bethesda, junto com o desespero para procurar o controle remoto e abaixar o som da TV. Para compensar, a trilha sonora é incrível – excetuando a música de combate, tão cansativa quanto os confrontos em si.

Os gráficos são muito bons graças ao trabalho artístico impecável, seja pelos cenários ou pela modelagem dos personagens, objetos e efeitos. Nos consoles naturalmente, são menos detalhados, com certo nível de serrilhado – especialmente na apresentação inicial, no qual o personagem sobrevoa uma cidade fictícia de helicóptero. A visão panorâmica, que devia impressionar, acaba expondo uma das falhas de otimização do jogo. No PC, com uma gama muito maior de opções gráficas e resoluções acima do 1080p a 30 quadros por segundo dos consoles, nada disso ocorre: os visuais são praticamente perfeitos, dadas as especificações técnicas corretas.

Uma das primeiras telas de Prey; antes da tragédia acontecer

Por isso é fácil notar tanto pela interface dos menus quanto pelo jogo em si que Prey foi desenvolvido com o PC em mente; no entanto, isso não justifica a conversão problemática para os consoles como é o caso aqui. Desde a demo disponibilizada até a época do primeiro patch que o jogo recebeu, Prey no PS4 sofria de graves problemas de input lag no analógico direito, ou seja, havia um atraso nos controles de movimentação do personagem. Junte isso ao fato de que boa parte dos inimigos são seres pequenos que se movem a velocidades extremamente rápidas e temos aí a fórmula para a frustração completa, especialmente no início do jogo. A interação com as telas interativas, objetos, cadáveres e outros itens também ficou prejudicada com os controles falhos. A Arkane/Bethesda lançou nesta semana o patch 1.02, que aliviou um pouco este problema mas acabou criando um frame rate mais instável. Como o review foi feito ainda em cima da problemática versão antiga, então não há como desconsiderar essa falha; porém fica o alerta para quando jogar, atualizar para a versão mais recente possível. Também não há qualquer melhoria gráfica ou de performance no PS4 Pro, apesar de estar anunciado na contracapa da versão física.

 

Um clássico?

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Em um ano que mal chegou à sua metade e já está repleto de games aclamados e sucessos de público, não é difícil argumentar que Prey logo estará esquecido. Apesar do cenário vasto, repleto de detalhes e muitas possibilidades de abordagem no gameplay, a história que inicia intrigante falha em envolver o jogador, especialmente controlando um personagem que não evolui narrativamente. O game também não traz muita novidade para o gênero ao qual se propõe: é fácil encontrar referências no jogo a qualquer coisa que já tenha sido lançada antes, seja Half Life, System Shock e outros. Mas de uma coisa não há dúvida: apesar das falhas, o jogo diverte bastante e por um longo tempo. Mas não espere por uma experiência memorável, diferente de várias outras que se tem visto recentemente.

 NOTA: 8,0

PROS

  • Cenário vasto e envolvente
  • Variedade de habilidades
  • Múltiplas opções de abordagem para diferentes problemas
  • Longevidade com múltiplas missões e muita exploração

CONTRAS

  • Controles problemáticos e longas telas de loading nos consoles
  • Confrontos com inimigos deixam a desejar
  • Péssima dublagem em PT-BR
  • Terrível mixagem sonora
Eduardo Henrique

Sobre - Eu sou o criador do Site Gamer Spoiler. Jogo video-games desde sempre, atualmente tenho um Nintendo 3DS e um Xbox One. Apaixonado por animes e Cachorros. Quem quiser me add na Live: EDU4RDO_H

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